O Ibovespa fechou esta quinta-feira (29) em queda de 1,06%, aos 169.186,42 pontos, e perdeu o nível de 170 mil pontos no quarto pregão seguido de baixa. O dólar avançou 0,89%, para R$ 5,3878, em uma sessão marcada por dúvidas sobre a política fiscal após as Eleições 2026 e por juros altos no exterior.
Principais números do fechamento
O índice oscilou entre 168.765,35 e 171.402,97 pontos. O volume financeiro ficou próximo de R$ 31 bilhões. Desde o fechamento da sexta-feira anterior ao segundo turno, a perda acumulada do Ibovespa chegou a 17,5%.
| Indicador | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 169.186,42 pontos | -1,06% |
| Dólar à vista | R$ 5,3878 | +0,89% |
| S&P 500 | 7.720,39 pontos | -0,30% |
| Nasdaq | 26.184,73 pontos | -1,38% |
| Dow Jones | 52.342,56 pontos | -0,25% |
| Bitcoin | US$ 78.771 | -3,07% |
O dólar chegou a R$ 5,4290 durante o dia, mas devolveu parte do avanço no fim da sessão. A redução ocorreu enquanto o mercado acompanhava informações ainda não oficiais sobre possíveis nomes para a equipe econômica. Sem anúncio confirmado, o fator deve ser tratado como rumor, não como decisão do governo.
Risco fiscal pressionou juros e Bolsa
O mercado busca sinais sobre o cumprimento das metas fiscais, a trajetória da dívida e a composição da equipe econômica do próximo governo. A ausência de definições mantém prêmio elevado nos contratos de juros futuros.
Juros longos mais altos afetam especialmente empresas dependentes de crédito ou cujo valor está concentrado em lucros esperados para muitos anos. Bancos, varejistas, construtoras e companhias endividadas tendem a apresentar maior volatilidade nesse ambiente.
A alta do dólar também produz efeitos mistos. Exportadoras recebem parte das receitas em moeda estrangeira, mas empresas com custos ou dívidas dolarizadas podem sofrer pressão. Para a inflação, câmbio mais alto encarece importados e insumos.
Gerdau e WEG ficaram entre as altas
GGBR4 subiu 5,69%, enquanto GOAU4 avançou 5,16%. WEGE3 ganhou 4,41% e SUZB3 teve alta de 3,37%. BBSE3 completou o grupo de maiores avanços, com valorização de 1,69%.
O movimento de Gerdau e Metalúrgica Gerdau ocorreu após a divulgação de resultados. A Suzano contou com a combinação entre dólar mais forte e exposição internacional. Em dias de estresse doméstico, exportadoras podem atrair investidores que buscam proteção cambial, embora isso não elimine os riscos específicos de cada empresa.
Ambev liderou as quedas
ABEV3 recuou 4,40%, mesmo após divulgar crescimento do lucro ajustado e um programa de recompra. CSAN3 caiu 4,26%, BPAC11 perdeu 4,05%, RDOR3 recuou 3,98% e USIM5 teve baixa de 3,87%.
A reação negativa da Ambev mostra que um balanço não deve ser lido apenas pelo lucro ajustado. O mercado também avaliou a queda do lucro contábil, o ritmo dos volumes e a pressão sobre margens em partes da operação.
Bolsas americanas também caíram
O Nasdaq recuou 1,38%, refletindo preocupação com o custo dos investimentos em inteligência artificial. Alphabet e Microsoft divulgaram forte crescimento de nuvem, mas também mostraram gastos elevados com data centers e infraestrutura.
O S&P 500 caiu 0,30% e o Dow Jones perdeu 0,25%. Dados mostraram crescimento anualizado de 3,4% do PIB americano, ao mesmo tempo em que a inflação PCE chegou a 3,6% em 12 meses.
Atividade forte e inflação elevada podem manter os juros dos Estados Unidos altos por mais tempo. Isso aumenta a concorrência por capital e costuma pressionar moedas e ativos de países emergentes.
O que fica no radar
Na sexta-feira, os investidores acompanharão novos dados do mercado de trabalho brasileiro, a repercussão dos balanços divulgados depois do fechamento e eventuais anúncios sobre a equipe econômica.
O fechamento confirma que a volatilidade eleitoral ainda não terminou. Para o investidor, o ponto central é separar oscilações políticas de curto prazo dos fundamentos de cada empresa e evitar decisões baseadas apenas em um dia de pregão.