PETR3 e PETR4 aparecem entre as maiores pressões do Ibovespa nesta segunda-feira; Brava, Prio e PetroReconcavo também recuam enquanto Brent perde força no exterior.
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) operam em forte queda nesta segunda-feira, 24 de agosto, em um pregão marcado por pressão sobre praticamente todo o setor de petróleo da B3.
Por volta do fim da manhã, PETR3 caía cerca de 3,6%, enquanto PETR4 recuava aproximadamente 3,2% em bases ajustadas, figurando entre os papéis que mais pressionavam o Ibovespa. A Brava Energia (BRAV3), Prio (PRIO3) e PetroReconcavo (RECV3) também negociavam em baixa.
Há, porém, um detalhe importante para quem olha apenas o gráfico da Petrobras nesta segunda-feira: as ações começaram hoje a ser negociadas ex-direitos aos R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio aprovados pela estatal.
Ou seja, a leitura da queda exige separar o efeito do petróleo do ajuste relacionado aos proventos.
Por que PETR4 está caindo hoje?
O principal fator de mercado é a queda do petróleo no exterior.
Os contratos futuros do Brent, referência internacional utilizada pela Petrobras, recuavam mais de 1% nesta segunda-feira, enquanto investidores realizavam lucros depois das altas recentes e aguardavam novas sanções dos Estados Unidos contra o Irã.
Por volta das 13h16 no horário de Londres, o Brent caía US$ 1,01, ou 1,1%, para US$ 93,38 por barril. Já o WTI recuava 1,6%, para US$ 85,64.
A queda ocorre depois de duas semanas consecutivas de valorização da commodity.
O petróleo havia subido mais de 5% na semana anterior diante das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã e das restrições ao fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
O Analistas já mostrou por que o Estreito de Ormuz se tornou tão importante para o preço do petróleo e para o bolso do brasileiro.
PETR4 está ex-dividendos nesta segunda-feira
Além do petróleo, existe um fator técnico importante no pregão.
A Petrobras aprovou recentemente R$ 17,4 bilhões em remuneração aos acionistas, equivalentes a R$ 1,34814262 por ação ordinária ou preferencial.
A data-base foi sexta-feira, 21 de agosto.
A partir desta segunda-feira, 24, PETR3 e PETR4 passaram a ser negociadas ex-direitos.
Isso significa que quem comprar as ações a partir de hoje não terá direito a esses R$ 1,34814262 por ação.
Por isso, é normal haver também um ajuste no preço de referência do papel quando uma ação passa a ser negociada ex-proventos.
Esse detalhe ajuda inclusive a explicar por que diferentes plataformas podem apresentar percentuais distintos de queda para PETR4 nesta segunda-feira.
Dados históricos do Investing.com, por exemplo, mostravam PETR4 perto de R$ 41,86, ante fechamento de R$ 44,30 na sexta-feira, uma variação bruta de aproximadamente 5,5%. Já provedores que consideram ajustes relacionados aos proventos mostravam uma perda próxima de 3%.
Portanto, olhar apenas para a variação bruta sem considerar a data ex pode dar uma impressão exagerada da queda econômica efetiva da ação.
Quanto a Petrobras vai pagar por ação?
A remuneração aprovada totaliza R$ 1,34814262 por ação.
O pagamento será dividido em duas parcelas.
A primeira será de R$ 0,67407131 por ação, paga em 23 de novembro de 2026 integralmente como juros sobre capital próprio.
A segunda, também de R$ 0,67407131 por ação, será paga em 21 de dezembro.
Dessa segunda parcela:
- R$ 0,47156696 serão pagos como dividendos;
- R$ 0,20250435 serão pagos como juros sobre capital próprio.
Os valores de JCP estarão sujeitos à tributação prevista na legislação vigente.
O Analistas já vinha acompanhando essa distribuição quando mostrou que o mercado esperava bilhões de dólares em dividendos da Petrobras referentes ao segundo trimestre.
Outras petroleiras também caem
A pressão não está concentrada apenas na Petrobras.
No mesmo horário em que PETR3 e PETR4 figuravam entre as principais quedas do Ibovespa, outras empresas do setor também recuavam.
