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Braskem (BRKM5) pede recuperação extrajudicial por dívida de US$ 10,9 bilhões e sai do Ibovespa

Braskem (BRKM5) pede recuperação extrajudicial para reestruturar US$ 10,9 bilhões em obrigações. B3 também vai retirar a ação do Ibovespa.

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Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em
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Braskem (BRKM5) pede recuperação extrajudicial por dívida de US$ 10,9 bi

Petroquímica busca proteção para reorganizar cerca de R$ 54 bilhões em obrigações financeiras; ações também serão retiradas do Ibovespa e de outros índices da B3.

A Braskem (BRKM5) entrou nesta segunda-feira, 24 de agosto, com pedido de recuperação extrajudicial para tentar reestruturar aproximadamente US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras, valor próximo de R$ 54 bilhões pela cotação utilizada nas informações divulgadas sobre o processo.

A medida representa uma nova fase da crise financeira da maior petroquímica brasileira e provocou reação imediata no mercado. Os papéis da companhia chegaram a cair cerca de 8% durante o pregão e tocaram a região de R$ 4,02, mínima histórica registrada pela ação.

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Além da queda das ações, a B3 decidiu retirar os papéis da Braskem do Ibovespa e de outros índices da Bolsa brasileira.

A situação coloca BRKM5 entre os principais ativos para acompanhar nesta semana.

O que aconteceu com a Braskem?

O Conselho de Administração da Braskem aprovou o pedido de recuperação extrajudicial como parte de uma tentativa de criar um ambiente jurídico protegido para negociar com seus credores.

Segundo a companhia, aproximadamente US$ 10,9 bilhões em créditos quirografários estão sujeitos ao processo de reestruturação.

A recuperação extrajudicial é diferente da recuperação judicial tradicional. Nesse modelo, a companhia procura negociar as condições da dívida diretamente com grupos de credores e posteriormente busca a homologação judicial do plano.

A estratégia não é inédita entre grandes companhias brasileiras em dificuldades financeiras. Recentemente, por exemplo, a Justiça aprovou o plano de recuperação da Raízen (RAIZ4), outro caso acompanhado de perto pelos investidores.

Braskem consegue 90 dias de proteção

Com o pedido, a Braskem obteve um período de 90 dias de proteção judicial para avançar nas negociações com seus credores.

Durante esse intervalo, a companhia pretende buscar as adesões necessárias para aprovar seu plano de reestruturação.

Para que o plano seja validado, será necessário conseguir apoio superior a 50% dos créditos de cada classe envolvida.

Os detentores internacionais de títulos representam a maior parte das obrigações financeiras da empresa e, por isso, terão peso importante nas negociações.

B3 vai retirar BRKM5 do Ibovespa

O pedido de recuperação extrajudicial trouxe outra consequência importante para o acionista.

A B3 anunciou a exclusão das ações da Braskem do Ibovespa e de outros índices após a mudança da classificação da companhia.

A retirada deverá considerar os preços de fechamento depois do pregão regular de 25 de agosto.

A decisão envolve BRKM3 e BRKM5 e alcança diversos índices da Bolsa.

Para investidores que acompanham a infraestrutura do mercado brasileiro, vale lembrar que a própria B3 (B3SA3) enfrentou recentemente uma falha inédita que deixou sistemas da Bolsa fora do ar por mais de duas horas.

A exclusão da Braskem dos índices também pode provocar ajustes em fundos e ETFs que seguem essas carteiras automaticamente.

Qual é a dívida da Braskem?

O tamanho do endividamento ajuda a explicar a decisão da empresa.

A Braskem pretende reorganizar aproximadamente US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras.

Já a dívida líquida ajustada da companhia alcançou cerca de US$ 9,43 bilhões.

A empresa continua operando e, segundo as informações divulgadas sobre o processo, a recuperação extrajudicial tem caráter essencialmente financeiro, sem incluir normalmente compromissos operacionais com fornecedores e clientes.

O cenário chama atenção porque a operação da Braskem apresentou melhora expressiva no segundo trimestre.

A companhia informou Ebitda consolidado de US$ 1,043 bilhão no 2T26, beneficiado principalmente pelo aumento dos spreads químicos e petroquímicos no mercado internacional.

Ou seja: o problema central não está simplesmente na capacidade das fábricas de produzir, mas principalmente na estrutura financeira acumulada pela empresa.

Por que a Braskem chegou a essa situação?

Não existe uma causa única.

A companhia atravessa há anos um ambiente difícil no mercado petroquímico, marcado por períodos de margens apertadas, competição internacional e forte exposição aos preços das matérias-primas.

A própria dinâmica do gás natural brasileiro também ganhou importância para a indústria. O Analistas mostrou recentemente como uma mudança nas regras do mercado de gás busca reduzir os custos para grandes consumidores industriais.

Além da pressão operacional, a Braskem carrega um endividamento elevado e os efeitos financeiros relacionados ao problema do afundamento do solo em Maceió, associado à antiga atividade de mineração de sal-gema da companhia.

O passivo financeiro acabou crescendo a ponto de exigir uma renegociação mais profunda com os credores.

E a Petrobras (PETR4)?

A situação da Braskem também interessa aos investidores da Petrobras (PETR4).

A estatal continua sendo uma acionista relevante da petroquímica e participa da nova configuração de governança da companhia ao lado da IG4.

A Petrobras, porém, vive um momento operacional bastante diferente. O Analistas mostrou recentemente que a Petrobras bateu recorde de produção no segundo trimestre de 2026, puxada pelo campo de Búzios.

Por isso, qualquer mudança relevante no capital, governança ou futuro da Braskem também tende a ser acompanhada pelos investidores de PETR4.

Braskem Idesa também entrou em Chapter 11

A crise financeira não está restrita à operação brasileira.

A Braskem Idesa, controlada mexicana da companhia, entrou recentemente com pedido de proteção sob o Chapter 11 nos Estados Unidos.

O objetivo é reestruturar parte das dívidas da operação mexicana e reduzir a pressão financeira sobre a subsidiária.

Os dois movimentos próximos no tempo mostram que a Braskem está conduzindo uma reorganização financeira ampla.

O que acontece agora com BRKM5?

O foco do mercado passa a estar nas negociações entre a Braskem e seus credores.

Há pelo menos cinco pontos que merecem acompanhamento:

  1. os termos do plano de reestruturação;
  2. a adesão dos principais grupos de credores;
  3. possíveis conversões de dívida em participação ou novos instrumentos;
  4. o efeito da saída de BRKM5 dos índices da B3;
  5. eventuais mudanças na estrutura societária da companhia.

A recuperação extrajudicial não significa que a Braskem esteja encerrando suas atividades.

O processo existe justamente para permitir que a empresa tente reorganizar suas obrigações financeiras enquanto mantém a operação.

Para o acionista, porém, a equação é mais delicada.

Uma reestruturação pode melhorar a capacidade financeira da companhia, mas os termos negociados com credores também podem trazer consequências para a estrutura de capital e para os atuais acionistas.

Por isso, BRKM5 deve permanecer entre as ações mais acompanhadas da B3 nos próximos pregões.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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