O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o Pix e criticou tentativas de interferência estrangeira nas eleições brasileiras durante a abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22), em Nova York. O pronunciamento ocorreu a 12 dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula concentrou parte do discurso em soberania, tarifas comerciais e pressões de empresas estrangeiras. O Brasil não cabe no quintal de ninguém , afirmou.
O que Lula disse sobre o Pix
Lula declarou que o governo brasileiro não aceitará pressão de multinacionais interessadas em privatizar o sistema de pagamentos instantâneos. O Pix foi incluído pelos Estados Unidos em uma investigação comercial sobre práticas que supostamente prejudicariam empresas norte-americanas.
O sistema foi criado pelo Banco Central e funciona como infraestrutura pública. O debate comercial ganhou força porque o Pix reduziu o custo e a dependência de meios privados de pagamento. O Analistas explicou em detalhes por que o Pix passou a ser tratado como ameaça ao domínio financeiro dos Estados Unidos.
Na ONU, o presidente também criticou a perda de força das regras multilaterais de comércio e as tarifas impostas de forma unilateral. Segundo Lula, apesar das barreiras enfrentadas, o Brasil deverá registrar novo recorde de exportações em 2026.
Recado sobre as eleições brasileiras
Ao tratar da América Latina, Lula afirmou que a região voltou a enfrentar ingerência externa em processos eleitorais. Ele também mencionou redes de desinformação que tentariam contaminar o debate público durante a campanha brasileira.
O presidente disse confiar nas instituições e no sistema eleitoral e afirmou que o governo não permitirá ações internas ou externas contra a vontade popular. O primeiro turno das eleições gerais será realizado em 4 de outubro, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral.
O uso de tecnologia e conteúdos manipulados durante a campanha já é objeto de regras específicas. Veja também o que mudou com a regulamentação da inteligência artificial nas eleições de 2026.
ONU e Conselho de Segurança
Lula classificou o atual momento como o mais crítico da ONU desde seu primeiro discurso na organização, em 2003. Ele disse que a instituição perdeu credibilidade diante das guerras e voltou a cobrar mudanças no Conselho de Segurança.
O governo brasileiro defende a ampliação da representação de países em desenvolvimento e questiona o poder de veto concentrado nos cinco membros permanentes. No discurso, Lula associou a paralisia do conselho à dificuldade de reagir aos conflitos e proteger populações civis.
O presidente mencionou a guerra na Faixa de Gaza, os assentamentos israelenses na Cisjordânia e a necessidade de uma solução de dois Estados. Também defendeu que os países da América Latina decidam seus caminhos sem interferência externa, ao mesmo tempo em que criticou restrições à participação da oposição na Nicarágua.
Segurança, tecnologia e apostas
Na área de segurança, Lula rejeitou ações militares estrangeiras contra o crime organizado dentro do Brasil. Defendeu, porém, cooperação internacional para interromper o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro.
O discurso também incluiu críticas à concentração de poder nas grandes empresas de tecnologia e ao avanço das apostas digitais. Segundo o presidente, plataformas e empresas conhecem os riscos de seus produtos, enquanto famílias enfrentam sozinhas os efeitos dos algoritmos e do endividamento relacionado às bets.
Qual foi o recado econômico?
A parte econômica do pronunciamento combinou a defesa do Pix com críticas a tarifas e à perda de força da Organização Mundial do Comércio. O governo brasileiro vem recorrendo à negociação e aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica para responder a medidas que considera discriminatórias.
O discurso não anunciou mudança imediata nas regras do Pix nem uma nova medida comercial contra os Estados Unidos. As declarações funcionam como posicionamento político do governo brasileiro em meio às negociações bilaterais e à reta final da campanha eleitoral.