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Meta é processada por usar IA para demitir funcionários doentes, diz ação

26 ex-funcionários processam a Meta por usar IA que teria mirado trabalhadores com deficiência ou em licença médica nas demissões em massa de 2026.

MU
Por Fundador e Editor-chefe
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Meta é processada pela lei antiviés da California por supostamente usar IA para demitir funcionários doentes

Vinte e seis ex-funcionários acusam a dona do Facebook de recorrer a um software de inteligência artificial que teria mirado, de forma desproporcional, trabalhadores com deficiência ou que tiraram licença médica durante a onda de demissões em massa deste ano.

A Meta, empresa de Mark Zuckerberg dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, virou alvo de um processo que promete acender o debate sobre o uso de inteligência artificial nas decisões de recursos humanos. Vinte e seis ex-funcionários entraram com uma ação na Justiça Federal de Oakland, na Califórnia, acusando a companhia de usar um software de IA que teria selecionado para demissão, de maneira desproporcional, pessoas com deficiência ou que se afastaram por motivos de saúde.

Segundo a ação, apresentada na noite de segunda-feira (13), a empresa se apoiou em critérios como produtividade e uso de tokens de IA na hora de cortar milhares de vagas no início do ano. Para os autores, esses parâmetros prejudicaram justamente quem faltou ao trabalho por causa de condições médicas ou para cuidar de familiares.

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O que os ex-funcionários alegam

Os 26 autores entraram com o processo de forma anônima e vêm de seis estados americanos, entre eles Califórnia e Nova York, além do Distrito de Columbia. Eles acusam a Meta de violar leis federais e estaduais que proíbem discriminação ou retaliação contra trabalhadores com deficiência, que tiram licença médica ou que estão grávidas.

Há ainda uma segunda acusação relevante para o próprio setor de tecnologia: a de que a Meta teria deixado de testar seus sistemas de IA contra vieses, o que contraria leis adotadas recentemente na Califórnia e na cidade de Nova York. Essas normas foram criadas exatamente para evitar que algoritmos reproduzam discriminação em processos como contratação e demissão.

Uma corrida contra o relógio

O tempo é peça central nesse caso. Os funcionários foram avisados em maio de que seriam desligados a partir de 22 de julho. Por isso, eles pedem à Justiça uma decisão preliminar que impeça a Meta de concluir as demissões enquanto o mérito da disputa é analisado.

O detalhe jurídico é interessante. Os contratos da Meta obrigam os empregados a resolver conflitos trabalhistas individualmente, por meio de arbitragem privada, e não em ações coletivas. Só que, segundo os autores, essa regra não vale para pedidos de medida urgente, o que abriu a brecha para levar o caso à Justiça comum agora.

Procurada, a Meta não respondeu de imediato aos pedidos de comentário.

O pano de fundo: 8 mil cortes e aposta pesada em IA

O processo se encaixa em um movimento maior. No começo do ano, a Meta anunciou que demitiria 10% da sua força de trabalho global, o equivalente a quase 8 mil pessoas, com os cortes começando em maio e outros previstos para depois. Desde então, Zuckerberg afirmou não esperar novas demissões em toda a empresa neste ano.

As mudanças fazem parte de uma reformulação profunda, à medida que a companhia amplia os investimentos em inteligência artificial e coloca os chamados agentes de IA no centro tanto dos seus produtos quanto da própria forma de trabalhar internamente. O caso, portanto, expõe uma tensão que só tende a crescer: a mesma tecnologia que as empresas dizem que vai transformar o trabalho começa a ser questionada por como decide quem fica e quem sai.

O que fica no radar

A ação contra a Meta é uma das primeiras a mirar diretamente o uso de IA em demissões e pode virar referência para casos parecidos, no exterior e no Brasil. Se a Justiça americana aceitar o pedido de suspensão, a empresa pode ser obrigada a segurar parte dos desligamentos previstos para 22 de julho. Vale acompanhar os próximos passos, porque a decisão pode ajudar a definir até onde as empresas podem ir ao terceirizar para algoritmos uma escolha tão sensível quanto quem perde o emprego.

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