O Ibovespa encerrou esta quarta-feira (30) em alta de 1,37%, aos 186.340,46 pontos, no último pregão de setembro. O dólar à vista caiu 0,81%, para R$ 5,1750, em uma sessão marcada por inflação abaixo do esperado nos Estados Unidos, forte avanço dos bancos e posicionamento dos investidores antes do primeiro turno das eleições brasileiras.
O índice abriu em 183.879,71 pontos, que também foi a mínima do dia, e chegou a 187.834,97 pontos na máxima. O volume financeiro negociado na B3 somou R$ 28,1 bilhões.
Resumo do fechamento
O Ibovespa subiu 1,37%, para 186.340,46 pontos. Em setembro, acumulou ganho de 5,03%, o melhor resultado mensal desde janeiro. No terceiro trimestre, avançou 8,32%.
O dólar à vista recuou 0,81%, para R$ 5,1750. A moeda oscilou entre R$ 5,1643 e R$ 5,2189 e terminou o mês praticamente estável, com baixa de 0,10% ante o real.
Na sessão anterior acompanhada pelo Analistas, o Ibovespa havia caído 0,26%, enquanto o dólar subiu a R$ 5,22. A quarta-feira, portanto, trouxe recuperação das ações e valorização do real, mas não eliminou a volatilidade observada ao longo da semana.
Inflação dos EUA melhorou o humor
O principal impulso externo veio do índice de preços dos gastos com consumo, o PCE, medida de inflação acompanhada pelo Federal Reserve. O indicador de agosto avançou menos do que o esperado. Em 12 meses, o PCE ficou em 3,4%, enquanto o núcleo, que exclui itens mais voláteis, marcou 3%.
A leitura reduziu parte das apostas em uma nova alta dos juros americanos já em outubro. Juros menores ou estáveis nos Estados Unidos tendem a diminuir a atratividade relativa dos títulos do país e podem favorecer ativos de risco e moedas emergentes.
O alívio foi limitado pela revisão do Produto Interno Bruto americano, que mostrou crescimento anualizado de 2,2% no segundo trimestre, ligeiramente acima das projeções. A atividade mais resistente mantém dúvidas sobre o espaço do Fed para aliviar a política monetária.
Bancos puxaram o Ibovespa
O setor financeiro foi um dos principais motores do índice. O Índice Financeiro avançou 3,03%, enquanto o Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 5,15%, para R$ 44,28, e esteve entre as ações mais negociadas da B3.
Os bancos têm peso relevante no Ibovespa. Por isso, altas expressivas no setor podem mover o índice mesmo quando parte da carteira fecha no campo negativo. O desempenho ocorreu em um ambiente de melhora do apetite por risco e de ajuste nas expectativas para juros, mas uma sessão isolada não define tendência para lucros ou crédito.
MGLU3 liderou as altas do dia
A Magazine Luiza (MGLU3) liderou os ganhos do Ibovespa, com alta de 12,52%, a R$ 7,46. O papel foi favorecido pelo alívio nos juros e por uma avaliação positiva do JPMorgan sobre perspectivas de participação de mercado, incluindo os possíveis efeitos da recuperação judicial da Casas Bahia e da parceria da varejista com o Mercado Livre.
VAMO3 avançou 7,50%, a R$ 4,30. YDUQ3 ganhou 7,01%, para R$ 11,14. CSNA3 subiu 6,85%, a R$ 5,77, e CSAN3 teve valorização de 6,45%, a R$ 3,96.
Na ponta negativa, TOTS3 caiu 3,49%, a R$ 33,43. CURY3 recuou 3,41%, para R$ 27,74, e EMBJ3 perdeu 3,14%, a R$ 97,31. SANB11 cedeu 2,77%, a R$ 28,75, enquanto VBBR3 caiu 2,11%, para R$ 37,16.
Petrobras e Vale tiveram variações moderadas
O petróleo fechou em alta com a permanência das tensões no Oriente Médio. O WTI para novembro avançou 1,16%, a US$ 90,42 por barril, e o Brent para dezembro subiu 1,94%, a US$ 98,03.
Mesmo com a commodity mais cara, as ações da Petrobras (PETR4) tiveram variações pequenas e comportamento misto: PETR4 avançou 0,04%, a R$ 49,12, enquanto PETR3 recuou 0,35%, a R$ 53,87. VALE3 ganhou 0,43%, para R$ 69,91.
Esses papéis, junto com os bancos, concentram uma parcela elevada da carteira do Ibovespa. Movimentos modestos nas maiores empresas podem reforçar ou limitar a direção do índice, dependendo do desempenho dos demais setores.
Juros futuros terminaram perto da estabilidade
A curva de juros brasileira chegou a recuar cerca de cinco pontos-base no início da tarde, mas perdeu fôlego e fechou praticamente estável. A alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries, limitou o alívio observado depois do PCE.
Ao longo de setembro, porém, os contratos longos acumularam queda. O DI para janeiro de 2029 perdeu aproximadamente 40 pontos-base no mês, e o vencimento de janeiro de 2031 recuou perto de 50 pontos-base.
O ambiente eleitoral permaneceu no radar. Pesquisas e expectativas para a política econômica após a votação influenciaram o preço dos ativos, mas não há relação automática entre uma pesquisa isolada e a direção da Bolsa, do câmbio ou dos juros.
Wall Street fechou sem direção única
Nos Estados Unidos, o Dow Jones caiu 0,86%, aos 50.908,79 pontos, e o S&P 500 recuou 0,25%, para 7.651,80 pontos. O Nasdaq avançou 0,24%, aos 26.861,06 pontos.
O contraste refletiu duas forças: a inflação mais branda ajudou ativos de risco, enquanto o avanço dos Treasuries e a resiliência da economia americana limitaram os ganhos. Na Europa, o Stoxx 600 caiu 0,50%. Na Ásia, o Nikkei subiu 1,94% e o Hang Seng avançou 0,37%.
O que acompanhar agora
O calendário dos próximos dias reúne o relatório de emprego dos Estados Unidos, novos sinais sobre a política monetária do Fed e o primeiro turno das eleições brasileiras no domingo (4). Petróleo, rendimentos dos Treasuries e fluxo estrangeiro também devem continuar influenciando Bolsa e dólar.
Os ganhos de setembro melhoram o saldo recente do Ibovespa, mas não garantem continuidade da alta em outubro. A proximidade da eleição e a combinação de inflação, atividade e juros no exterior podem ampliar as oscilações.
Fontes consultadas: B3 e Bora Investir, Banco Central do Brasil, Reuters, Money Times, Times Brasil/CNBC e Dow Jones Newswires.
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