Executivo deixará os cargos de conselheiro e vice-presidente em 1º de agosto, após ser acusado de divulgar informações confidenciais.
A Vale (VALE3) informou nesta segunda-feira (27) que Marcelo Gasparino da Silva renunciou aos cargos de membro e vice-presidente do Conselho de Administração. A saída terá efeito a partir de 1º de agosto de 2026.
A decisão ocorre cinco dias após o conselho aprovar uma sanção contra Gasparino. Segundo a mineradora, uma investigação externa concluiu que ele teria vazado informações confidenciais de uma reunião realizada em junho.
A companhia não divulgou o conteúdo supostamente vazado nem a justificativa apresentada pelo executivo para deixar o colegiado.
Quem é Marcelo Gasparino
Marcelo Gasparino é advogado e possui longa trajetória em governança corporativa, mercado de capitais e representação de acionistas minoritários.
Ele integrava o conselho da Vale desde 2020 e ocupava a vice-presidência desde 2023. Ao longo da carreira, também participou de conselhos e comitês de empresas como Petrobras, Banco do Brasil, Eletrobras, Cemig, Usiminas e Oncoclínicas.
Gasparino ganhou projeção por sua atuação em eleições de conselheiros e em disputas envolvendo acionistas minoritários de grandes companhias abertas.
Renúncia encerra processo de destituição
Apesar da sanção aprovada pelo conselho, Gasparino precisaria ser formalmente destituído pelos acionistas em assembleia.
Com a renúncia, essa votação tende a perder o objeto. O caso foi detalhado anteriormente pelo Analistas na matéria sobre a decisão da Vale de destituir Gasparino após acusação de vazamento.
O episódio ocorreu em meio à recente disputa pelo comando do conselho da mineradora.
Após a saída de Daniel Stieler, Wilfred Bruijn foi escolhido presidente interino.
Posteriormente, os acionistas elegeram Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, para presidir o colegiado. A votação aconteceu no mesmo dia em que a Vale divulgou números de produção, conforme mostrou a reportagem sobre a produção recorde e a disputa pelo comando da Vale.
Quais são os impactos para a Vale
A saída abre uma vaga no conselho e deixa a vice-presidência do órgão sem titular. A empresa informou que avaliará as medidas necessárias com o apoio do Comitê de Indicação e Governança.
No curto prazo, a renúncia não altera as metas de produção, os investimentos ou a política de dividendos da Vale. O conselho também permanece com número suficiente de integrantes para funcionar normalmente.
O principal impacto está na governança. A sucessão de disputas, acusações e renúncias mantém o ambiente interno da companhia sob atenção dos investidores.
Para as ações VALE3, os fatores mais relevantes continuam sendo o preço do minério de ferro, os custos, a produção, a geração de caixa e os dividendos.
O que acompanhar
A Vale ainda deverá informar quem assumirá a vice-presidência do conselho e se pretende indicar um novo integrante para ocupar a cadeira deixada por Gasparino.
Também permanece pendente uma eventual manifestação pública do executivo sobre a investigação e os motivos de sua saída.