A Bolsa brasileira ignorou a alta de Nova York e fechou no vermelho nesta quarta-feira (15), pressionada pela ameaça tarifária dos EUA e pela pesquisa eleitoral. O dólar mal se mexeu: R$ 5,0785.
O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira (15) em queda de 0,36%, aos 176.010,90 pontos, com giro financeiro de R$ 39,8 bilhões. O índice devolveu parte do fôlego da véspera, quando subiu e levou o dólar para R$ 5,13. Foi um dia de descolamento do exterior: enquanto Wall Street subia com dados de inflação mais camaradas, a B3 andou para trás por conta de duas dores de cabeça bem brasileiras.
Segundo apuração do Estadão/Broadcast, a principal delas é a cautela com a provável oficialização de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A segunda é política: a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta mostrou o presidente Lula bem posicionado nos cenários de primeiro e segundo turno, o que mexeu com os ativos locais em pleno dia de vencimento de opções sobre índice.
Por que a Bolsa caiu se Nova York subiu?
Lá fora o clima era outro. O S&P 500 avançou 0,38%, aos 7.572,42 pontos, o Dow Jones subiu 0,29% (52.658,52) e o Nasdaq ganhou 0,62% (26.269,23). O combustível foi a inflação ao produtor (PPI) americana mais fraca que o esperado, somada ao Livro Bege do Federal Reserve.
De acordo com as informações obtidas pelo Estadão/Broadcast, para a coordenadora de inteligência e alocação da Avenue, Juliana Benvenuto, o PPI reforça o alívio visto na véspera, quando a inflação ao consumidor dos EUA veio mais fraca e derrubou o dólar, e reduz a pressão sobre o Fed para subir juros na reunião do fim de julho.
O Nasdaq foi carregado nas costas das big techs: Meta subiu 3,07%, Apple avançou 4,01% e Amazon ganhou 3,02%. Na ponta oposta, as ações de fabricantes de chips e de hardware para inteligência artificial foram as mais castigadas.
Dólar quase parado, mas em queda forte no ano
O dólar comercial fechou a R$ 5,0785 na venda, variação de apenas +0,01%. O detalhe está no acumulado:
- Queda de 0,59% na semana
- Queda de 1,64% em julho
- Queda de 7,48% em 2026
Com isso, o real é a segunda moeda relevante de melhor desempenho no ano, atrás apenas do peso colombiano. Acompanhe a cotação do dólar hoje em tempo real.
Nos juros futuros, a curva chegou a ganhar inclinação com a aprovação da PEC dos agentes de saúde no Senado e com a Quaest, mas perdeu fôlego no fim da tarde. O DI para janeiro de 2027 oscilou a 13,89%, ante 13,90% no ajuste anterior, num momento em que o Focus já aponta inflação menor e abre espaço para corte da Selic. A Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, com atividade mais fraca que o previsto, também influenciou esse trecho da curva.
Quem subiu e quem caiu na B3
Entre as blue chips, o dia foi majoritariamente negativo:
- Vale (VALE3): R$ 74,51, alta de 0,68%
- Petrobras (PETR4): R$ 40,59, queda de 0,17%
- Itaú (ITUB4): R$ 43,14, queda de 1,12%
- Ambev (ABEV3): R$ 15,57, queda de 1,52%
- MBRF (MBRF3): R$ 15,40, queda de 4,29%
A Vale segurou o índice no mesmo dia em que elegeu Wilfred Bruijn como presidente interino do conselho. Já o destaque negativo absoluto ficou por conta de Ânima (ANIM3), que desabou após anunciar a compra da FMU.
Nas commodities, o ouro recuou 0,44%, a US$ 4.051,8 a onça-troy. O petróleo subiu mais de 1% pela manhã, com o Brent perto de US$ 85,86, depois que o presidente Donald Trump restabeleceu o bloqueio naval a portos iranianos e Teerã atacou infraestrutura americana na região. A escalada vem logo depois de Trump recuar da taxa em Ormuz, movimento que levou a Petrobras acima de R$ 40.
O que fica no radar
O mercado agora olha para a oficialização (ou não) do tarifaço de 25%, que tende a definir o humor da Bolsa nos próximos pregões, e para a reunião do Fed no fim de julho, onde o PPI mais fraco jogou a favor de quem aposta em juros parados nos EUA. No Brasil, a temporada de balanços do segundo trimestre começa a esquentar, com a WEG divulgando resultados em 22 de julho.
No bolso do leitor, vale lembrar que outro assunto quente desta quarta é o cashback do IR que começou a cair na conta de 4 milhões de brasileiros.