A fabricante brasileira encerra o Farnborough Airshow com 28 pedidos firmes, acordos que podem chegar a 88 aeronaves e um contrato de manutenção para 271 jatos nos EUA. O maior comprador é brasileiro: o grupo dono da GOL e da Avianca.
A Embraer (EMBR3) fez do Farnborough International Airshow 2026, realizado de 20 a 24 de julho em Hampshire, no Reino Unido, uma vitrine do seu melhor momento comercial em anos. A soma dos anúncios da semana envolve pedidos e direitos de compra que podem chegar a 88 aeronaves, além de contratos de serviços e novas parcerias industriais.
E há um contraste que vale registrar: enquanto boa parte da indústria brasileira lida com a entrada em vigor da tarifa de 25% dos Estados Unidos, o setor aeronáutico ficou de fora da sobretaxa e a Embraer passou a semana vendendo avião na Europa.
O que a Embraer fechou em Farnborough
| Cliente | Negócio | Aeronaves |
|---|---|---|
| Grupo Abra | pedido firme | 20 E195-E2 |
| Binter (Espanha) | pedido firme | 5 E195-E2 |
| Luxair (Luxemburgo) | pedido firme | 3 E190-E2 |
| Azorra (leasing) | conversões para cargueiro | 20 E-Freighters |
| Subtotal firme | 48 aeronaves | |
| Opções e direitos de compra | Abra, Binter, Luxair e Azorra | até 40 adicionais |
Os 28 pedidos firmes de jatos E2 podem chegar a 58 aeronaves com o exercício das opções. Somados às 20 conversões da Azorra, que podem virar 30 E-Freighters, o pacote total alcança as 88 unidades. Os pedidos firmes entram na carteira da companhia no terceiro trimestre de 2026.
Fora as aeronaves, a Embraer estendeu o contrato de manutenção pesada da SkyWest, que cobre 271 jatos E175 operados nos Estados Unidos, e firmou acordos com Mubadala e Strata voltados a componentes e à ampliação da capacidade industrial no exterior.
O maior comprador é de casa
O destaque do salão tem sabor brasileiro. O maior negócio de aeronaves de passageiros foi fechado com o Grupo Abra, controlador da GOL e da Avianca e investidor estratégico da Wamos Air. São 20 E195-E2 firmes, com condições adicionais ainda a cumprir.
Na prática, o maior pedido do salão britânico é de um grupo latino-americano comprando aviões de uma fabricante brasileira. Para a Embraer, é a confirmação de que o E2 avançou também no seu mercado natural, e não apenas em operadoras europeias e asiáticas.
O ano da Embraer, em números
O desempenho comercial vem sendo sustentado por uma operação que finalmente destravou entregas:
- No primeiro semestre de 2026, foram 109 aeronaves entregues, alta de cerca de 20% sobre as 91 do mesmo período de 2025
- As vendas de E-Jets no ano somam cerca de 66 unidades, dentro do guidance de 80 a 85 jatos comerciais
- A meta para jatos executivos é de 160 a 170 unidades
- A carteira de pedidos está em patamar recorde
Segundo o presidente da aviação comercial da companhia, Arjan Meijer, a empresa segue no caminho de um crescimento sustentável e rentável em todas as unidades.
Os outros anúncios da semana
O salão rendeu ainda três movimentos menores, mas indicativos da estratégia:
Defesa. A Embraer anunciou a venda de sistemas de treinamento do KC-390 Millennium para a Europa. O cargueiro militar, exposto no evento, é hoje uma das principais apostas de exportação da companhia, com pipeline de negociações em vários países.
Cooperação com o Reino Unido. A empresa assinou um Memorando de Entendimento com o Departamento de Negócios e Comércio britânico (DBT), criando uma estrutura permanente de colaboração em pesquisa, engenharia e cadeia de suprimentos. O acordo não tem valor financeiro divulgado e complementa a parceria já existente com a UK Export Finance, agência de crédito à exportação britânica, que segundo a Embraer ajudou a praticamente dobrar o volume de negócios com fornecedores do Reino Unido nos últimos anos. A companhia atua no mercado britânico há mais de 45 anos.
Mobilidade urbana. A subsidiária Eve Air Mobility levou ao salão uma maquete em tamanho real do seu eVTOL, o carro voador elétrico, com simulador de voo aberto aos visitantes.
Por que isso importa para o investidor
A leitura para quem acompanha EMBR3 é de reforço de tese, não de novidade isolada. Pedido firme anunciado em salão só vira receita quando a aeronave é entregue, o que leva anos, mas a carteira é o indicador que o mercado usa para projetar o faturamento futuro. Com entregas crescendo 20% e carteira em recorde, a companhia entra no segundo semestre com visibilidade rara para uma fabricante de aeronaves.
Há também o efeito de diversificação. Num momento em que o Brasil vê suas exportações aos Estados Unidos em forte retração, uma empresa brasileira anunciando contratos na Europa, no Oriente Médio e na América Latina mostra o valor de não depender de um único mercado.
O que fica no radar
O Farnborough se encerra nesta sexta-feira (24), e ainda pode render anúncios de última hora, especialmente na área de defesa, historicamente o palco preferido da Embraer para contratos militares. Depois disso, a atenção se volta para dois pontos: a incorporação dos pedidos firmes à carteira no terceiro trimestre e o balanço trimestral, que dirá se o ritmo de entregas se sustenta no segundo semestre.
Com informações da Embraer, do Poder Aéreo, do Defesa Aérea & Naval, do Brasil 247, da Aeroin e do O Mundo Diplomático.