O prazo do Novo Desenrola Brasil para famílias termina nesta segunda-feira (31). A iniciativa permite a renegociação de dívidas bancárias de consumidores com renda mensal de até cinco salários mínimos, mas a contratação depende da análise e da adesão de cada instituição financeira.
O dia 31 é o limite para formalizar o acordo, não apenas para iniciar o atendimento. Como o banco precisa verificar a renda, o tipo de dívida e o período de atraso, deixar a solicitação para o último momento pode impedir a conclusão dentro do prazo. Até agora, não foi anunciada uma nova prorrogação para essa modalidade.
Quem pode participar do Desenrola Brasil?
A modalidade para famílias atende pessoas físicas com renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105 em 2026. A dívida precisa ter sido contratada até 31 de janeiro de 2026 e estar atrasada entre 91 dias e dois anos.
O enquadramento não é automático. A instituição financeira consulta as informações disponíveis em seus sistemas e no Sistema de Informações de Crédito do Banco Central antes de apresentar as condições.
Quais dívidas podem ser renegociadas?
O programa se concentra em modalidades bancárias que normalmente têm custo elevado:
- Cartão de crédito rotativo ou parcelado.
- Cheque especial.
- Crédito pessoal sem consignação em folha.
- Empréstimos pessoais usados para reunir outras dívidas.
Empréstimos consignados não entram nessa modalidade. Também não basta cumprir os critérios gerais: o banco responsável precisa participar do programa e aceitar a operação.
O desconto de 90% vale para todos?
Não. Os abatimentos são progressivos e variam conforme a modalidade e o tempo de atraso. O desconto pode chegar a 90% em dívidas do cartão rotativo ou do cheque especial atrasadas entre um e dois anos, mas percentuais menores se aplicam a outros casos.
Quando o acordo envolve uma nova operação de crédito, a taxa é limitada a 1,99% ao mês, com prazo de até 48 meses, parcela mínima de R$ 50 e limite de R$ 15 mil por beneficiário em cada instituição. A primeira parcela pode vencer em até 35 dias. O consumidor deve conferir o custo total antes de contratar.
Onde fazer a renegociação?
Não existe uma plataforma única do governo para concluir o acordo. O atendimento deve ser feito diretamente com o banco onde a dívida está registrada, pelos canais que a instituição oferecer, como aplicativo, internet banking, telefone, WhatsApp ou agência.
Entre as instituições participantes estão Caixa, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e Nubank. O contexto é relevante porque 52,8 milhões de brasileiros carregam dívidas no rotativo ou no parcelamento com juros, segundo dados apresentados pelo Banco Central neste mês.
Quando o nome sai do cadastro de inadimplentes?
A assinatura do acordo, sozinha, não determina a retirada imediata. Nas operações feitas pelo programa, a instituição deve providenciar a baixa depois do pagamento da primeira parcela. Um novo atraso pode comprometer a regularização.
É possível usar o FGTS?
O trabalhador pode autorizar o uso de recursos de contas ativas ou inativas do FGTS para amortizar ou quitar a dívida renegociada, dentro dos limites do programa. A autorização é feita no aplicativo FGTS e depende dos procedimentos entre o banco e a Caixa. O dinheiro é transferido diretamente à instituição credora.
O que conferir antes de fechar o acordo?
- Se a dívida e a renda atendem aos critérios do programa.
- O valor do desconto aplicado ao caso concreto.
- A taxa mensal e o custo total da nova operação.
- O número de parcelas e a data do primeiro vencimento.
- As consequências previstas para um novo atraso.
Quem não se enquadrar ainda pode consultar outras formas de organização financeira na editoria de Finanças Pessoais do Analistas. A participação no Desenrola é voluntária para os bancos, e nenhuma instituição é obrigada a oferecer acordo a todos os clientes.