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JBS (JBSS3) fecha acordo com sul-coreana e mira expansão na Ásia

A JBS assinou uma parceria com a sul-coreana Highland Foods para expandir na Ásia. No radar, a possível abertura do mercado coreano à carne bovina brasileira.

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Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em
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Planta frigorífica com carga de carne para exportação, contêineres com bandeiras do Brasil e da Coreia do Sul e destaque para JBSS3.
Arte representa a exportação de carne entre Brasil e Coreia do Sul, com destaque para a JBS e o código JBSS3. Imagem criada com inteligência artificial para o portal Analistas.com.br.

A gigante brasileira da carne assinou uma parceria com a trading Highland Foods para crescer na Coreia do Sul. Nos bastidores, o prêmio maior é a possível abertura do mercado coreano à carne bovina do Brasil.

A JBS (JBSS3) deu mais um passo na sua estratégia de conquistar a Ásia. A maior processadora de carnes do mundo assinou na terça-feira (28) um memorando de entendimento com a sul-coreana Highland Foods para firmar uma parceria estratégica global de negócios, com foco em ampliar a presença dos produtos da companhia brasileira na Coreia do Sul e em outros mercados.

O acordo foi selado durante o Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, em São Paulo, e assinado pelo presidente do conselho de administração da JBS, Jerry O'Callaghan, e pela fundadora e CEO da Highland Foods, Young Mi Youn. Na prática, a parceria prevê cooperação de longo prazo, desenvolvimento de novos negócios e iniciativas de inovação.

Quem é a Highland Foods?

A parceira coreana não é uma novata. Fundada em 1999, a Highland Foods é uma trading especializada na importação, processamento, logística e distribuição de carnes bovina, suína, de frango e de cordeiro. A empresa mantém contratos de fornecimento em 19 países, espalhados pelas Américas, Sudeste Asiático, Europa e Oceania, e faturou cerca de US$ 876,4 milhões em 2024.

O que torna a parceria interessante para a JBS é o alcance da coreana em toda a cadeia, da compra à distribuição no varejo. Isso pode abrir novos canais de venda para os produtos da brasileira na região, encurtando o caminho até o consumidor asiático.

O prêmio maior: a carne bovina brasileira na Coreia

Por trás do acordo entre as duas empresas há um movimento bem maior de aproximação entre Brasil e Coreia do Sul. O fórum aconteceu na esteira da visita de Estado do presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, que se reuniu com o presidente Lula em Brasília na segunda-feira (27).

O ponto mais estratégico para o agronegócio brasileiro é este: a Coreia do Sul ainda não compra carne bovina do Brasil, sendo abastecida principalmente por Estados Unidos e Austrália. Isso pode mudar. Segundo o governo brasileiro, autoridades sanitárias coreanas devem visitar o país em agosto, num passo importante do processo para abrir aquele mercado à nossa carne. Os dois governos também criaram um grupo de trabalho para destravar o acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul, parado desde 2019.

Por que a Coreia do Sul importa

Os números mostram o tamanho da oportunidade. O comércio entre os dois países já gira em torno de US$ 11 bilhões por ano, mas o Brasil representa apenas 1% de tudo o que a Coreia do Sul importa. Ou seja, há muito espaço para crescer.

E o agronegócio larga na frente. O Brasil já responde por cerca de 80% do frango importado pelos coreanos e lidera as vendas de café para o país. Agora, além da carne bovina, estão em negociação também produtos como uva, melão e limão. Para a JBS, entrar de vez nesse mercado significa diversificar destinos num momento em que as tensões comerciais globais, como a nova ordem tarifária dos Estados Unidos contra o Brasil, tornam arriscado depender de poucos compradores.

Não só a JBS

O acordo da JBS foi um de seis firmados no evento, num sinal de que a aproximação vai além da carne. Também saíram parcerias nas áreas de promoção comercial, pesquisa e inovação, tecnologia e saúde, além de um acordo entre a Embraer e a Korea Aerospace Industries para ampliar a cooperação no setor aeroespacial, reforçando a boa fase da fabricante brasileira de aviões na Ásia.

O que fica no radar

Por enquanto, o acordo da JBS é um memorando de entendimento, ou seja, uma declaração de intenções que ainda precisa se transformar em negócios concretos e volumes de venda. O próximo marco importante é a visita das autoridades sanitárias coreanas em agosto, que pode destravar de vez a carne bovina brasileira.

Para o investidor de JBSS3, o movimento reforça a estratégia da companhia de espalhar suas operações pelo mundo e reduzir a dependência de mercados específicos. Se a Coreia do Sul abrir as portas para o boi brasileiro, a parceria assinada agora pode se revelar uma jogada de pioneirismo bem colocada.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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