A estatal abre nesta terça a temporada de números do 2º trimestre com o relatório de produção, e o mercado já aposta em lucro em forte alta e num novo cheque gordo de dividendos. Veja o que observar.
A Petrobras (PETR4) entra no foco dos investidores nesta terça-feira (28), quando divulga, após o fechamento do mercado, o relatório de produção e vendas do segundo trimestre de 2026. O documento funciona como uma prévia e um aperitivo do prato principal: o balanço financeiro completo, marcado para 6 de agosto.
A expectativa é alta. Bancos como Santander e BTG Pactual projetam um trimestre de forte aceleração, com o setor de petróleo e gás se destacando de forma positiva na temporada de resultados. Veja o que está no radar em três frentes que interessam a quem investe na estatal.
O que esperar da produção?
Esse é o número que sai primeiro, ainda hoje. A leitura dos analistas é otimista: a produção da Petrobras vem se mantendo próxima ou acima do teto das estimativas para 2026, sustentada pelo pré-sal e pela entrada de novas plataformas.
O Santander espera um "forte desempenho" da área de exploração e produção, apoiado tanto pela boa execução operacional quanto pela alta dos preços do petróleo. Para o banco, Petrobras e a concorrente Prio (PRIO3) devem ser os principais destaques do setor no trimestre. Vale lembrar que o relatório desta terça traz apenas os dados operacionais, e não deve incluir anúncio de dividendos, que fica para o balanço de agosto.
Lucro e Ebitda vão saltar?
É o que o mercado aposta. O grande motor do trimestre é o petróleo. A disparada dos preços da commodity após a intensificação das tensões no Oriente Médio não tinha sido totalmente capturada no primeiro trimestre, e a expectativa é que esse efeito apareça com força agora, sobretudo nas exportações.
As projeções são robustas. O BTG estima que o Ebitda ajustado e o lucro líquido da estatal mais do que dobrem na comparação com o mesmo período de 2025, chegando a cerca de US$ 18,9 bilhões e US$ 9,5 bilhões, respectivamente. Para efeito de comparação, no primeiro trimestre a companhia já havia lucrado R$ 32,663 bilhões. Esse cenário se apoia num pano de fundo de petróleo pressionado por risco geopolítico, que vem movendo as ações da estatal, como quando a Petrobras superou os R$ 40 por ação na esteira da commodity em alta.
E os dividendos, a estrela do show?
Para o investidor de renda, essa é a pergunta que vale bilhões. O anúncio oficial só virá com o balanço, em 6 de agosto, mas as estimativas já circulam: o BTG projeta um fluxo de caixa ao acionista de cerca de US$ 2,6 bilhões no trimestre e calcula que a Petrobras deve anunciar aproximadamente US$ 2,5 bilhões em novos dividendos. Para 2026, o banco estima um dividend yield próximo de 10%, com potencial de chegar a 14% em 2027.
Só que há um detalhe importante que mudou o jogo. A nova política de remuneração da companhia reduziu o percentual distribuído de 60% para 45% do fluxo de caixa livre, o que limita o tamanho dos proventos mesmo em trimestres fortes. Para quem quer entender como esses repasses funcionam e por que a estatal costuma misturar dividendos e juros sobre capital próprio, vale conferir a diferença entre JCP e dividendos.
Quais os riscos por trás do otimismo?
Nem tudo é céu de brigadeiro, e o investidor precisa dosar a empolgação. A Petrobras atua num setor cíclico e sensível a choques externos, e o próprio motor do trimestre, o petróleo caro, pode se reverter: um eventual desfecho para os conflitos no Oriente Médio traria de volta o cenário de excesso de oferta e preços mais baixos.
Há ainda os riscos clássicos da estatal: a possibilidade de ingerência do governo em preços e investimentos, e a proximidade do ciclo eleitoral de 2026, período que historicamente aumenta a volatilidade das ações. Alguns analistas também demonstram desconforto com a aceleração de investimentos e despesas, questionando a sustentabilidade dos resultados no longo prazo.
O que fica no radar é uma sequência clara: os números de produção saem hoje e dão o tom, mas o veredito de verdade, com lucro, caixa e o tamanho do dividendo, só chega em 6 de agosto. Até lá, o petróleo e o câmbio seguem como as variáveis que mais podem mexer com o humor em torno do papel.