Bank of America eleva recomendação da Suzano para compra e aposta em recuperação da celulose, custos menores e câmbio favorável; novo preço-alvo indica potencial próximo de 47%.
A Suzano (SUZB3) ganhou um importante voto de confiança nesta segunda-feira, 24 de agosto de 2026.
O Bank of America elevou a recomendação das ações da maior produtora mundial de celulose de neutra para compra e aumentou o preço-alvo para R$ 66 por ação.
Para os ADRs negociados nos Estados Unidos, o banco estabeleceu preço-alvo de US$ 13.
Considerando os R$ 44,97 registrados no fechamento da última sexta-feira, 21 de agosto, o alvo de R$ 66 representa um potencial de valorização próximo de 47%.
O principal argumento do BofA pode ser resumido em uma frase bastante forte:
“O fundo do poço da celulose está próximo.”
Por que o BofA passou a recomendar SUZB3?
O banco destaca três pilares para justificar a mudança de recomendação:
- proximidade de uma recuperação nos preços da celulose;
- melhora esperada nos custos da Suzano;
- possibilidade de um câmbio mais favorável para a companhia.
O valuation também entrou na conta.
Segundo o BofA, as ações passaram a apresentar uma relação risco-retorno mais interessante depois da forte pressão sofrida pelo setor de celulose.
A expectativa é que a pior fase do ciclo da commodity esteja próxima do fim.
“Fundo do poço” da celulose pode estar chegando
Esse é o principal ponto da tese.
Após conversas com participantes da indústria, os analistas do Bank of America afirmaram estar mais confiantes de que os preços da celulose estão próximos de atingir um piso.
Isso não significa necessariamente uma explosão imediata das cotações.
A tese é que o espaço para novas quedas relevantes começa a diminuir enquanto fatores sazonais podem contribuir para uma recuperação a partir de setembro.
Para a Suzano, a diferença pode ser enorme.
Como a celulose representa o coração de sua operação, pequenas mudanças no preço internacional da commodity têm impacto relevante sobre receita, Ebitda e geração de caixa.
Suzano pode sentir melhora já no segundo semestre
O BofA espera que o chamado earnings momentum, ou ritmo de evolução dos resultados, comece a melhorar à medida que os preços da celulose se recuperem.
O banco também observa um cenário mais favorável para custos.
A projeção é de aproximadamente R$ 800 por tonelada em custos em 2026, comparada a cerca de R$ 820 a R$ 825 por tonelada observados no primeiro semestre.
Essa redução parece pequena olhando apenas para uma tonelada.
Mas a Suzano produz e vende milhões de toneladas.
Quando aplicada em escala, uma diferença de algumas dezenas de reais por tonelada pode representar centenas de milhões de reais na operação.
O balanço do 2T26 mostrou sinais dessa recuperação
Os resultados mais recentes ajudam a entender a tese.
No segundo trimestre de 2026, a Suzano vendeu 3,3 milhões de toneladas entre celulose e papéis.
Desse total:
- 2,9 milhões de toneladas foram de celulose;
- 406 mil toneladas foram de diferentes categorias de papéis.
A receita líquida chegou a R$ 11,6 bilhões.
Já o Ebitda ajustado alcançou R$ 4,7 bilhões, ambos superiores aos registrados no trimestre anterior.
A geração de caixa operacional ficou em R$ 2,9 bilhões, enquanto o lucro líquido atingiu aproximadamente R$ 1,8 bilhão.
Custo caixa ficou em R$ 843 por tonelada
Apesar da melhora sequencial, os custos ainda permanecem no centro da discussão.
No segundo trimestre, o custo caixa de produção da celulose, excluindo paradas, ficou em aproximadamente R$ 843 por tonelada.
Segundo a própria companhia, o valor permaneceu praticamente estável na comparação anual apesar das pressões cambiais e do aumento nos preços de alguns insumos.
Agora o BofA trabalha com a possibilidade de esse número cair.
Se a projeção próxima de R$ 800 por tonelada se confirmar, a margem operacional pode receber uma contribuição adicional.
E o dólar pode ajudar bastante
Existe ainda uma particularidade importante na Suzano.
Grande parte de suas receitas está exposta ao dólar, enquanto uma parcela relevante dos custos está denominada em reais.
Por isso, uma desvalorização do real pode favorecer a geração de caixa da companhia, tudo mais constante.
O BofA acredita que a volatilidade cambial ao redor das eleições brasileiras pode eventualmente produzir um vento favorável adicional para SUZB3.
Isso não significa que dólar alto seja necessariamente positivo em todos os aspectos.
A companhia também possui dívida e diferentes exposições financeiras em moeda estrangeira.
