O PPI dos Estados Unidos subiu 0,4% em agosto de 2026 na comparação com julho, com ajuste sazonal, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Bureau of Labor Statistics. Em 12 meses, a inflação na demanda final acumulou 5,4%.
O resultado mensal sucedeu a estabilidade de julho e mostra nova pressão sobre os preços recebidos por produtores. Os dados de agosto são preliminares e podem ser revisados pelo órgão estatístico americano.
PPI veio em linha no mês e ligeiramente acima em 12 meses
O avanço mensal de 0,4% coincidiu com a projeção predominante reunida antes da divulgação. Na comparação anual, a alta de 5,4% ficou ligeiramente acima da expectativa de 5,3%.
O índice de demanda final atingiu 157,411 pontos na série com ajuste sazonal, ante 156,784 em julho. Na série sem ajuste, o nível de agosto ficou 5,4% acima do registrado no mesmo mês de 2025.
Medida sem alimentos, energia e comércio subiu 0,2%
Uma medida acompanhada para avaliar pressões mais persistentes, que exclui alimentos, energia e serviços de comércio, avançou 0,2% no mês. Em 12 meses, a elevação foi de 4,6%.
Essa série não deve ser confundida com outras definições de inflação subjacente que retiram apenas alimentos e energia. O recorte publicado pelo BLS também exclui margens de comércio, componente que pode oscilar bastante entre um mês e outro.
Por que a inflação ao produtor importa
O PPI acompanha preços recebidos por produtores por bens e serviços. Ele não mede diretamente o custo de vida das famílias, mas ajuda a indicar pressões que podem chegar aos preços finais ou às margens das empresas.
A transmissão não é automática. Empresas podem absorver parte do aumento de custos, renegociar contratos ou repassar valores em ritmos diferentes. Por isso, o Federal Reserve avalia um conjunto mais amplo de indicadores.
Mercado aguarda inflação ao consumidor
A atenção passa agora para a inflação ao consumidor dos Estados Unidos, prevista para sexta-feira. A combinação entre PPI e CPI ajudará a calibrar as expectativas para os próximos passos do banco central americano.
O mercado também acompanha a política monetária europeia. Nesta quinta, o BCE elevou a taxa de depósito para 2,5% diante das pressões provocadas pela energia.
Juros internacionais maiores podem afetar o dólar, os rendimentos dos títulos públicos e o fluxo para economias emergentes. A reação dos ativos depende ainda de emprego, atividade e risco geopolítico.
Os dados do mercado de trabalho divulgados na semana anterior também seguem no radar. O payroll de agosto veio acima do esperado, reforçando a importância dos números de inflação para a trajetória dos juros.
Esta reportagem apresenta dados econômicos e não constitui indicação de investimento.