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Por que a Verizon demite de novo mesmo com lucro recorde?

Verizon corta mais centenas de empregos meses após demitir 13 mil e mira US$ 5 bilhões em economia até 2026, com forte avanço da automação por IA.

MU
Por Fundador e Editor-chefe
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Verizon Layoff

Menos de seis meses depois da maior demissão em massa da sua história, quando dispensou 13 mil pessoas, a operadora americana voltou a cortar. A nova rodada atinge algumas centenas de funcionários, com o maior baque na sede em Nova Jersey.

A Verizon, uma das maiores operadoras de telefonia dos Estados Unidos, segue enxugando a folha. A companhia confirmou uma nova leva de demissões que afeta várias centenas de trabalhadores pelo país. O corte vem pouco tempo depois de a empresa fechar a maior redução de quadro da sua história, quando eliminou cerca de 13 mil postos, o equivalente a 20% dos cargos de gestão não sindicalizados.

A empresa não abriu o número exato dessa nova rodada, dizendo apenas que representa menos de 1% do total de funcionários. Uma parte, porém, já ficou documentada: um registro oficial no estado de Nova Jersey confirmou 121 desligamentos na sede da companhia, em Basking Ridge, com efeito a partir de agosto. Somando a esse dado a estimativa da imprensa para o corte nacional, o total apurado até agora fica em torno de 621 posições.

A inteligência artificial entra na conta

Oficialmente, a Verizon afirma que a IA não é a causa direta dessas demissões. Mas os próprios executivos admitem que a automação já mudou o jeito de operar. Na teleconferência de resultados, o presidente-executivo Dan Schulman, ex-comandante do PayPal, destacou que a tecnologia reduziu em até 70% os custos com suporte de fornecedores e elevou em até 40% a produção de código de software.

Schulman também traçou um cronograma. Segundo ele, a empresa espera concluir boa parte da sua estrutura de tecnologia baseada em IA até julho e finalizá-la de vez até novembro. A meta financeira por trás de tudo isso é ambiciosa: o diretor financeiro, Tony Skiadas, confirmou o objetivo de tirar US$ 5 bilhões das despesas operacionais até o fim de 2026, com mais US$ 1 bilhão em sinergias anuais previstas para 2028.

De onde vem a economia

Os cortes de pessoal são o principal motor da economia, mas não o único. A Verizon está mexendo em várias frentes ao mesmo tempo, entre elas a redução de gastos com prestadores de serviço, a desativação da antiga infraestrutura de cabos de cobre e a diminuição do espaço físico ocupado pela empresa.

Tudo isso acontece logo depois de a operadora comprar a Frontier Communications por US$ 20 bilhões, negócio que expandiu sua rede de fibra ótica para 31 estados e quase 30 milhões de pontos de atendimento. A ideia é gerenciar essa rede maior com mais automação e menos gente.

Um corte que não vem da crise

Chama a atenção que os cortes não são reflexo de um mau momento. Pelo contrário: a Verizon acaba de registrar seu primeiro trimestre mais forte em anos. A empresa teve o primeiro saldo positivo de novas linhas de telefonia pós-paga em um primeiro trimestre desde 2013, com ganho líquido de 55 mil assinantes, e o lucro por ação ajustado subiu 7,6% na comparação anual. O Ebitda ajustado bateu recorde trimestral, em US$ 13,4 bilhões.

Segundo a companhia, o movimento é de rebalanceamento, não de encolhimento puro e simples. A empresa diz continuar contratando nas áreas que crescem enquanto reduz onde considera necessário, e afirma que os demitidos podem se candidatar às mais de mil vagas abertas em seu site.

O que fica no radar

A Verizon deixou claro que o corte de custos não termina em 2026 e que a IA vai ganhar espaço cada vez maior na operação. O caso se soma a uma onda de reestruturações no setor de tecnologia e telecomunicações, que já atingiu rivais como a T-Mobile e gigantes como Meta, Amazon e Microsoft. Para o trabalhador do setor, o recado das lideranças é direto: menos gente, mais automação. É uma tendência que vale acompanhar de perto nos próximos meses, aqui e lá fora.

Com informações da Reuters, do Business Insider, do Quartz e da TheStreet.

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