Mas operacionalmente, a receita dolarizada continua sendo uma característica importante da tese.
SUZB3 já vinha reagindo antes do relatório
Curiosamente, as ações já estavam recuperando terreno antes da nova recomendação.
Nos últimos pregões:
- 17 de agosto: R$ 40,58;
- 18 de agosto: R$ 41,16;
- 19 de agosto: R$ 43,07;
- 20 de agosto: R$ 44,16;
- 21 de agosto: R$ 44,97.
Somente em 19 de agosto, SUZB3 avançou 4,64%.
Entre o fechamento de 17 e 21 de agosto, a recuperação passou de 10%.
Portanto, o relatório do BofA surge quando parte do mercado já começava a antecipar uma possível melhora do ciclo.
Ainda assim, SUZB3 caiu forte em 2026
A recuperação recente precisa ser colocada em perspectiva.
Segundo os dados históricos exibidos no próprio Analistas, SUZB3 ainda acumulava queda de aproximadamente 14% em 2026 até o último pregão registrado.
O papel também permanece distante da máxima de 52 semanas próxima de R$ 59,65.
É justamente essa desvalorização que ajuda a tornar a tese mais interessante para alguns bancos.
Se o ciclo da celulose realmente estiver próximo de uma inflexão, o mercado pode voltar a precificar níveis mais altos de lucro e geração de caixa.
Suzano investiu pesado e agora quer desalavancar
Há ainda outro elemento importante.
Nos últimos anos, a Suzano atravessou uma gigantesca fase de expansão.
O Analistas mostrou anteriormente que a Suzano investiu cerca de R$ 70 bilhões e começou a sinalizar uma fase de maior disciplina financeira e atenção à dívida.
Essa mudança é especialmente relevante agora.
Após gastar muito em expansão, a capacidade de usar a geração de caixa para reduzir endividamento pode se tornar um novo catalisador para a ação.
A alavancagem financeira da Suzano terminou o segundo trimestre em 3,4 vezes dívida líquida/Ebitda ajustado em dólar.
A própria companhia afirma que reduzir esse indicador é uma de suas prioridades.
Nova empresa com Kimberly-Clark entra nos resultados
Existe outro vetor de crescimento começando a aparecer.
Após o encerramento do segundo trimestre, a Suzano concluiu a aquisição de 51% da Arbex, empresa criada em parceria com a Kimberly-Clark.
O pagamento foi de aproximadamente US$ 1,3 bilhão.
A operação reúne 22 fábricas em 14 mercados e vende produtos de tissue em mais de 70 países.
A partir do terceiro trimestre de 2026, os resultados da Arbex passam a ser consolidados nas demonstrações financeiras da Suzano.
Isso adiciona outra variável aos próximos balanços.
O que poderia levar SUZB3 a R$ 66?
Na visão do Bank of America, a combinação passa principalmente por três movimentos.
O primeiro é a estabilização e posterior recuperação da celulose.
O segundo é a redução dos custos de produção.
E o terceiro é um câmbio eventualmente mais favorável.
Se esses fatores se confirmarem simultaneamente, a geração de caixa pode melhorar significativamente.
O banco acredita que essa possibilidade ainda não está totalmente refletida no preço atual da ação.
Mas existem riscos
A tese não é automática.
O principal risco é justamente o preço da celulose permanecer deprimido por mais tempo do que o esperado.
Uma desaceleração mais forte da economia global, especialmente na China, também poderia reduzir a demanda.
Há ainda riscos relacionados a:
- câmbio;
- custos de madeira e insumos;
- endividamento;
- integração de novas operações;
- disciplina de capital;
- oferta mundial de celulose.
Por isso, o preço-alvo de R$ 66 é uma estimativa do Bank of America, e não uma previsão garantida nem recomendação do Analistas.
O que observar agora em SUZB3
A partir daqui, quatro indicadores merecem atenção especial:
- preço internacional da celulose;
- custo caixa por tonelada;
- redução da alavancagem;
- geração de caixa livre.
O terceiro trimestre também terá uma novidade importante: será o primeiro a incorporar os resultados da Arbex.
A própria Suzano já demonstrou melhora sequencial no segundo trimestre, com R$ 11,6 bilhões de receita, R$ 4,7 bilhões de Ebitda ajustado e R$ 2,9 bilhões de geração operacional de caixa.
Agora o BofA aposta que a commodity que determina boa parte dessa equação pode estar próxima do ponto de virada.
Se estiver correto, o banco vê espaço para SUZB3 chegar a R$ 66, aproximadamente 47% acima da referência de R$ 44,97.
A tese, portanto, não é apenas de que Suzano está barata.
É de que o pior momento do ciclo da celulose pode estar perto do fim.