A segunda prévia do IGP-M registrou alta de 1,47% em setembro de 2026, depois de uma queda de 0,36% na leitura equivalente de agosto. A aceleração foi puxada principalmente pelos preços ao produtor, segundo os dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas.
O Índice de Preços ao Produtor Amplo, que tem o maior peso no IGP-M, passou de uma queda de 0,50% na segunda prévia de agosto para uma alta de 1,95% em setembro. O índice ao consumidor avançou 0,47%, enquanto o custo da construção desacelerou de 0,73% para 0,27%.
A prévia de 1,47% já pode reajustar o aluguel?
Não. A segunda prévia funciona como um termômetro da inflação observada durante parte do período de coleta. O reajuste contratual deve considerar o IGP-M final previsto no contrato e o acumulado em 12 meses na data de aniversário da locação.
O resultado definitivo de setembro ainda poderá ser diferente. Em agosto, o IGP-M caiu 0,22%, mostrando que oscilações mensais podem alterar a trajetória acumulada usada nos contratos.
Como calcular o reajuste quando o índice final sair
Se o contrato determinar a aplicação integral do IGP-M acumulado em 12 meses, o novo aluguel será obtido multiplicando o valor atual por um mais a variação acumulada expressa em formato decimal. Um índice acumulado de 5%, por exemplo, transforma-se em 1,05 no cálculo.
O proprietário e o inquilino devem conferir o índice previsto no contrato, porque alguns documentos utilizam IPCA ou outro indicador. Também é possível negociar um reajuste diferente, desde que exista concordância entre as partes e a alteração fique registrada.
Por que os preços ao produtor importam
O IPA-M acompanha preços agropecuários e industriais antes de chegarem ao consumidor. Movimentos de commodities, câmbio e custos de produção podem provocar variações fortes nessa parcela do IGP-M.
Isso explica por que o índice usado em muitos contratos imobiliários pode subir ou cair de forma mais intensa do que a inflação percebida diretamente pelas famílias.