O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 14 de setembro, reduziu a projeção do mercado para o IPCA de 2026 de 5,00% para 4,90%. A estimativa para o PIB também caiu, de 1,93% para 1,89%. Na véspera do início da reunião do Copom, a previsão para a Selic no fim do ano permaneceu em 13,75%.
A mediana para o dólar no encerramento de 2026 continuou em R$ 5,20. Para 2027, a projeção de inflação subiu de 4,29% para 4,30%, enquanto a estimativa do PIB recuou de 1,50% para 1,45%. Os números mostram uma combinação de inflação menor no curto prazo e atividade econômica mais fraca, mas não antecipam a decisão do Banco Central.
Focus de hoje: projeções antes da Superquarta
| Indicador | Projeção anterior | Projeção atual | Movimento |
|---|---|---|---|
| IPCA de 2026 | 5,00% | 4,90% | Queda |
| PIB de 2026 | 1,93% | 1,89% | Queda |
| Selic no fim de 2026 | 13,75% | 13,75% | Estável |
| Dólar no fim de 2026 | R$ 5,20 | R$ 5,20 | Estável |
| IPCA de 2027 | 4,29% | 4,30% | Alta |
| PIB de 2027 | 1,50% | 1,45% | Queda |
O relatório do Banco Central reúne medianas das estimativas de instituições financeiras e tem data de referência de 11 de setembro. Para a reunião desta semana, a projeção mensal do Focus permanece em Selic de 13,75%, o que corresponde a um corte de 0,25 ponto percentual em relação à taxa atual de 14%. A decisão, porém, cabe exclusivamente ao Copom.
Brasil e Estados Unidos decidirão os juros na quarta-feira, 16 de setembro. Nos Estados Unidos, a inflação persistente ampliou a discussão sobre uma possível alta pelo Federal Reserve. As reuniões começam na terça-feira, 15, e as decisões são independentes, porque respondem a cenários econômicos diferentes.
O que o mercado espera do Copom
A Selic está em 14% ao ano. Com dados das Opções de Copom no fechamento de 8 de setembro, cerca de 95% das posições apontavam redução a 13,75%, enquanto a chance de manutenção estava perto de 3,5%. Preços de mercado mudam e não antecipam a decisão.
O último encontro terminou com corte da Selic para 14% ao ano. Desde então, a inflação brasileira perdeu força, mas expectativas, contas públicas, câmbio e petróleo continuam no radar.
Por que os EUA podem seguir na direção contrária
O índice de preços ao consumidor americano subiu 0,4% em agosto e 3,4% em 12 meses. O núcleo avançou 0,3% no mês. O resultado manteve a inflação acima da meta de 2% do Fed e reforçou apostas de aperto monetário.
O Analistas detalhou a inflação dos Estados Unidos em agosto e o avanço de 0,4% do índice de preços ao produtor. O Fed ainda pode manter a taxa se entender que os juros atuais já são suficientemente restritivos.
Como a Superquarta pode afetar o Brasil
Corte no Brasil combinado com alta nos Estados Unidos diminuiria a diferença entre as taxas dos dois países. Isso pode elevar a volatilidade do dólar, dos juros futuros e da Bolsa, mas o efeito não é automático: fluxo comercial, política fiscal, commodities e risco também pesam.
Os rendimentos dos títulos americanos já se aproximaram de 5%, movimento explicado na matéria sobre os Treasuries e seus efeitos no Brasil.
O que acompanhar
No comunicado do Copom, o foco estará no ritmo de eventuais próximos cortes. No Fed, investidores observarão o placar, a coletiva e as novas projeções. Esta matéria descreve expectativas e não constitui recomendação de investimento.