Saída surpresa do presidente do conselho da mineradora e ataques perto do Estreito de Ormuz ditaram o rumo do mercado; Petrobras foi na direção contrária.
O mercado financeiro brasileiro viveu um pregão de pressão nesta terça-feira (7). O Ibovespa fechou em queda de 0,25%, aos 172.020 pontos, interrompendo a tentativa de retomada dos últimos dias, enquanto o dólar futuro voltou a subir e encerrou o dia cotado perto de R$ 5,18.
Dois nomes explicam boa parte do movimento: Vale e petróleo.
O tombo da Vale
As ações da mineradora (vale3" class="text-brand-600 hover:text-brand-500 hover:underline font-medium">VALE3) caíram 2,04% e foram o principal peso negativo do índice. A queda combinou dois fatores: o recuo dos contratos futuros de minério de ferro na China e a notícia de que Daniel André Stieler renunciou, com efeito imediato, aos cargos de membro e presidente do conselho de administração da companhia.
Mudanças abruptas na cúpula da Vale costumam acender o sinal amarelo entre investidores, que ficam atentos a possíveis disputas de governança na maior mineradora do país.
Petrobras na contramão, puxada pelo petróleo
Enquanto a Vale afundava, a Petrobras segurou o índice. As ações preferenciais (PETR4) subiram 1,77% e as ordinárias (PETR3) avançaram 2,65%, acompanhando a disparada do petróleo no exterior.
O gatilho veio do Oriente Médio: relatos de ataques a embarcações perto do Estreito de Ormuz rota por onde passa parcela crucial do petróleo mundial reacenderam o temor de interrupção no transporte marítimo de energia. O barril fechou o pregão regular em alta de quase 3% e chegou a disparar 5% no eletrônico.
A estatal também anunciou a assinatura de um termo de conciliação com a ANP para adequar 335 poços marítimos às normas de segurança operacional.
Dólar sobe e bancos recuam
O dólar futuro para agosto, contrato mais negociado na B3, subiu 0,52%, aos R$ 5,1845, devolvendo parte da queda recente — na segunda-feira, a moeda havia furado o piso de R$ 5,15 e atingido o menor nível desde meados de junho.
No setor financeiro, o tom foi negativo: o Itaú Unibanco (itub4">ITUB4) recuou 0,31% e o índice do setor caiu 0,55%. A MRV (MRVE3) despencou 3,2% à espera da prévia operacional.
O que fica no radar
O cenário externo segue mandando no jogo. Wall Street foi pressionada pelo setor de tecnologia, com investidores digerindo os resultados da Samsung e a notícia de que a chinesa DeepSeek desenvolve seu próprio chip de inteligência artificial. Já a tensão entre Estados Unidos e Irã continua sendo o principal risco para petróleo, inflação e juros globais — e, por tabela, para a bolsa brasileira.