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Economia

BNDES pede R$ 7,25 bi e socorro ao tarifaço já bate no teto

BNDES pediu R$ 7,25 bi ao Tesouro para o Plano Brasil Soberano. Empresas já protocolaram R$ 18,4 bi em crédito, e o programa inteiro tem R$ 21 bi.

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Por Fundador e Editor-chefe
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Fachada do BNDES em montagem com porto, contêineres, guindastes, notas de real e gráfico financeiro, representando crédito às exportações contra o tarifaço.
BNDES busca reforço de R$ 7,25 bilhões para ampliar o crédito a empresas afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos, enquanto os pedidos já somam R$ 18,4 bilhões.

As empresas já protocolaram R$ 18,4 bilhões em pedidos de crédito. O programa inteiro tem R$ 21 bilhões. E quem está na fila não é exatamente quem você imagina.

O BNDES pediu ao Ministério da Fazenda a liberação de mais R$ 7,25 bilhões para reforçar as linhas de crédito criadas pelo governo federal em socorro às empresas atingidas pelas tarifas americanas. Segundo apuração da Folha de S.Paulo, o pedido foi encaminhado à Secretaria do Tesouro Nacional na terça-feira (14).

O dinheiro iria para o FGE (Fundo de Garantia à Exportação), que financia o Plano Brasil Soberano.

A conta que explica a pressa

O programa é grande, mas a fila é maior:

  • Até R$ 15 bilhões do Tesouro
  • Mais R$ 6 bilhões de recursos próprios do BNDES
  • Capacidade total: R$ 21 bilhões
  • Já liberados pelo Tesouro: cerca de R$ 7,75 bilhões
  • Pedidos já protocolados pelas empresas: R$ 18,4 bilhões

Ou seja, a demanda das empresas está a poucos bilhões de esgotar a capacidade inteira do programa. Daí o pedido de antecipação da segunda parcela.

Segundo o diretor de planejamento e relações institucionais do BNDES, o ex-ministro Nelson Barbosa, a liberação é necessária diante da "demanda adicional prevista" pelas linhas de financiamento.

O banco faz questão de dizer que isso não estoura o Orçamento. Em nota à imprensa, afirmou não se tratar de recursos novos, e sim de medida operacional para atender projetos já protocolados dentro de um programa em curso.

Quem está na fila (e a surpresa)

Aqui está o dado mais interessante, e o que mais contraria a intuição.

Os setores mais atingidos pela sobretaxa de 25% são os suspeitos de sempre: etanol, aço, calçados, máquinas agrícolas, vestuário, papel. Mas, segundo a apuração da Folha, a maior parte da demanda por crédito vem de outro lugar:

  • Alimentos
  • Fármacos
  • Fertilizantes
  • Minerais críticos
  • Máquinas e equipamentos

Não é a mesma lista. E a diferença importa: quem grita não é necessariamente quem apanha. Vale lembrar que o Plano Brasil Soberano não foi desenhado só para o tarifaço — ele também atende empresas afetadas pela guerra no Oriente Médio e setores da indústria que precisam de ajuda para equilibrar a balança comercial.

Como o dinheiro chega na ponta

O mecanismo tem três degraus:

  1. O Tesouro transfere os recursos ao BNDES
  2. O BNDES usa esse dinheiro para conceder empréstimos às empresas que atendam aos critérios
  3. As empresas usam para capital de giro operacional, capital de giro para exportação, investimento em expansão e compra de bens de capital

A fonte é o FGE, um fundo que tradicionalmente serve para dar garantia a operações de crédito à exportação, reduzindo o risco dessas operações para o governo. Uma mudança na legislação abriu caminho para que esses recursos abastecessem também o Brasil Soberano, com juros mais acessíveis.

A intenção é evitar que empresas atingidas pelas barreiras parem investimentos, cortem produção ou quebrem o caixa.

O contexto: por que o socorro virou urgente

O Plano Brasil Soberano nasceu depois que Donald Trump anunciou a elevação de tarifas sobre produtos brasileiros. Nesta semana, os EUA oficializaram a sobretaxa de 25% com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — medida que o governo brasileiro respondeu acionando a Lei de Reciprocidade e o mecanismo de solução de controvérsias da OMC.

Empresários e entidades de comércio exterior vinham alertando que a alta das tarifas poderia provocar perda de competitividade, cancelamento de contratos e queda nas exportações. O crédito subsidiado é a tentativa de amortecer isso — e o mercado já sentiu o baque, com o Ibovespa fechando em queda com o tarifaço no radar.

O que fica no radar

A bola está com a Fazenda. As equipes técnicas do Tesouro e do BNDES analisam a liberação e recalculam o montante necessário.

O problema é o relógio. Contrato cancelado não espera despacho administrativo, e a demanda de R$ 18,4 bilhões já quase encosta no teto de R$ 21 bilhões do programa. Se a segunda parcela demorar, a fila para de andar.

Foto de Muniz
Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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