Ata do Fed e retomada dos ataques americanos ao Irã derrubaram o apetite por risco; real resistiu ajudado pelo petróleo, e Fundo agora vê PIB brasileiro crescendo 2,4% em 2026.
O pregão desta quarta-feira (8) foi dominado pela aversão ao risco global. O dólar fechou em leve queda frente ao real, o Ibovespa recuou quase 1% — operando à tarde na casa dos 170,4 mil pontos — e o petróleo avançou mais de 5%, num dia marcado pela escalada da tensão no Oriente Médio e pela repercussão da ata do Federal Reserve.
Geopolítica no centro do radar
O principal driver externo segue sendo a crise no Golfo. O presidente Donald Trump declarou encerrado o acordo provisório com o Irã, e os Estados Unidos retomaram ataques ao país, suspendendo ainda a licença que permitia a venda do petróleo iraniano — retaliação à ofensiva de Teerã contra embarcações no Estreito de Ormuz. O resultado foi o salto de mais de 5% nas cotações do barril, que deu suporte às ações da Petrobras, mas não foi suficiente para segurar o índice.
O movimento contrasta com o pregão de terça, quando Vale e Petrobras andaram em direções opostas — entenda por que a Vale derreteu 2% e a Petrobras disparou no mesmo dia. A mineradora, aliás, segue pressionada pela renúncia do presidente do conselho de administração e pela queda do minério de ferro.
Ata do Fed reforça cautela com juros
Nos EUA, a ata da última reunião do Fed manteve em evidência a preocupação com a inflação e reforçou as incertezas sobre o ritmo de queda dos juros americanos. O cenário sustentou os rendimentos dos Treasuries, reduzindo a atratividade de ativos de maior risco e pesando sobre bolsas emergentes.
FMI: mundo desacelera, Brasil acelera
Na contramão do humor dos mercados, o dia trouxe uma boa notícia para a economia brasileira: o FMI elevou a projeção de crescimento do PIB do Brasil em 2026 de 1,9% para 2,4%, e passou a ver alta de 2,2% em 2027 — confira a análise completa da revisão do Fundo.
Para a América Latina e Caribe, o Fundo projeta agora expansão de 2,4% neste ano e 2,7% no próximo. Já o Oriente Médio e a Ásia Central tiveram corte forte, para 0,7% em 2026, com contração de 5,4% esperada para o Irã.
No capítulo do petróleo, o FMI calcula que a curva futura implica preço médio à vista de US$ 78 por barril em 2026 — abaixo da referência de US$ 82 e distante do cenário adverso de US$ 100 traçado em abril —, embora a curva permaneça em backwardation até o fim do ano, refletindo interrupções de fornecimento e o elevado risco geopolítico.
Doméstico: Focus, comércio exterior e corporativo
No front local, o Boletim Focus mais recente mostrou a primeira queda da estimativa de IPCA para 2026 após 16 semanas, agora em 5,30%, com a Selic projetada em 14,0% no fim do ano e expectativa de corte de 0,25 ponto na reunião de agosto do Copom.
Em Washington, os EUA realizam audiências públicas sobre práticas comerciais do Brasil, tema que segue no radar dos exportadores. Na indústria, a Anfavea informou alta de 8,8% na produção de veículos no primeiro semestre. No corporativo, a Aegea convocou assembleia para 28 de julho para deliberar aumento de capital de R$ 1,5 bilhão a R$ 2,1 bilhões, com foco em desalavancagem.
O que monitorar
Para os próximos pregões, os pontos de atenção são os desdobramentos no Estreito de Ormuz, a investigação comercial americana contra o Brasil e o comportamento da curva de juros local rumo ao Copom de agosto.
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