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Sabesp (SBSP3) perde R$ 17 bilhões, mas Itaú BBA ainda vê alta de 39%

Sabesp (SBSP3) perdeu cerca de R$ 17,5 bilhões em valor de mercado após o balanço, mas Itaú BBA mantém compra e vê potencial de 39%.

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Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em
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Sabesp (SBSP3) perde R$ 17 bi, mas Itaú BBA vê alta de 39%

Ações sofreram forte correção depois do balanço do segundo trimestre; banco corta preço-alvo de R$ 34 para R$ 33,10, mas mantém recomendação de compra.

A Sabesp (SBSP3) perdeu aproximadamente R$ 17,5 bilhões em valor de mercado após a forte correção das ações nas últimas semanas, mas o Itaú BBA acredita que a Bolsa pode ter exagerado na punição à companhia.

Em relatório repercutido nesta segunda-feira, 24 de agosto de 2026, o banco reduziu seu preço-alvo para SBSP3 de R$ 34 para R$ 33,10.

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Mesmo com o corte, o novo valor representa um potencial de valorização de aproximadamente 39% em relação ao fechamento da última sexta-feira.

O Itaú BBA também manteve sua recomendação de compra para as ações.

Por volta das 14h36 desta segunda-feira, SBSP3 reagia e subia aproximadamente 1,43%, negociada a R$ 24,09.

A grande discussão agora é simples:

a Sabesp realmente perdeu R$ 17 bilhões em valor ou o mercado está precificando problemas maiores do que os fundamentos justificam?

Por que SBSP3 caiu tanto?

A virada negativa começou principalmente depois do balanço do segundo trimestre de 2026.

Embora alguns números tenham vindo próximos das expectativas, investidores ficaram preocupados com três pontos:

  • custos operacionais maiores;
  • captura de eficiência mais lenta;
  • ritmo de investimentos abaixo de algumas expectativas de curto prazo.

O resultado foi uma forte venda das ações.

No primeiro pregão após o balanço, em 13 de agosto, SBSP3 chegou a cair mais de 8% durante a sessão.

A pressão continuou nos pregões seguintes e reduziu fortemente o valor de mercado da companhia.

R$ 17,5 bilhões desapareceram da Bolsa

É justamente aqui que o Itaú BBA vê uma possível distorção.

Segundo os cálculos do banco, a correção eliminou aproximadamente R$ 17,5 bilhões do valor de mercado da Sabesp.

Só que, ao revisar suas próprias premissas para custos e eficiência, o BBA calcula uma destruição de valor econômico próxima de R$ 3,3 bilhões.

A diferença é enorme.

Em outras palavras, o mercado retirou mais de cinco vezes o valor que o banco estima ter sido efetivamente comprometido pelas mudanças nas projeções.

É exatamente essa assimetria que sustenta a manutenção da recomendação de compra.

O problema dos R$ 800 milhões

Um dos principais pontos da discussão envolve aproximadamente R$ 800 milhões em despesas adicionais.

À primeira vista, o número assusta.

Mas o Itaú BBA argumenta que nem todo esse valor deveria permanecer estruturalmente na base de custos da Sabesp.

Segundo o banco, apenas cerca de 20% a 25% do pacote de R$ 800 milhões deve continuar como despesa recorrente no longo prazo.

Isso significaria um impacto anual mais próximo de R$ 170 milhões a R$ 200 milhões.

Se essa leitura estiver correta, parte importante dos custos que assustaram investidores seria temporária.

O que aconteceu no balanço da Sabesp?

A Sabesp registrou lucro líquido contábil de R$ 1,46 bilhão no segundo trimestre de 2026.

O resultado representou queda de aproximadamente 31,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O lucro líquido ajustado ficou em aproximadamente R$ 1,15 bilhão, recuo de 41,2%.

Já o Ebitda ajustado alcançou cerca de R$ 3,5 bilhões, uma redução de 3,2% na comparação anual.

A receita, porém, continuou crescendo.

A receita líquida total chegou a aproximadamente R$ 10,2 bilhões, avanço de 13,9% sobre o segundo trimestre de 2025.

Portanto, a principal preocupação não foi uma queda abrupta do faturamento.

Foi a rentabilidade.

Custos cresceram mais rápido

Os custos e despesas operacionais avançaram aproximadamente 24,5% no trimestre.

Entre as razões estiveram investimentos na modernização do atendimento, efeitos inflacionários sobre insumos químicos e outras despesas operacionais.

A XP também chamou atenção para custos variáveis acima de suas estimativas.

Segundo a casa, o Ebitda ajustado de aproximadamente R$ 3,5 bilhões ficou cerca de 7% abaixo de sua projeção, pressionado também por despesas operacionais e inadimplência maiores.

A margem Ebitda ajustada caiu para aproximadamente 58%, recuo de 5,9 pontos percentuais.

Foi esse conjunto que provocou a forte reação do mercado.

Dívida da Sabesp chega a R$ 34 bilhões

Existe ainda outro ponto importante na equação.

