O Banco da Reserva da Nova Zelândia manteve a taxa básica em 2,75% nesta quarta-feira (28), em uma decisão apertada por quatro votos a três. A pausa surpreendeu parte do mercado e mostra como o debate sobre juros continua dividido diante dos riscos para a inflação no país.
Três dirigentes queriam nova alta
Os três votos vencidos defendiam um aumento de 0,25 ponto percentual, que levaria a taxa a 3%. Para esse grupo, a inflação subjacente ainda exige uma resposta mais firme e existe o risco de a alta de preços se tornar mais persistente.
Os quatro dirigentes que votaram pela manutenção preferiram esperar novos dados antes de elevar novamente o custo do dinheiro. O banco central já havia aumentado a taxa nas duas reuniões anteriores.
| Decisão | Resultado |
|---|---|
| Taxa básica | 2,75% ao ano |
| Votos pela manutenção | 4 |
| Votos por alta de 0,25 p.p. | 3 |
| Próximo passo | Depende dos dados |
Por que o banco central esperou
O grupo majoritário avaliou que a inflação recente ficou abaixo do esperado. Também observou que as expectativas de médio prazo e os salários ainda são compatíveis com a volta da inflação ao centro da meta.
Outro motivo foi a fraqueza de partes da demanda doméstica. Consumo das famílias e investimento seguem contidos, o que reduz a pressão sobre preços dentro da economia.
Mesmo assim, a decisão não foi uma sinalização de fim do aperto. Todos os integrantes do comitê concordaram que uma política monetária mais restritiva provavelmente poderá ser necessária. A diferença está no momento da próxima alta.
Economia cresceu mais que o previsto
A atividade da Nova Zelândia continuou em recuperação. O crescimento no segundo trimestre superou a previsão do banco central, sinal de que a economia suporta juros mais altos melhor do que se imaginava.
Os dirigentes favoráveis à alta também citaram o avanço dos fretes e dos custos de transporte internacional. Se esses preços chegarem ao consumidor, podem dificultar a desaceleração da inflação.
Por outro lado, elevar os juros em sequência aumenta o custo de financiamentos e hipotecas. Por isso, a maioria considerou prudente medir primeiro o efeito acumulado das decisões anteriores.
O que muda para os mercados
A manutenção tende a reduzir, no curto prazo, a diferença entre os juros da Nova Zelândia e os de outros países. Isso pode pressionar a moeda local e alterar a procura por títulos do governo neozelandês.
A reação mais duradoura dependerá dos próximos dados de preços, emprego e consumo. Uma inflação mais forte aumentará a chance de alta na reunião seguinte. Dados fracos podem dar mais tempo ao banco central.
A divisão de quatro a três também é importante: ela mostra que basta uma mudança de voto para formar maioria favorável a um novo aumento. Portanto, a taxa ficou parada, mas o ciclo de aperto continua aberto.