O IGP-10 subiu 1,47% em setembro de 2026, depois de cair 0,51% em agosto, informou a Fundação Getulio Vargas nesta quarta-feira, 16. O índice acumula alta de 2,97% no ano e de 3,29% em 12 meses.
A aceleração foi puxada por preços ao produtor, energia elétrica, grãos e commodities ligadas ao conflito no Oriente Médio. O resultado amplia a atenção sobre a trajetória da inflação no mesmo dia em que o Copom decide a taxa Selic.
Preços ao produtor lideram a alta
O Índice de Preços ao Produtor Amplo avançou 1,90%, revertendo a queda de 0,69% de agosto. As matérias-primas brutas subiram 3,91%, diante de apenas 0,23% no mês anterior.
Segundo a FGV, o fortalecimento do El Niño aumentou a incerteza sobre a safra 2026/27 e estimulou movimentos de antecipação de compras de grãos. A volatilidade do petróleo e de outras commodities da indústria extrativa também pressionou o indicador. O movimento sucede a alta de 3,6% do índice de commodities do Banco Central.
Energia e cigarros pressionam o consumidor
Dentro do IGP-10, o índice de preços ao consumidor subiu 0,44%, após recuar 0,47% em agosto. A tarifa de energia elétrica residencial aumentou 7% com o fim do efeito do bônus de Itaipu. A tabela nacional de cigarros contribuiu para uma alta de 16,47% no subitem.
Em divulgação separada, o IPC-S da segunda quadrissemana avançou 0,49% e acumulou 3,76% em 12 meses. Alimentação e habitação ganharam força, enquanto transportes registraram queda.
O resultado não substitui o IPCA, índice oficial utilizado no regime de metas. Em agosto, o IPCA caiu 0,32% e desacelerou para 4,22% em 12 meses.
Construção também ficou mais cara
O INCC avançou 0,50% em setembro, abaixo dos 0,65% de agosto. Materiais e equipamentos aceleraram para 0,30%, enquanto mão de obra desacelerou de 1,25% para 0,80%.
Embora seja diferente do IGP-M usado em muitos contratos, o IGP-10 ajuda a antecipar pressões no atacado e na construção. O Analistas explicou como a queda do IGP-M afeta o reajuste dos aluguéis.