O Ibovespa encerrou esta quarta-feira (2) com alta de 3,05%, aos 185.205,09 pontos. No câmbio, o dólar comercial terminou vendido a R$ 5,1084, queda de 0,92%. O movimento refletiu uma combinação de expectativas sobre o cenário eleitoral, entrada de recursos estrangeiros e indicadores da economia brasileira.
Durante o pregão, o principal índice da B3 variou entre 179.734 e 186.028 pontos. O fechamento representou a maior valorização diária em mais de cinco meses e levou a Bolsa ao maior nível desde maio. No acumulado de 2026, o avanço chegou a 14,94%.
Política e fluxo estrangeiro movimentaram a Bolsa
A pesquisa eleitoral divulgada pela Quaest entrou no radar dos investidores ao mostrar uma disputa mais apertada em uma simulação de segundo turno. O mercado passou a recalibrar expectativas sobre a eleição e seus possíveis efeitos sobre a política fiscal, os juros e as empresas estatais.
Esse fator, porém, não explica sozinho a alta. A sessão também teve fluxo comprador de investidores estrangeiros, especialmente em companhias de grande peso no índice. Bancos e empresas ligadas a commodities participaram do movimento, com altas em ações de Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Petrobras e Vale.
Produção industrial também ficou no radar
Na agenda econômica, o IBGE informou que a produção industrial avançou 0,2% em julho, na comparação com junho. A variação interrompeu dois meses seguidos de retração, embora outras bases de comparação ainda revelem perda de ritmo, principalmente entre os bens de capital.
Os dados adicionaram uma leitura mista ao cenário doméstico: a atividade mostrou estabilização na margem, mas sem eliminar as dúvidas sobre o ritmo da economia. Para os ativos brasileiros, o resultado se somou ao componente político e ao ingresso de capital externo.
Dólar cai para o menor nível desde o início de agosto
A moeda norte-americana chegou a R$ 5,0987 na mínima do dia e fechou a R$ 5,1084. Foi o menor valor de encerramento desde 7 de agosto. No exterior, o dólar teve oscilação mais contida diante de outras moedas, indicando que fatores locais tiveram peso importante na valorização do real.
A queda do dólar ocorreu mesmo com o petróleo em patamar elevado e com a atenção dos investidores voltada aos juros internacionais. O barril mais caro pode pressionar a inflação global e influenciar as próximas decisões dos bancos centrais, mantendo a volatilidade nos mercados.
O que acompanhar no próximo pregão
Depois de uma sequência positiva e de uma alta diária expressiva, o mercado acompanhará a continuidade do fluxo estrangeiro, novas pesquisas eleitorais e a reação dos juros futuros. Também estarão no radar os preços das commodities e os indicadores econômicos dos Estados Unidos.
O avanço ampliou a recuperação observada no fim de agosto, quando o Ibovespa completou nove altas consecutivas. A intensidade do movimento, contudo, não garante que os ganhos se repitam: notícias políticas, dados econômicos e o ambiente externo podem mudar rapidamente a direção dos ativos.
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