Os credores da Raízen definiram nomes que deverão representá-los nos conselhos das duas companhias previstas na reorganização do grupo, segundo informação publicada pelo Valor Econômico e repercutida nesta segunda-feira. A escolha faz parte da implementação da recuperação extrajudicial, mas ainda não significa que toda a nova estrutura societária esteja concluída.
Uma companhia deverá concentrar o negócio de distribuição de combustíveis. A outra reunirá açúcar, etanol e bioenergia. A separação está vinculada à conversão de parte da dívida em participação acionária e à entrada dos credores na governança dos ativos.
Quem foi indicado
Segundo a reportagem, Paulo Figueiredo, da Geribá Investimentos, e Samuel Aguirre, da FTI Consulting, foram escolhidos para representar os credores no conselho da empresa de combustíveis.
Para o negócio de açúcar, etanol e bioenergia, os nomes indicados seriam Nelson Oliveira, também da Geribá, e Mário Peixoto, da Makalu Partners. Como a informação foi atribuída a fontes anônimas, as indicações ainda precisam ser formalizadas em documentos societários. O tratamento correto, neste momento, é de nomes escolhidos ou indicados, não de conselheiros empossados.
Conversão da dívida muda o controle
O plano prevê que 45% da dívida reestruturada seja convertida em ações. Os 55% restantes deverão ser reperfilados, com mudanças de prazo e condições de pagamento.
Os credores que receberem participação passarão a ter influência sobre as empresas resultantes. Por isso, a composição dos conselhos é relevante: esses colegiados acompanharão estratégia, orçamento, venda de ativos, investimentos e execução do plano.
A Justiça já homologou a recuperação extrajudicial da Raízen. A homologação deu respaldo ao acordo, mas sua execução depende de atos societários e transferências ainda em andamento.
Aportes previstos
O desenho divulgado inclui aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e possibilidade de R$ 500 milhões adicionais pela Aguassanta, holding ligada a Rubens Ometto. Os valores não devem ser confundidos com redução imediata da dívida no mesmo montante.
A mudança na estrutura de capital também não resolve automaticamente os desafios operacionais. Geração de caixa, margens dos combustíveis, preços do açúcar e do etanol e disciplina de investimentos continuarão determinando o desempenho.
Venda de ativos reforçou o caixa
A Raízen concluiu a venda de suas operações na Argentina por valor econômico de US$ 1,42 bilhão. O número incluiu dinheiro e assunção de dívida pela compradora.
Também concluiu a venda da Usina Caarapó para a Adecoagro. Os efeitos finais dos desinvestimentos deverão aparecer nos próximos balanços.
O que falta acontecer
Os próximos documentos deverão esclarecer a composição definitiva dos conselhos, o percentual entregue a cada grupo de credores e o cronograma da separação. Para os acionistas de RAIZ4, o processo envolve diluição e mudança profunda no controle econômico dos ativos. Esta matéria é informativa e não recomenda negociar as ações.