A estatal extraiu 3,336 milhões de barris por dia entre abril e junho, o maior volume de sua história. As ações reagiram em alta e o mercado já mira o dividendo do trimestre.
A Petrobras (PETR4) divulgou seu relatório de produção e vendas do segundo trimestre de 2026 e cravou um novo recorde: produção média de 3,336 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed). O número ficou 3,4% acima do primeiro trimestre e 14,1% maior que o registrado um ano antes.
Na prática, é a estatal tirando mais petróleo do pré-sal com a mesma estrutura e ainda colocando novas plataformas para rodar. As ações reagiram: os papéis da companhia operavam em alta de cerca de 2% no pregão desta quarta-feira (29), ajudados também pela recuperação do preço do petróleo lá fora.
O que explica o recorde?
O motor foi Búzios, o maior campo do pré-sal da Bacia de Santos e responsável por perto de metade da produção que cabe à Petrobras. O grande destaque foi a plataforma P-79, oitava unidade do campo, que começou a produzir em 1º de maio, três meses antes do previsto no plano de negócios.

Sozinha, a P-79 tem capacidade para 180 mil barris por dia. Com ela em operação, a capacidade instalada de Búzios saltou para cerca de 1,33 milhão de barris diários e o campo chegou a produzir 1,2 milhão de barris por dia em um único dia de junho.
Outros fatores empurraram o número para cima:
- Avanço das plataformas Maria Quitéria (campo de Jubarte), Alexandre de Gusmão (Mero) e P-78 (também em Búzios).
- Entrada de dez novos poços produtores no trimestre, sendo seis na Bacia de Santos e quatro na Bacia de Campos.
- Ganho de eficiência operacional, que segundo a companhia rendeu 70 mil barris por dia a mais na comparação anual.
A produção própria de petróleo e líquidos de gás natural chegou a 2,689 milhões de barris por dia, alta de 15,2% em um ano.
E o refino, como foi?
Aqui veio outro recorde. O fator de utilização das refinarias, que mede o quanto do parque de refino está sendo usado, atingiu 101,2% no trimestre, a maior marca desde 2014. Em abril e maio, o indicador chegou a 102,5%.
Isso importa porque, com a guerra no Oriente Médio pressionando o petróleo, refinar mais em casa ajuda o Brasil a segurar a oferta de combustíveis e a depender menos de importação.
O que fica no radar
O relatório de produção é só o aperitivo. O prato principal vem em 6 de agosto, quando a Petrobras divulga o balanço financeiro completo, que vai mostrar quanto dessa produção recorde virou lucro e, principalmente, dividendo. O mercado já trabalha com uma distribuição na casa de US$ 2,5 bilhões a US$ 3 bilhões para o trimestre. Vale a pena acompanhar o que o mercado espera de proventos da Petrobras no 2T26.
Para o acionista, produção em alta e refino no talo são bons sinais antes do balanço. Mas é o número final de caixa que vai dizer se o dividendo mantém a Petrobras entre as queridinhas de quem investe pensando em renda.