O Bitcoin perdeu força nesta sexta-feira (28) depois que o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, adotou um tom mais duro sobre a inflação durante o simpósio de Jackson Hole. A criptomoeda chegou a US$ 81.280 ao longo do dia, mas recuou para perto de US$ 79.500, com queda próxima de 1% após o discurso.
A reação não ficou restrita ao mercado de criptoativos. O dólar ganhou força, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano subiram e outros ativos de risco ficaram sob pressão. No Brasil, o dólar chegou a R$ 5,21 após a fala do Fed, movimento ligado à reavaliação do caminho dos juros nos Estados Unidos.
O que Kevin Warsh disse em Jackson Hole
Em sua primeira grande apresentação no evento desde que assumiu o comando do Fed, em maio, Warsh afirmou que o controle dos preços deve permanecer como foco predominante do banco central. Segundo ele, a inflação dos Estados Unidos está acima da meta de 2% há 65 meses consecutivos.
O presidente do Fed disse que a autoridade precisa ter confiança de que a inflação subjacente caminha de forma clara e com velocidade suficiente para a meta. Caso isso não aconteça, afirmou que ainda há trabalho a fazer. O mercado interpretou a mensagem como uma sinalização de que novas altas podem voltar à mesa se os próximos dados não mostrarem desaceleração.
Depois do discurso, a probabilidade implícita de uma elevação dos juros em setembro subiu para 46%, ante pouco mais de 30% no início da semana, segundo os preços dos contratos monitorados pelo CME FedWatch. As estimativas mudam continuamente e não representam uma decisão já tomada pelo banco central.
Por que o Bitcoin reagiu
O Bitcoin havia avançado da região de US$ 64 mil para perto de US$ 80 mil em poucos dias. Parte do movimento foi associada à expectativa de condições financeiras mais favoráveis, depois que o Tesouro americano ampliou recompras de títulos de longo prazo para tentar reduzir a pressão sobre os rendimentos.
Juros longos menores e um dólar menos forte costumam ampliar a procura por ativos de risco. O discurso de Warsh não confirmou essa leitura e devolveu cautela às negociações. A relação entre política monetária e criptomoedas já havia sido detalhada na análise sobre como as decisões do Fed afetam o Bitcoin.
A Bolsa brasileira também reagiu à mudança de expectativa. O Ibovespa perdeu força após o Fed elevar o temor de juros maiores, mostrando que a mesma variável macroeconômica atingiu mercados diferentes ao longo do pregão.
Faixa de US$ 78 mil a US$ 80 mil vira referência
Depois da oscilação, participantes do mercado passaram a observar a região entre US$ 78 mil e US$ 80 mil. Ela não é um suporte garantido, mas uma faixa recente de concentração de negócios. Acima, a área entre US$ 81 mil e US$ 82 mil reuniu vendas durante a tentativa de avanço desta sexta.
Se rendimentos dos Treasuries e dólar continuarem subindo, ativos de risco podem enfrentar maior volatilidade. Se esses mercados estabilizarem, o Bitcoin pode voltar a testar as máximas recentes. São cenários condicionais, não previsões de preço.
- Próximos indicadores de inflação e atividade dos Estados Unidos.
- Probabilidade atribuída pelo mercado à decisão de setembro do Fed.
- Comportamento dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano.
- Força do dólar e fluxo para ativos de risco.
- Negociação do Bitcoin nas faixas de US$ 78 mil a US$ 80 mil e de US$ 81 mil a US$ 82 mil.
A queda para perto de US$ 79.500 foi uma reação imediata ao discurso, mas não permite concluir sozinha a direção das próximas sessões. O preço do Bitcoin permanece sujeito a alta volatilidade, liquidez global, regulação e fluxo de investidores, além da política monetária americana.