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Shein perde US$ 99 milhões e chega pressionada ao IPO em Hong Kong

Shein registra prejuízo de US$ 99 milhões, vendas caem nos EUA e empresa chega pressionada ao aguardado IPO em Hong Kong.

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Por Fundador e Editor-chefe
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Marca Shein aparece ao lado de pacotes de encomendas e gráfico de queda, em referência ao prejuízo da empresa antes do IPO em Hong Kong
Ilustração mostra a Shein em meio a pacotes e um gráfico de queda, em referência ao prejuízo de US$ 99 milhões registrado antes do IPO em Hong Kong. Imagem criada com IA para o portal Analistas.com.br.

A Shein registrou prejuízo líquido de US$ 99 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o lucro de US$ 395 milhões obtido no mesmo período do ano passado.

Os números foram revelados no prospecto preliminar apresentado pela varejista à Bolsa de Hong Kong, onde a companhia pretende realizar sua oferta pública inicial de ações, o IPO.

Embora uma despesa contábil tenha sido determinante para o prejuízo, os dados também mostram uma desaceleração real da operação: a receita praticamente parou de crescer e o lucro operacional recuou.

Receita da Shein cresce apenas 1,1%

A receita líquida da Shein avançou de US$ 8,95 bilhões para US$ 9,05 bilhões no primeiro trimestre, crescimento de apenas 1,1%.

O resultado contrasta com o ritmo apresentado nos anos anteriores. Entre 2023 e 2025, a receita anual da companhia cresceu a uma taxa média de 14,2%, chegando a US$ 41,85 bilhões no ano passado.

Indicador 1º tri de 2025 1º tri de 2026 Variação
Receita líquida US$ 8,95 bilhões US$ 9,05 bilhões +1,1%
Receita nos Estados Unidos US$ 2,38 bilhões US$ 2,04 bilhões -14,3%
Lucro operacional US$ 349 milhões US$ 258 milhões -26,1%
Margem operacional 3,9% 2,9% -1 ponto percentual
Resultado líquido US$ 395 milhões -US$ 99 milhões Reversão para prejuízo

Os dados constam do documento preliminar entregue pela própria companhia à bolsa de Hong Kong.

Prejuízo não foi apenas operacional

O prejuízo líquido foi influenciado por uma despesa de US$ 328 milhões, sem efeito imediato sobre o caixa, relacionada à variação do valor justo de ações preferenciais conversíveis.

Esses papéis pertencem a investidores da Shein e devem ser convertidos em ações ordinárias após a abertura de capital.

O efeito contábil ajuda a explicar por que a companhia saiu de um lucro de US$ 395 milhões para o prejuízo. Entretanto, ele não elimina a piora operacional.

O lucro operacional caiu 26%, para US$ 258 milhões, enquanto a margem recuou de 3,9% para apenas 2,9%. Isso indica que custos de marketing, logística, tarifas e processamento dos pedidos cresceram mais rapidamente que as vendas.

Fim da isenção derruba vendas nos Estados Unidos

O principal ponto de pressão veio dos Estados Unidos. A receita da Shein no país caiu aproximadamente 14%, de US$ 2,38 bilhões para US$ 2,04 bilhões.

A participação do mercado norte-americano no faturamento global recuou de 26,6% para 22,5% no período.

A companhia atribuiu parte da queda ao fim da regra conhecida como de minimis, que permitia que encomendas de até US$ 800 entrassem nos Estados Unidos sem o pagamento das tarifas tradicionais de importação.

Com a mudança, mercadorias enviadas diretamente da China passaram a enfrentar impostos e custos alfandegários maiores. A Shein afirmou que pode elevar preços, manter mais produtos em estoques locais e ampliar seus controles comerciais para reduzir o impacto.

A Europa também representa um risco. Cerca de um terço da receita trimestral da varejista veio do continente, que vem endurecendo impostos e regras para plataformas estrangeiras.

O Analistas mostrou recentemente como a Europa aumentou a pressão sobre o comércio eletrônico chinês ao aplicar uma multa bilionária à AliExpress.

Outros mercados evitam uma queda maior

Enquanto os Estados Unidos perderam força, os demais mercados sustentaram o resultado.

A receita obtida fora dos Estados Unidos e da Europa subiu de US$ 3,73 bilhões para US$ 4,10 bilhões, passando a representar 45,4% do faturamento total.

A base de clientes também continuou crescendo. A Shein informou ter alcançado aproximadamente 281 milhões de consumidores ativos nos 12 meses encerrados em março, ante 241 milhões no intervalo anterior.

A frequência média de compras, porém, caiu ligeiramente de quatro para 3,9 pedidos por cliente. Isso sugere que a plataforma continua atraindo consumidores, mas encontra mais dificuldade para transformar esse alcance em crescimento de receita.

IPO ainda não tem preço definido

O prospecto não informa o tamanho da oferta, a quantidade de ações, a faixa de preço nem a data definitiva da estreia.

Segundo informações publicadas pela Reuters, a Shein buscaria uma avaliação entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões. O valor seria significativamente inferior aos US$ 98,2 bilhões alcançados em uma rodada de investimentos realizada em 2022.

A redução reflete a combinação de crescimento mais lento, margens menores, tarifas sobre encomendas internacionais e pressão regulatória nos principais mercados.

Para o varejo brasileiro, o balanço da Shein também merece atenção. A empresa concorre diretamente com redes como C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3), especialmente entre consumidores mais jovens e sensíveis a preços.

A perda de rentabilidade pode limitar promoções e subsídios logísticos, mas a escala global da companhia e sua base de centenas de milhões de clientes mostram que a Shein continuará sendo uma concorrente relevante após o IPO.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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