A Sabesp encerrou junho com aproximadamente R$ 34 bilhões em dívida líquida.

Um ano antes, eram cerca de R$ 23 bilhões.

A relação entre dívida líquida e Ebitda chegou a 2,5 vezes.

O aumento do endividamento não acontece por acaso.

A companhia está acelerando investimentos de infraestrutura para cumprir suas metas de universalização do saneamento.

No primeiro semestre de 2026, os investimentos chegaram a aproximadamente R$ 7,5 bilhões, avanço de 15,6%.

A meta da empresa é investir aproximadamente R$ 20 bilhões ao longo de 2026.

Isso significa gastar muito dinheiro agora para tentar ampliar a operação e colher os benefícios nos próximos anos.

Universalização até 2029 é o grande projeto

A transformação da Sabesp gira principalmente em torno das metas de universalização de água e esgoto no Estado de São Paulo.

A companhia atende atualmente 376 municípios, fornecendo água a cerca de 30,6 milhões de pessoas e coleta de esgoto a aproximadamente 27,7 milhões.

A estratégia envolve investimentos bilionários até 2029.

É justamente por isso que o mercado acompanha tão de perto a execução do capex.

Se a Sabesp conseguir transformar esses investimentos em expansão da base atendida, eficiência e geração de caixa futura, a tese pode continuar funcionando.

Se os custos crescerem sem o retorno esperado, o cenário muda.

Itaú BBA acredita que mercado exagerou

Essa é a principal conclusão do relatório divulgado nesta segunda-feira.

O banco reconhece que as projeções de curto prazo pioraram.

Mas considera que a reação da ação foi grande demais diante da magnitude das alterações fundamentais.

O preço-alvo caiu apenas de R$ 34 para R$ 33,10.

Enquanto isso, o mercado eliminou aproximadamente R$ 17,5 bilhões do valor da companhia.

Para o BBA, o sell-off parece incorporar uma deterioração de rentabilidade e execução muito mais persistente do que aquela presente em suas próprias projeções.

Quanto SBSP3 teria que subir?

O preço-alvo de R$ 33,10 implica valorização próxima de 39% sobre o fechamento da última sexta-feira utilizado pelo Itaú BBA como referência.

Isso não significa que a ação irá atingir esse valor.

Preço-alvo é uma estimativa produzida a partir das premissas adotadas pelos analistas.

Se custos, investimentos, tarifas ou eficiência operacional evoluírem de forma diferente do esperado, o valuation também muda.

A recomendação é do Itaú BBA e não representa recomendação de investimento do Analistas.

Outros bancos também continuam otimistas

O Itaú BBA não é a única casa que ainda vê valor em SBSP3.

A XP, por exemplo, manteve recomendação de compra após os resultados e trabalhava com preço-alvo de R$ 38,30 para o final de 2026.

Já o Banco Safra também manteve visão positiva mesmo reconhecendo que o segundo trimestre apresentou pressão de custos e inadimplência.

Segundo o Safra, parte dos problemas observados no período possui caráter não recorrente e a tese de transformação operacional permanece de pé.

O consenso não elimina os riscos, mas mostra que a recente queda das ações abriu uma discussão importante sobre valuation.

A Sabesp ficou barata ou o mercado percebeu algo antes?

Esse é provavelmente o ponto central para quem acompanha SBSP3 agora.

Existem duas leituras.

Na primeira, o mercado exagerou.

Custos temporariamente elevados e ajustes na execução levaram investidores a precificar uma deterioração muito maior do que realmente ocorreu.

Essa é, essencialmente, a leitura do Itaú BBA.

Na segunda, a Bolsa está cobrando uma prova de que a transformação prometida depois da privatização será capaz de entregar eficiência suficiente para justificar os investimentos e o aumento da dívida.

E essa prova ainda precisa aparecer nos próximos balanços.

O que observar em SBSP3 agora?

Cinco indicadores devem ganhar ainda mais importância:

  1. evolução dos custos operacionais;
  2. redução das despesas consideradas não recorrentes;
  3. ritmo do capex;
  4. crescimento da dívida líquida;
  5. recuperação das margens.

Também será fundamental acompanhar se os investimentos começam efetivamente a produzir ganhos de eficiência.

A Sabesp está executando uma das maiores transformações de infraestrutura do país.

Por isso, pequenas mudanças nas premissas de eficiência possuem impactos bilionários no valuation.

Nesta segunda-feira, porém, o Itaú BBA colocou um número muito claro nessa discussão.

O banco calcula aproximadamente R$ 3,3 bilhões de perda econômica em suas novas premissas.

A Bolsa retirou cerca de R$ 17,5 bilhões.

Se essa diferença estiver exagerada, SBSP3 pode ter espaço relevante para recuperação.

Se o mercado estiver certo em antecipar problemas mais persistentes, os próximos resultados precisarão mostrar isso.

É essa disputa de narrativas que deve definir os próximos movimentos da ação.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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