Tribunal retoma falência da operadora após julgamento de recursos que haviam mantido a companhia em recuperação judicial. Oi já havia alertado para a falta de recursos para manter despesas essenciais.
A Oi (OIBR3) teve sua falência novamente decretada pela Justiça do Rio de Janeiro nesta terça-feira, 25 de agosto de 2026, em mais um capítulo da longa crise financeira da companhia.
A decisão ocorre após a retomada do julgamento, pela Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, de recursos relacionados à sentença que havia convertido a recuperação judicial da Oi em falência.
A quebra já havia sido decretada em novembro de 2025, mas recursos apresentados por credores, entre eles Itaú Unibanco e Bradesco, produziram efeito suspensivo e mantiveram temporariamente a companhia sob o regime de recuperação judicial.
Oi já alertava para falta de caixa
A situação financeira da companhia havia chegado a um ponto crítico antes mesmo do julgamento desta terça-feira.
A Oi informou à Justiça que não possuía recursos suficientes para sustentar suas operações depois de agosto, principalmente diante das dificuldades para concluir a venda de ativos.
Segundo informações divulgadas após a decisão, a companhia possui patrimônio líquido negativo superior a R$ 22,6 bilhões e vinha enfrentando interrupções de serviços de fornecedores por falta de pagamento.
A crise também atingiu o processo de venda de patrimônio.
O leilão da Oi Soluções não teve o resultado esperado, enquanto a alienação da participação de 27,2% na V.tal enfrenta disputa judicial. A companhia ainda possui valores a receber relacionados à UPI Serviços Telefônicos.
Quem administra a Oi na falência?
Com a retomada da falência, Bruno Rezende foi indicado para atuar na administração judicial do processo.
A função passa a envolver a arrecadação e organização dos bens da companhia, além da condução dos pagamentos conforme a ordem prevista na legislação e nas decisões judiciais.
Isso não significa necessariamente que todos os serviços da Oi sejam desligados imediatamente.
A continuidade de atividades consideradas essenciais e o destino de contratos, funcionários, ativos e clientes dependerão das decisões tomadas durante o processo de falência.
V.tal é uma das peças mais importantes
Uma das maiores disputas envolve a participação da Oi na V.tal, companhia de infraestrutura de fibra óptica.
A venda dessa participação havia sido estimada em cerca de R$ 4,5 bilhões, mas a operação foi alvo de questionamentos judiciais.
O destino desses recursos é relevante porque pode determinar quanto dinheiro estará disponível para pagamento dos credores da Oi.
Crise da Oi se arrasta há anos
A Oi passou por dois grandes processos de recuperação judicial e vendeu diferentes partes de sua antiga operação para tentar reduzir a dívida.
A companhia deixou de possuir a estrutura que tinha quando figurava entre as maiores operadoras de telecomunicações do Brasil.
O cenário atual representa uma nova etapa desse processo: em vez de tentar reorganizar a empresa dentro de uma recuperação judicial, a Justiça volta a trabalhar com a liquidação dos ativos por meio da falência.
Novos recursos e disputas judiciais ainda podem ocorrer, portanto a decisão desta terça-feira não significa que todas as questões envolvendo a Oi estejam encerradas.