A prévia da inflação de julho veio bem abaixo do esperado e animou o mercado. O Ibovespa voltou aos 176 mil pontos e o dólar ficou perto de R$ 5,12, com investidores de olho no Fed e no Copom.
O pregão desta terça-feira (28) começou embalado por um dado melhor que o previsto: o IPCA-15, a prévia da inflação oficial, subiu apenas 0,06% em julho, forte desaceleração ante o avanço de 0,41% registrado em junho. O número ficou bem abaixo das projeções do mercado, puxado principalmente pela queda nos preços dos alimentos, e fez a taxa acumulada em 12 meses se aproximar mais da meta.
Com esse alívio, o principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa (IBOV), voltou a operar acima dos 176 mil pontos, com alta em torno de 1% no início da sessão, recuperando parte das perdas recentes. Na véspera, o índice já havia encerrado em alta de 0,74%, aos 175.334 pontos.
Como ficaram o dólar e os juros?
No câmbio, o dólar comercial (USD/BRL) rondava os R$ 5,12, em leve oscilação, depois de fechar a segunda-feira cotado a R$ 5,113. A moeda americana tem se sustentado mais pelo humor externo do que por fatores locais.
Nos juros, a reação ao IPCA-15 mais fraco foi imediata e positiva. As taxas dos juros futuros (DIs) recuaram por toda a curva, movimento mais forte nos títulos prefixados. No Tesouro Direto, o Prefixado 2029 passou de 14,34% no fechamento de segunda para 14,21% na abertura desta terça. Juro menor no horizonte é combustível para a Bolsa e costuma favorecer sobretudo as ações mais sensíveis ao crédito. O comportamento repete, em parte, o que já se viu quando o Ibovespa subiu após o IPCA de junho surpreender.
O que pesa no exterior?
Nem tudo é tranquilidade. Lá fora, o clima é de cautela, com um forte movimento de venda no setor de tecnologia. As ações de chips lideraram as perdas, e o índice sul-coreano Kospi chegou a desabar cerca de 11%, num susto que ecoa a crise recente que atingiu o setor de semicondutores. Os índices futuros nos Estados Unidos abriram mistos, à espera da decisão do Federal Reserve, o banco central americano, marcada para esta quarta-feira (29).
O que fica no radar?
A agenda dos próximos dias concentra os grandes catalisadores. O IPCA-15 mais comportado reforça a leitura de quem aposta em cortes de juros no Brasil, tema que ganha peso porque o Copom se reúne na próxima semana e o mercado tenta antecipar o tom do Banco Central, discussão que aparece com força no último Boletim Focus, com o IPCA de 2026 recuando e a Selic no centro das atenções. Ainda hoje, após o fechamento, a Petrobras (PETR4) divulga seus números de produção e vendas do trimestre, que podem mexer com um dos papéis de maior peso do índice na sessão seguinte.
No fim das contas, o pregão de hoje mostra um mercado que respira aliviado com a inflação em casa, mas segue com um pé atrás por causa do nervosismo global com a tecnologia e da expectativa pelas decisões dos bancos centrais.