O rendimento dos títulos do Tesouro americano de dez anos operou perto de 4,84% nesta quinta-feira, 10 de setembro, nível próximo de 5% e dos maiores desde 2023. O mercado reavalia o Federal Reserve diante da inflação e da disparada do petróleo.
Os juros dos Treasuries mudam durante o pregão. A taxa citada corresponde ao momento da apuração e pode se afastar desse patamar até o fechamento.
Por que os juros americanos subiram
O Brent acima de US$ 107 elevou o receio de que energia mais cara prolongue a inflação. Dados recentes também mostraram pressão nos preços ao produtor, reduzindo a confiança em cortes rápidos de juros.
O Tesouro americano realizou uma recompra de dívida de longo prazo de US$ 6 bilhões. A operação teve efeito limitado e não eliminou a preocupação com oferta de títulos e custo de financiamento.
Mercado voltou a considerar alta do Fed
Contratos futuros chegaram a indicar probabilidade próxima de 60% de alta de juros na reunião de 15 e 16 de setembro, conforme a leitura disponível durante o dia. Essa probabilidade é volátil e não antecipa a decisão do banco central.
O dado que ajudou a alterar as expectativas foi o PPI americano, que subiu 0,4% em agosto e acumulou 5,4% em 12 meses. O Fed considera também inflação ao consumidor, emprego e atividade.
Como isso chega ao Brasil
Treasuries mais rentáveis tornam ativos americanos relativamente mais atraentes e elevam a taxa de referência global. Isso pode fortalecer o dólar, pressionar moedas emergentes e aumentar o custo de capital.
Na Bolsa, negócios dependentes de financiamento podem sentir a abertura das taxas, embora a reação dependa do cenário local. O Brent acima de US$ 107 conecta energia, inflação e juros. O conteúdo não constitui recomendação de investimento.