O Ibovespa perdeu força nesta sexta-feira (28) depois de abrir em alta. A mudança de direção ocorreu após o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, adotar um tom mais duro sobre a inflação dos Estados Unidos e reforçar no mercado a possibilidade de juros maiores.
No início da tarde, o principal índice da Bolsa brasileira passou a operar no campo negativo. Até a véspera, o Ibovespa acumulava sete pregões consecutivos de alta e havia encerrado aos 175.135 pontos.
Por que a fala do Fed mexeu com a Bolsa brasileira?
Juros mais altos nos Estados Unidos aumentam a atratividade dos títulos americanos, considerados de menor risco. Esse movimento pode retirar recursos de mercados emergentes, pressionar moedas como o real e reduzir o apetite por ações brasileiras.
Warsh afirmou que a economia americana segue crescendo e que a inflação ainda apresenta sinais fracos de convergência para a meta de 2%. Após o discurso, as apostas em uma alta de juros na reunião de setembro avançaram.
O que o investidor deve acompanhar?
- A intensidade da saída ou entrada de investidores estrangeiros na B3.
- O comportamento do dólar e dos juros futuros no Brasil.
- Novos dados de inflação e emprego nos Estados Unidos.
- A sustentação do Ibovespa após a sequência de sete altas.
Como o pregão ainda estava em andamento no momento da apuração, os níveis do índice e do câmbio poderiam mudar até o fechamento.
Sequência de altas favorece realização de lucros
Depois de sete sessões de valorização, parte dos investidores também pode decidir vender ações para garantir ganhos. Esse movimento, chamado realização de lucros, costuma aumentar a sensibilidade do índice a notícias negativas ou a mudanças nas expectativas de juros.
A reação não é uniforme entre as empresas. Exportadoras podem receber algum suporte de um dólar mais alto, enquanto companhias dependentes do consumo doméstico sentem mais diretamente a abertura da curva de juros. Por isso, o desempenho do índice pode esconder diferenças importantes entre setores.