Ele passou os primeiros 30 anos de vida sem poder usar o próprio sobrenome. Hoje, aos 81 anos, é o segundo maior acionista da Ferrari, com uma fortuna estimada em US$ 7 bilhões, cerca de R$ 36 bilhões.
Piero Ferrari é o único filho vivo de Enzo Ferrari, fundador da montadora italiana, e dono de cerca de 10,5% da Ferrari N.V., a empresa listada na Bolsa de Nova York sob o ticker RACE. É vice-presidente do conselho desde 1988, ano em que herdou a participação do pai e nunca vendeu uma ação sequer.
A história dele, porém, é tudo menos a de um herdeiro comum. Piero nasceu de uma relação que precisou ficar em segredo por décadas, trabalhou na fábrica sob outro nome e só foi reconhecido como Ferrari depois dos 30 anos.
O filho que a Itália não deixava existir
Piero nasceu em 22 de maio de 1945, na região de Módena, fruto da relação de Enzo Ferrari com Lina Lardi, com quem o fundador manteve um relacionamento paralelo ao casamento até o fim da vida. Como o divórcio era proibido na Itália até a década de 1970, Enzo não podia reconhecer o filho — e Piero cresceu como Piero Lardi, com o sobrenome da mãe.
O reconhecimento só veio depois da morte de Laura, esposa de Enzo, em 1978. Em 1990, ele mudou legalmente o nome para Piero Ferrari.
Há ainda outro capítulo doloroso nessa história: Dino, o primeiro filho de Enzo, morreu em 1956, aos 24 anos, vítima de distrofia muscular de Duchenne. Com a morte do meio-irmão, Piero se tornou o único herdeiro direto do fundador.
Da tradução de cartas ao F40
Piero entrou na empresa pela porta dos fundos, por volta de 1969, traduzindo correspondências em inglês para o pai. Formado em Engenharia Mecânica, foi assumindo funções técnicas nos anos 1970 — ainda assinando Lardi, para não levantar suspeitas dentro da fábrica.
Com o tempo, participou do desenvolvimento de alguns dos modelos mais celebrados da marca, como o F40, o F50 e o LaFerrari. Quando Enzo morreu, em 1988, Piero herdou 10% da empresa e a propriedade do circuito de Fiorano, a pista de testes da Ferrari em Maranello — e assumiu a vice-presidência que ocupa até hoje, conforme registra o conselho de administração da Ferrari.
Quanto vale a fortuna de Piero Ferrari
A resposta muda com o pregão. A maior parte do patrimônio dele é a participação na Ferrari N.V., avaliada em cerca de US$ 66 bilhões em julho de 2026. A Forbes estimava a fortuna de Piero e família em US$ 7 bilhões em maio de 2026 — na cotação atual do dólar, cerca de R$ 36 bilhões. Antes da queda recente da ação, estimativas chegaram a US$ 9 bilhões.
A referência de comparação mostra o tamanho da valorização: no IPO da Ferrari, em outubro de 2015, a fatia de Piero valia US$ 1,1 bilhão. Em uma década, multiplicou por mais de seis vezes.
| Dado | Informação |
|---|---|
| Nome completo | Piero Lardi Ferrari |
| Nascimento | 22 de maio de 1945 (81 anos) |
| Cargo | Vice-presidente do conselho da Ferrari N.V. |
| Participação | cerca de 10,5% da Ferrari (RACE) |
| Fortuna estimada | US$ 7 bilhões (Forbes, maio de 2026) |
| Outros negócios | HPE Coxa (engenharia) e participação na Ferretti (iates) |
| Herdeiros | filha Antonella e os netos Enzo e Piero |
O ano de 2026, porém, tem sido de turbulência para o patrimônio. Em outubro de 2025, a ação da Ferrari teve o pior pregão da história, com queda de cerca de 15%, depois que a empresa reduziu a meta de carros elétricos de 40% para 20% das vendas até 2030. Em 12 meses, o papel acumula queda perto de 28% e a fortuna de Piero encolheu junto. A primeira Ferrari elétrica, a Elettrica, começa a ser entregue no fim de 2026.
Os negócios fora de Maranello
Piero não vive só de dividendos. Em 1998, fundou a HPE, empresa de engenharia de alta performance em Módena, que preside até hoje, em 2009, ela incorporou a Coxa, especializada em manufatura de precisão, formando a HPE Coxa, que presta serviços para o setor automotivo e além.
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Em 2016, ele também entrou no capital do Grupo Ferretti, um dos maiores fabricantes de iates de luxo do mundo, com uma fatia inicial de 13,2%, depois diluída com a abertura de capital da companhia.
Quem fica com as ações depois dele
Essa é a pergunta que o mercado se faz há anos — afinal, 10% da Ferrari é uma posição capaz de influenciar o controle da companhia, ao lado dos cerca de 20% da Exor, holding da família Agnelli.
Piero respondeu em dezembro de 2022: segundo a Reuters, ele transferiu a participação para um trust familiar, com o objetivo declarado de manter o bloco de ações unido na próxima geração. Os beneficiários são a filha, Antonella Ferrari, e os netos Enzo Mattioli Ferrari e Piero Galassi Ferrari. Em vida, Piero mantém o controle de voto das ações.
Na vida pessoal, é casado com a romena Romina Gingasu. Antonella, sua única filha, nasceu do relacionamento anterior com Floriana Nalin.
Perguntas rápidas sobre Piero Ferrari
Qual é o patrimônio de Piero Ferrari?
A Forbes estimava a fortuna de Piero Ferrari e família em US$ 7 bilhões em maio de 2026, o equivalente a cerca de R$ 36 bilhões. O valor oscila com a ação da Ferrari (RACE), que responde pela maior parte do patrimônio.
Piero Ferrari é filho legítimo de Enzo Ferrari?
Sim, mas o reconhecimento demorou. Filho de Enzo com Lina Lardi, ele cresceu com o sobrenome da mãe porque o divórcio era ilegal na Itália. Só pôde ser reconhecido após a morte da esposa de Enzo, em 1978, e adotou legalmente o sobrenome Ferrari em 1990.
Quem vai herdar a parte de Piero Ferrari na empresa?
A participação de cerca de 10% está num trust familiar criado em 2022. Os beneficiários são a filha Antonella e os netos Enzo Mattioli Ferrari e Piero Galassi Ferrari. Enquanto viver, Piero mantém o controle de voto.
Piero Ferrari ainda trabalha na Ferrari?
Sim. Aos 81 anos, segue como vice-presidente do conselho de administração da Ferrari N.V., cargo que ocupa desde a morte do pai, em 1988, e é presença constante nos eventos da marca e da Fórmula 1.
O que fica no radar
O nome de Piero Ferrari deve voltar ao noticiário em dois momentos: nas entregas da Ferrari Elettrica, no fim de 2026, que testam a tese que derrubou a ação — e em qualquer sinal sobre a transição do trust para a nova geração, que definirá o futuro do único bloco acionário que ainda carrega o sobrenome do fundador.
Com informações de Forbes, Bloomberg e Reuters.