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Uber compra a Delivery Hero por € 13 bi e chega a 99 países

Uber compra a Delivery Hero por € 41,50 por ação, ou € 13 bilhões, e chega a 99 países. A Prosus, dona do iFood, entrega 17%. Fechamento só em 2027.

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Por Fundador e Editor-chefe
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Uber compra Delivery Hero

Acordo assinado: € 41,50 por ação, em dinheiro. A Uber leva Baemin, talabat e PedidosYa — e já combinou vender 14 mercados no mesmo dia, antes que os reguladores perguntem.

A Uber e a Delivery Hero assinaram, na quinta-feira (16), em Berlim, o acordo de combinação de negócios que entrega à americana a maior dona de aplicativos de entrega da Europa. A oferta pública voluntária de aquisição sai a € 41,50 por ação, em dinheiro, o que implica um valor patrimonial totalmente diluído de € 13,0 bilhões — ou US$ 14,8 bilhões, que caem para US$ 13,7 bilhões quando se descontam as fatias que a Uber já havia comprado.

A operação cria uma plataforma de mobilidade e entrega presente em 99 países, com US$ 236 bilhões em reservas brutas pro-forma somadas em 2025.

A escalada do preço em dois meses

O que impressiona não é só o tamanho, é a velocidade:

  • Maio de 2026: a Uber propõe € 33 por ação, avaliando a empresa em cerca de € 10 bilhões
  • Julho de 2026: fecha a € 41,50 por ação, € 13,0 bilhões

Uma alta de quase 50% no valor da empresa em dois meses. O prêmio embutido conta a mesma história: cerca de 127% sobre a média ponderada dos três meses anteriores a 8 de maio, data em que o mercado ainda não sabia de nada, e cerca de 34% sobre a média dos três meses anteriores ao anúncio.

A jogada dos 14 mercados

Aqui está a parte mais engenhosa, e a que explica por que o negócio pode passar pelos reguladores europeus.

No mesmo dia do acordo, a Delivery Hero fechou a venda de suas operações em 14 mercados para a SSW Partners, gestora de Nova York, por cerca de US$ 1,6 bilhão. São exatamente os países onde Uber Eats e Delivery Hero se sobrepõem:

  • Glovo: Espanha, Portugal, Polônia, Romênia e Moldávia
  • foodora: Áustria, Chéquia, Noruega e Suécia
  • PedidosYa: Chile e Equador
  • efood na Grécia, Foody no Chipre e Yemeksepeti na Turquia

Esses 14 mercados geraram US$ 11 bilhões em reservas brutas em 2025. A Uber não terá controle nem exposição a eles: a SSW vai administrar os ativos de forma independente e procurar compradores de longo prazo.

Sobram para a Uber 50 mercados, com US$ 42 bilhões em reservas brutas, incluindo Baedal Minjok na Coreia do Sul, talabat em oito países do Oriente Médio, HungerStation na Arábia Saudita, foodpanda em nove mercados asiáticos, Glovo em 17 países da Europa, África e Ásia Central, e PedidosYa em 13 mercados da América Latina.

O que isso tem a ver com o Brasil

Mais do que parece. A Prosus, braço de investimentos que controla o iFood, é a segunda maior acionista da Delivery Hero — e se comprometeu de forma irrevogável a entregar sua fatia de cerca de 17% na oferta.

Com isso, a conta da Uber fecha assim:

  • 24,77% do capital votante, em posição direta
  • cerca de 11,74% de exposição econômica adicional, via derivativos
  • mais os 17% da Prosus

Total: aproximadamente 53% de interesse econômico. A dona do iFood, portanto, está financiando a expansão global da Uber no delivery — enquanto o Uber Eats, que encerrou a entrega de restaurantes no Brasil em 2022, segue fora do prato principal por aqui. A Delivery Hero não opera no Brasil, e a PedidosYa, sua marca latino-americana, também não.

Para o investidor brasileiro, a exposição é indireta, via BDRs ou ETFs de ações americanas.

O afago em Berlim

A Delivery Hero é o último grande aplicativo de entrega independente da Alemanha, e a política pesa. A Uber prometeu:

  • Manter a sede em Berlim
  • Nenhuma mudança no quadro de funcionários alemão até pelo menos 2029
  • Investir € 2 bilhões na Alemanha ao longo de cinco anos

Os conselhos de administração e fiscal da Delivery Hero apoiaram a oferta por unanimidade e pretendem recomendar que os acionistas adiram.

Como a Uber vai pagar

Em dinheiro, com caixa próprio e dívida nova. A empresa contratou uma linha ponte de € 14,2 bilhões, sênior e sem garantia real, com vencimento 364 dias depois do fechamento. A companhia projeta que o negócio some ao lucro por ação não-GAAP já na conclusão, com contribuição de um dígito alto até o terceiro ano.

Atenção a um erro que está circulando: parte da cobertura descreveu a operação como pagamento em ações. Não é. O comunicado da Uber fala em contraprestação em dinheiro.

O que fica no radar

O calendário é longo: o fechamento só é esperado para o segundo semestre de 2027. Até lá, três coisas precisam acontecer:

  1. Os acionistas da Delivery Hero precisam aderir. O piso mínimo é de 50% mais uma ação
  2. Os reguladores de concorrência dos países onde há sobreposição precisam liberar
  3. A venda para a SSW Partners precisa fechar junto com o negócio principal

É esse trio que decide se a Uber fica com o mapa inteiro ou só com um pedaço dele.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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