A Brava Energia (BRAV3) perdia cerca de 2,7%.
A Prio (PRIO3) recuava aproximadamente 2,2%.
Já a PetroReconcavo (RECV3) também registrava queda próxima de 2,2%.
O movimento conjunto reforça que o preço internacional do petróleo é um dos principais fatores por trás da pressão vista no setor nesta segunda-feira.
O que está acontecendo com o Irã?
O mercado também acompanha uma nova etapa das tensões entre Estados Unidos e Irã.
O governo americano prepara uma ampliação das sanções secundárias contra entidades e países que mantêm relações comerciais com Teerã.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, prometeu detalhar uma ofensiva econômica que o governo Donald Trump descreveu como um “Dia D econômico” contra o Irã.
As medidas têm como objetivo pressionar países e empresas a reduzir relações comerciais com Teerã sob o risco de sofrer restrições no sistema financeiro baseado no dólar.
A situação cria uma aparente contradição.
Novas sanções contra o Irã podem reduzir a oferta de petróleo e, teoricamente, pressionar os preços para cima.
Mesmo assim, o petróleo cai nesta segunda-feira porque investidores realizam lucros após a valorização recente e aguardam os detalhes das medidas americanas.
Petrobras continua produzindo em nível recorde
A queda diária das ações ocorre apesar de um cenário operacional bastante forte para a estatal.
No segundo trimestre de 2026, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, alta de 97% na comparação anual.
A companhia também destacou recordes nos segmentos de exploração, produção e refino.
O Analistas mostrou recentemente que a Petrobras bateu recorde de produção no segundo trimestre, impulsionada principalmente pelo campo de Búzios.
A produção própria de petróleo e gás chegou a 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia, crescimento de 14% em 12 meses.
Isso ajuda a explicar por que a companhia conseguiu apresentar resultados fortes mesmo em um ambiente internacional extremamente volátil.
O petróleo ainda é decisivo para PETR4?
Sim.
Mesmo com ganhos de eficiência e recordes de produção, a cotação internacional do petróleo continua sendo uma variável central para a geração de caixa da Petrobras.
Quando o Brent sobe, cada barril produzido pela companhia tende, em termos gerais, a gerar mais receita.
Quando o Brent cai, acontece o movimento contrário.
Foi justamente a combinação entre produção elevada e preços fortes do petróleo que ajudou a Petrobras no segundo trimestre.
A própria companhia afirmou que o aumento da produção, combinado ao Brent mais alto, fortaleceu sua geração de caixa.
Essa relação já ficou evidente em outros pregões. Em julho, o Analistas mostrou como a Petrobras ultrapassou R$ 40 por ação em meio à alta do petróleo e às tensões no Estreito de Ormuz.
Braskem também entra no radar
Além do petróleo, outro assunto corporativo pode continuar no radar dos investidores da Petrobras.
A estatal é uma acionista relevante da Braskem, que nesta segunda-feira protocolou um pedido de recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras.
O Analistas mostrou hoje que a Braskem (BRKM5) pediu recuperação extrajudicial e será retirada do Ibovespa.
Embora os eventos tenham impactos distintos, a evolução da situação da petroquímica também é acompanhada por investidores da Petrobras devido à participação da estatal na companhia.
O que observar agora em PETR4?
Para os próximos pregões, quatro fatores devem permanecer no radar:
- o preço do petróleo Brent;
- os detalhes das novas sanções dos Estados Unidos ao Irã;
- o comportamento do fluxo estrangeiro na B3;
- a reação de PETR3 e PETR4 depois do ajuste da data ex-dividendos.
A segunda-feira reúne, portanto, dois efeitos diferentes sobre PETR4.
De um lado, existe a pressão real da queda do petróleo, que atinge também outras petroleiras.
Do outro, há o efeito técnico da entrada das ações em negociação ex-direitos aos R$ 17,4 bilhões em proventos.
Essa distinção é fundamental para entender por que a Petrobras aparece entre as maiores quedas do pregão sem concluir automaticamente que todo o movimento representa uma perda equivalente no valor econômico do investimento.