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BRKM5 dispara 24% após Petrobras ampliar crédito da Braskem para R$ 2,35 bilhões

Ações da Braskem (BRKM5) chegaram a disparar 24% após Petrobras ampliar limite de crédito para R$ 2,35 bilhões. Entenda o acordo.

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Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em
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Ações da Braskem (BRKM5) chegaram a disparar 24% após Petrobras ampliar limite de crédito para R$ 2,35 bilhões. Entenda o acordo.

As ações da Braskem (BRKM5) voltaram ao centro das atenções da Bolsa nesta quinta-feira, 27 de agosto. Os papéis chegaram a disparar cerca de 24% durante o pregão, depois que Petrobras e Braskem anunciaram uma ampliação expressiva do limite de crédito existente entre as duas companhias.

O teto passou de R$ 350 milhões para R$ 2,35 bilhões, uma diferença de R$ 2 bilhões.

A reação acontece poucos dias depois de a petroquímica entrar com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras.

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Mas há um detalhe importante para entender o anúncio: os R$ 2,35 bilhões não representam um aporte de dinheiro diretamente no caixa da Braskem.

O que Petrobras e Braskem fizeram?

O novo acordo amplia o limite de crédito comercial utilizado pela Braskem para adquirir matérias-primas fornecidas pela própria Petrobras.

Pelo contrato, a petroquímica poderá utilizar um limite de até R$ 2,35 bilhões nessas compras e terá prazo de 30 dias para realizar os pagamentos.

O acordo tem vigência até o fim de 2026, com manutenção de seus efeitos para as faturas emitidas durante o período contratual e ainda não vencidas.

Na prática, a medida pode oferecer mais flexibilidade ao capital de giro da Braskem justamente em um momento no qual preservar caixa se tornou ainda mais importante.

Por que BRKM5 disparou?

A reação da Bolsa pode ser explicada principalmente pela percepção de redução da pressão de liquidez de curto prazo sobre a companhia.

A Braskem depende de matérias-primas petroquímicas para manter suas operações e a Petrobras ocupa uma posição estratégica como fornecedora.

Ter um limite maior para realizar essas compras pode ajudar a companhia a preservar recursos enquanto negocia sua reestruturação financeira com credores.

Isso, porém, não significa que os problemas financeiros da Braskem estejam resolvidos.

A companhia continua enfrentando uma estrutura de capital bastante pressionada e ainda precisará avançar nas negociações relacionadas ao processo de recuperação extrajudicial.

Petrobras exigiu garantias para ampliar o crédito

A ampliação do limite não aconteceu sem contrapartidas.

O contrato prevê uma cessão fiduciária de direitos creditórios de clientes da Braskem em um montante aproximado de R$ 1 bilhão por mês.

Esses recebíveis deverão ser direcionados para uma conta vinculada.

O mecanismo prevê uma retenção mínima de R$ 300 milhões. Depois que esse valor for alcançado, e desde que a Braskem esteja em dia com suas obrigações, os recursos adicionais depositados na conta poderão ser transferidos para a companhia.

Há ainda outra condição importante.

Para que o novo limite de R$ 2,35 bilhões se torne efetivo, as contas vinculadas precisam estar constituídas e deverá existir um saldo mínimo de R$ 150 milhões.

A Petrobras também poderá suspender o limite caso determinadas condições relacionadas ao fluxo mínimo de recebíveis não sejam cumpridas.

Portanto, o anúncio não deve ser interpretado como um empréstimo sem garantias ou como um simples aporte da Petrobras na Braskem.

Trata-se de uma operação comercial ligada ao fornecimento de matéria-prima, acompanhada de mecanismos destinados a proteger a estatal.

Braskem está em recuperação extrajudicial

O acordo ganha ainda mais relevância porque acontece praticamente ao mesmo tempo em que a Braskem tenta realizar uma das maiores reorganizações financeiras de sua história.

A companhia protocolou um pedido de recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras.

Como o Analistas mostrou anteriormente, o processo também provocou uma mudança importante no mercado acionário: BRKM3 e BRKM5 foram retiradas do Ibovespa e de outros índices da B3 após o pedido de recuperação extrajudicial.

A recuperação extrajudicial permite que a companhia negocie com determinados grupos de credores uma reestruturação das dívidas dentro de um processo que posteriormente pode ser submetido à homologação judicial.

O sucesso dessa estratégia dependerá das negociações com os credores e das condições estabelecidas no plano.

Dívida ainda é o grande problema da Braskem

Apesar da forte valorização de BRKM5 nesta quinta-feira, o balanço financeiro da companhia continua exigindo atenção.

No segundo trimestre de 2026, a Braskem apresentou EBITDA consolidado de aproximadamente US$ 1,04 bilhão, beneficiada pela melhora dos spreads químicos e petroquímicos internacionais.

O desempenho operacional melhorou, mas a estrutura de capital permaneceu altamente alavancada.

No fim de junho, a dívida bruta corporativa estava próxima de US$ 10,4 bilhões.

A dívida líquida ajustada estava em aproximadamente US$ 9,5 bilhões, enquanto a relação entre dívida líquida e EBITDA permanecia elevada.

Esse cenário ajuda a explicar por que qualquer anúncio envolvendo caixa, fornecedores, credores ou financiamento pode provocar movimentos tão intensos nas ações da Braskem.

Petrobras ganha ainda mais importância para a Braskem

A Petrobras não é apenas uma fornecedora estratégica da petroquímica.

A estatal também possui participação relevante na companhia e ocupa posição central nas discussões envolvendo o futuro financeiro e societário da Braskem.

Por isso, movimentos envolvendo as duas empresas tendem a receber atenção especial do mercado.

O novo limite de crédito reforça justamente essa relação operacional entre as companhias.

A Petrobras também atravessa um período de grande atenção dos investidores. Recentemente, os papéis da estatal passaram a ser negociados sem direito a uma distribuição bilionária de proventos, em um movimento acompanhado de perto pelo mercado. O Analistas explicou o que aconteceu com PETR4 e os R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio.

Alta de 24% significa que a crise da Braskem acabou?

Não.

A forte valorização de BRKM5 mostra que o mercado recebeu positivamente a ampliação do limite comercial concedido pela Petrobras.

Mas é importante colocar o movimento em perspectiva.

A Braskem continua em recuperação extrajudicial, possui bilhões de dólares em obrigações financeiras e ainda precisa chegar a um acordo capaz de tornar sustentável sua estrutura de capital.

A ampliação do crédito pode reduzir uma preocupação operacional de curto prazo e dar maior flexibilidade para a compra de matéria-prima, mas não elimina a necessidade de reestruturação da dívida.

Por isso, a volatilidade das ações BRKM5 pode continuar elevada enquanto investidores acompanham os próximos capítulos da recuperação extrajudicial.

Entre os pontos que devem permanecer no radar estão as negociações com credores, eventuais mudanças no plano de reestruturação, a participação dos acionistas no processo e a capacidade da companhia de preservar liquidez e geração operacional de caixa.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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