A 49ª Expointer abriu os portões neste sábado (29), em Esteio, no Rio Grande do Sul, com cerca de 2 mil expositores e uma agenda voltada a animais, máquinas, agricultura familiar, tecnologia e serviços ligados ao campo.
A feira segue até 6 de setembro no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil. A visitação ocorre diariamente das 8h às 20h em uma área de 141 hectares.
Além da programação tradicional, a edição de 2026 funciona como um termômetro para a disposição dos produtores de voltar a investir depois de um período marcado por crédito caro, endividamento e queda nas vendas de equipamentos agrícolas.
Expointer reúne 7.926 animais
Foram inscritos 7.926 animais nesta edição. Desse total, 5.756 são animais de argola, apresentados em julgamentos e exposições, e 2.170 são classificados como rústicos.
O número de animais de argola cresceu 12% em relação a 2025. Entre os rústicos, o avanço foi de 36%. A programação inclui julgamentos, provas, leilões e atividades técnicas ao longo dos nove dias de evento.
- Período: de 29 de agosto a 6 de setembro de 2026.
- Local: Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
- Expositores: aproximadamente 2 mil.
- Animais inscritos: 7.926.
- Empresas de máquinas agrícolas: cerca de 135.
Crédito rural será um dos testes da feira
O setor de máquinas chega à Expointer atento à contratação de financiamentos e à capacidade de pagamento dos produtores. Cerca de 135 empresas de máquinas e implementos participam da edição.
A feira acontece depois da apresentação do Plano Safra 2026/27. As condições de juros, limites das linhas e velocidade de liberação dos recursos influenciam diretamente a decisão de comprar tratores, colheitadeiras e outros equipamentos.
O ambiente de juros elevados não afeta apenas o campo. O mercado reduziu para 1,95% a projeção de crescimento do PIB em 2026, enquanto a Selic esperada para dezembro permanece em patamar restritivo.
Negócios de 2025 servem como referência
Na edição de 2025, a Expointer movimentou aproximadamente R$ 4,42 bilhões em negócios. Esse valor funciona como referência, mas ainda não permite antecipar o resultado de 2026.
As vendas dependem das condições oferecidas durante a feira, da confiança do produtor e das perspectivas para a próxima safra. A confirmação do volume negociado ocorrerá apenas com o balanço oficial do evento.
Clima e logística permanecem entre os riscos
O desempenho do agronegócio também depende de fatores que não são definidos dentro da feira. Clima, custos de transporte, preços das commodities e condições de exportação afetam a renda disponível para novos investimentos.
A análise sobre como o El Niño pode pressionar a safra 2026/27 e a logística das rodovias mostra por que produtores e empresas acompanham a previsão climática antes de ampliar despesas.
Ao mesmo tempo, a agropecuária abriu 12.523 postos formais em julho e ajudou a manter o saldo nacional positivo. O Caged mostrou desaceleração na criação de empregos no país, embora o setor rural tenha permanecido no campo positivo.
Feira estima geração de 30 mil empregos diretos
Considerando pré-montagem, realização e desmontagem, a organização estima cerca de 30 mil empregos diretos. O evento também movimenta hospedagem, alimentação, transporte e serviços na região metropolitana de Porto Alegre.
A edição de 2026 foi anunciada como carbono neutro, com compensação das emissões associadas à realização da feira. O balanço econômico e ambiental deverá ser apresentado após o encerramento, em setembro.