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Vale destitui Gasparino por vazamento horas após ele perder a eleição

A Vale decidiu destituir o conselheiro Marcelo Gasparino por vazamento de informações, horas depois de ele perder a disputa pela presidência do conselho.

Ativos citados
Foto de Muniz
Por Fundador e Editor-chefe
Publicado em Atualizado às 11:45 de hoje
Vale decide destituir conselheiro por vazamento de informações confidenciais

Horas depois de ser derrotado na disputa pela presidência do conselho, Marcelo Gasparino foi destituído do cargo de conselheiro da Vale, acusado de vazar informações confidenciais. A decisão ainda depende dos acionistas, e o caso já tem a CVM no meio.

A Vale (VALE3) informou na noite de quarta-feira (22) que seu conselho de administração decidiu destituir Marcelo Gasparino da Silva do cargo de conselheiro, sob acusação de vazamento de informações confidenciais. O anúncio veio poucas horas depois de o próprio Gasparino ter perdido, na mesma quarta-feira, a disputa pela presidência do colegiado.

A sequência dá a dimensão de um dos dias mais movimentados da história recente da mineradora: pela manhã, um resultado operacional acima do esperado. À tarde, a definição de uma disputa de poder. À noite, a saída do derrotado por quebra de conduta.

O que a Vale alega

Segundo o fato relevante da companhia, assinado pelo vice-presidente executivo Marcelo Feriozzi Bacci, a decisão se baseia em apuração conduzida por um escritório externo independente, contratado por deliberação do próprio conselho.

A investigação teria confirmado o vazamento de informações confidenciais relativas à reunião do colegiado realizada em 19 de junho, o que a empresa enquadra como desvio de conduta nos termos de sua Política de Gestão de Desvios de Conduta. O conselho afirma ter acompanhado recomendações do Comitê de Auditoria e Riscos (CARE) e da Diretoria de Auditoria e Conformidade.

A data não é aleatória: 19 de junho foi justamente a reunião em que Gasparino e Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, o Ollie, apresentaram suas candidaturas à presidência do conselho.

A destituição não está consumada

Um ponto que muita cobertura trata de forma apressada e que vale precisão: Gasparino ainda não está fora. Por se tratar de membro do conselho de administração, a sanção de destituição prevista na política interna depende de deliberação dos acionistas reunidos em Assembleia Geral. Ou seja, o conselho recomendou e encaminhou; quem decide são os donos da empresa.

Até lá, o caso permanece em aberto, e a companhia informou que manterá o mercado atualizado sobre os desdobramentos.

O placar que antecedeu tudo

A assembleia geral extraordinária da quarta-feira levou apenas 33 minutos e teve dois resultados. Os números:

Cargo Eleito Votos Derrotado Votos
Presidente do conselho Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira (Ollie) 1.977.262.848 Marcelo Gasparino 1.065.493.489
Conselheira Ieda Gomes Yell 2.400.170.665 José Maurício Pereira Coelho 628.533.132

Ollie era o nome apoiado pela Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil e maior acionista individual da mineradora. Já Ieda Gomes Yell foi a indicada pelo próprio conselho, derrotando o candidato da Previ. Como o Analistas detalhou na cobertura da assembleia, o fundo venceu no cargo principal, mas não levou tudo.

Como a crise começou

A novela tem cerca de seis semanas e uma origem clara. Em 11 de junho, a Previ pediu a convocação de uma assembleia extraordinária para tratar da destituição do então presidente do conselho, Daniel Stieler, sem informar os motivos. Stieler comandava o colegiado desde abril de 2023.

Em 19 de junho, na reunião cujo vazamento agora motiva a saída de Gasparino, as candidaturas foram apresentadas. No início de julho, Stieler renunciou, abrindo caminho para a eleição de um presidente interino até que a disputa fosse decidida. O desfecho veio na quarta-feira.

Os dois pontos ainda em aberto

O caso deixa duas frentes vivas, ambas relevantes para quem acompanha a governança da companhia.

A primeira é a CVM. A Comissão de Valores Mobiliários abriu processo administrativo para apurar se a manifestação pública de apoio da Previ ao candidato Ollie era compatível com as regras de governança de uma empresa sem controlador definido. É uma discussão que pode virar referência sobre os limites de atuação de grandes acionistas.

A segunda envolve as alegações do próprio Gasparino. Segundo apuração do site O Bastidor, ele registrou repúdio e indignação diante da hipótese de reuniões do conselho terem sido gravadas clandestinamente, e defendeu que o episódio fosse apurado. Vale a ressalva de que, conforme o próprio veículo destaca, não há comprovação de que tais gravações existam nem indicação de quem as teria feito. A suspeita surgiu no contexto do vazamento de informações que agora fundamenta a destituição.

O mesmo levantamento aponta que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, chegou a pedir uma reunião urgente com os conselheiros durante a disputa, encontro que causou mal-estar e não ocorreu. A Previ nega motivação política e afirma ter apoiado Ollie por qualificação, experiência internacional e independência, atuando como investidor institucional.

Por que isso importa para o acionista

Numa companhia sem controlador definido, a governança é o mecanismo que substitui a figura do dono. Quando o conselho entra em conflito aberto, com acusação de vazamento, investigação externa e regulador envolvido, o custo não é apenas reputacional: é a incerteza sobre quem define estratégia, política de dividendos e investimentos de longo prazo.

Curiosamente, o mercado reagiu bem à definição. As ações da Vale saltaram no pregão de quarta-feira, impulsionadas pela combinação de produção recorde com o fim da indefinição no comando. Para o investidor, resolver a disputa valeu mais do que o ruído que ela deixou.

O que fica no radar

Três desdobramentos concentram a atenção. O primeiro é a data da assembleia que vai deliberar sobre a destituição de Gasparino, e o resultado dessa votação. O segundo é o andamento do processo da CVM sobre a atuação da Previ. O terceiro, mais concreto para o bolso, é o balanço financeiro completo do segundo trimestre, previsto para 30 de julho, com teleconferência no dia 31.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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