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Economia

Dólar cai a R$ 5,07 com inflação dos EUA mais fraca; Bolsa sobe

Dólar cai mais de 1% e volta a R$ 5,07 após inflação dos EUA vir abaixo do esperado, aliviando a pressão por juros. Bolsa avança; petróleo preocupa.

MU
Por Fundador e Editor-chefe
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Dólar cai a R$ 5,07 com inflação dos EUA mais fraca; Bolsa sobe

Moeda americana caiu mais de 1% nesta terça e voltou ao patamar de R$ 5,07, enquanto a Bolsa avançou. O gatilho foi o dado de inflação nos Estados Unidos, que veio abaixo do esperado e aliviou a pressão por juros mais altos por lá.

O dólar teve forte queda nesta terça-feira (14) e voltou a operar abaixo de R$ 5,10, num movimento animado pela inflação mais fraca nos Estados Unidos. Por volta das 13h42, a moeda americana recuava 1,12%, cotada a R$ 5,072. A Bolsa brasileira acompanhou o clima positivo e subia 0,3%, aos 176.269 pontos.

O que destravou o alívio foi a divulgação do CPI, principal índice de inflação ao consumidor dos EUA, que veio mais brando do que o mercado projetava. O resultado reforçou a leitura de que o Federal Reserve, o banco central americano, terá menos pressão para subir os juros no curto prazo. E juros menores lá fora costumam ser boa notícia para moedas de países emergentes como o real.

Por que a inflação dos EUA mexe com o seu bolso

Pode parecer distante, mas o que acontece com os juros americanos chega rápido ao Brasil. Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o índice desacelerou tanto na comparação mensal quanto na anual, se aproximando de 3%, e o chamado núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, também avançou menos que o esperado. Para ele, é sinal de que o aperto de juros promovido pelo Fed está fazendo efeito.

Na prática, um dólar mais fraco alivia a inflação por aqui, já que boa parte do que o Brasil importa é cotada na moeda americana. E, segundo o especialista, isso dá mais espaço para o Copom seguir cortando a Selic, a taxa básica de juros brasileira, o que barateia o crédito no país.

O petróleo joga contra

Nem tudo, porém, aponta na mesma direção. Enquanto a inflação americana trazia alívio, o petróleo puxava para o outro lado. Os investidores seguem de olho no novo bloqueio ao Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. Com a reescalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, o Brent voltou a subir e já acumula alta de cerca de US$ 10 na semana, sendo negociado ao redor de US$ 85 o barril.

Esse é justamente o alerta de alguns analistas. Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, avalia que a desaceleração da inflação nos EUA se deveu principalmente à queda pontual dos preços de energia em junho, favorecida por uma trégua no Oriente Médio que já começou a se reverter. Na leitura dele, o alívio pode ter sido temporário e a pressão sobre os preços deve voltar nas próximas leituras.

Leia também: Petrobras supera R$ 40 com petróleo em alta, mas Trump já recuou da taxa em Ormuz

O novo Fed no radar

Há ainda um ingrediente político. O novo presidente do Fed, Kevin Warsh, abandonou as orientações sobre a direção da política monetária, embora tenha reforçado que combater a inflação segue como prioridade. Metade dos diretores do banco central ainda enxerga ao menos uma alta de juros neste ano.

Em depoimento no Congresso americano nesta terça, Warsh afirmou estar tão comprometido com o emprego quanto com o controle da inflação e prometeu "fazer seu trabalho" caso seja pressionado pelo presidente Donald Trump. Foi o comentário mais direto dele até agora sobre como reagiria ao tipo de pressão que o antecessor, Jerome Powell, enfrentou boa parte do mandato.

O que fica no radar

O saldo do dia é de alívio no câmbio, mas com muita cautela à frente. Sem um rumo claro do Fed e com o petróleo pressionado pela guerra, a tendência é de mais volatilidade nos mercados nas próximas semanas. No Brasil, o reflexo já apareceu nos juros futuros: a taxa do DI para janeiro de 2028 recuava para 13,96%, e a de janeiro de 2035 caía para 14,305%. Para quem investe ou apenas acompanha o preço do dólar, vale seguir de perto os próximos dados de inflação americana e cada capítulo da tensão no Oriente Médio.

MU
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