analistas .com.br
Empresas

ONCO3 chega a disparar mais de 40% antes de decisão da CVM sobre OPA bilionária

Ações da Oncoclínicas (ONCO3) chegam a subir mais de 40% antes de decisão da CVM sobre possível OPA que pode movimentar mais de R$ 6 bilhões.

Ativos citados
Foto de Muniz
Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em
Compartilhar
oncoclinicas-onco3-dispara-cvm-opa-bilionaria

Ações da Oncoclínicas entram em leilão após forte valorização; CVM analisa nesta terça-feira recurso em disputa que pode obrigar a realização de uma oferta pública de aquisição de ações.

As ações da Oncoclínicas (ONCO3) viraram um dos grandes destaques da Bolsa nesta segunda-feira, 24 de agosto.

Os papéis chegaram a disparar mais de 40% durante o pregão, em meio à expectativa para uma decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que pode mudar completamente a disputa societária envolvendo a companhia.

Publicidade

Por volta das 12h, a valorização de ONCO3 chegou a aproximadamente 40,9%, segundo dados de mercado compilados pela Exame. Mais cedo, com alta próxima de 35%, a ação chegou a entrar em leilão na B3.

O motivo está marcado no calendário: nesta terça-feira, 25 de agosto, o Colegiado da CVM analisará um recurso relacionado à possível obrigação de realização de uma Oferta Pública de Aquisição de ações, a chamada OPA, da Oncoclínicas.

E a discussão envolve cifras que podem superar R$ 6 bilhões.

Por que ONCO3 disparou?

O mercado está antecipando uma possível mudança no entendimento da CVM sobre uma disputa que se arrasta há meses.

A pauta oficial da autarquia mostra que a reunião do Colegiado está marcada para 25 de agosto, às 10h.

O terceiro item da reunião trata especificamente de um:

“Recurso contra entendimento da SRE sobre não incidência de OPA estatutária na Oncoclínicas do Brasil Serviços Médicos S.A.”

Isso significa que o Colegiado analisará um recurso contra uma decisão anterior da área técnica da CVM que havia entendido que não existia obrigação de realização da OPA.

A possibilidade de esse entendimento ser revisto ajuda a explicar a corrida pelas ações ONCO3.

O que está em disputa?

O centro da batalha é uma cláusula prevista no estatuto da Oncoclínicas conhecida no mercado como poison pill.

O artigo 39 do estatuto estabelece que, em determinadas condições, um investidor que passe a deter participação igual ou superior a 15% do capital da companhia deve realizar uma OPA destinada aos demais acionistas.

A discussão começou depois de mudanças nas participações societárias envolvendo fundos ligados à Goldman Sachs e à gestora norte-americana Centaurus Capital.

Após uma reorganização dos fundos da família Josephina, a Centaurus passou a concentrar uma fatia relevante da Oncoclínicas.

Acionistas minoritários argumentam que essa movimentação deveria ter acionado a cláusula estatutária e, consequentemente, obrigado a realização de uma oferta para comprar as ações dos demais investidores.

O que decidiu a CVM anteriormente?

Até agora, a tese favorável à OPA sofreu uma derrota.

A Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE), área técnica da CVM, concluiu anteriormente que a reorganização societária não criou a obrigação de realização da oferta.

O argumento é que a Centaurus já teria exposição relevante à Oncoclínicas anteriormente por meio dos fundos envolvidos na estrutura societária.

Além disso, a reorganização poderia se enquadrar em uma das exceções previstas no próprio estatuto da companhia.

Essa decisão, porém, foi contestada.

É justamente o recurso contra esse entendimento da SRE que aparece na pauta oficial da reunião desta terça-feira.

Quanto poderia valer a OPA da Oncoclínicas?

Esse é o ponto que chama mais atenção do mercado.

Estimativas publicadas nos últimos dias apontam que uma eventual OPA poderia movimentar mais de R$ 6 bilhões, chegando a aproximadamente R$ 6,5 bilhões, dependendo dos critérios aplicáveis ao preço da oferta.

Isso não significa que os acionistas receberão automaticamente esse valor ou que uma oferta de R$ 6,5 bilhões será anunciada.

Primeiro, a CVM precisa decidir se existe ou não obrigação de realização da OPA.

Se o Colegiado mantiver o entendimento da área técnica, a tese da oferta obrigatória perde força.

Se houver uma reversão, o cenário muda substancialmente.

O que é uma poison pill?

Apesar do nome, a poison pill não é necessariamente algo negativo para o investidor.

Trata-se de um mecanismo previsto no estatuto de algumas companhias para dificultar mudanças relevantes de controle sem que os demais acionistas tenham determinadas proteções.

No caso da Oncoclínicas, o estatuto estabelece um gatilho de participação de 15% em determinadas situações.

Se as condições previstas forem cumpridas, o adquirente poderá ser obrigado a realizar uma oferta para aquisição da totalidade das ações.

É exatamente sobre a aplicação ou não dessa regra que gira o processo da CVM.

Centaurus tenta evitar OPA

A disputa ganhou mais um capítulo às vésperas da reunião da CVM.

O fundo Josephina III, administrado dentro da estrutura ligada à Centaurus, pediu uma arbitragem para tentar afastar a obrigação de realização da oferta.

Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o procedimento foi iniciado antes da análise do recurso pelo Colegiado da CVM.

O movimento mostra o tamanho da disputa jurídica e financeira em torno da companhia.

De um lado estão investidores que defendem que a reorganização societária ativou a cláusula estatutária.

Do outro, a tese de que as operações estão enquadradas nas exceções previstas no estatuto e, portanto, não criariam obrigação de OPA.

ONCO3 vive uma situação financeira delicada

A disparada das ações ocorre em um momento especialmente turbulento para a empresa.

Em julho, a Oncoclínicas entrou com pedido de recuperação extrajudicial para reorganizar aproximadamente R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras.

O Analistas mostrou anteriormente que a Oncoclínicas entrou em recuperação extrajudicial de R$ 5,1 bilhões e suspendeu pagamentos relacionados a CRIs.

A situação financeira também apareceu com força no resultado do segundo trimestre.

A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 475,7 milhões, um aumento de aproximadamente 234% em relação ao prejuízo de R$ 142 milhões registrado no mesmo período do ano anterior.

Recuperações ganham espaço na Bolsa

A situação da Oncoclínicas não é isolada.

Nesta própria segunda-feira, a Braskem (BRKM5) pediu recuperação extrajudicial para reestruturar US$ 10,9 bilhões em obrigações e será retirada do Ibovespa.

Outro caso acompanhado pelo Analistas é o da Raízen (RAIZ4), que teve seu plano de recuperação aprovado pela Justiça.

Embora cada processo tenha características completamente diferentes, os casos mostram como endividamento, reestruturações societárias e renegociação com credores passaram a ocupar uma parcela importante do noticiário corporativo brasileiro em 2026.

Banco Master também aparece na crise da Oncoclínicas

Há ainda outro problema no radar.

A CVM abriu um inquérito relacionado a investimentos realizados pela Oncoclínicas em CDBs do Banco Master.

A apuração envolve uma aplicação que chegou a aproximadamente R$ 1,5 bilhão e busca avaliar a responsabilidade de administradores da companhia nas decisões relacionadas aos recursos.

Após problemas envolvendo o banco, a Oncoclínicas reconheceu perdas relevantes relacionadas a esses investimentos.

A investigação é separada da discussão sobre a OPA que será analisada nesta terça-feira.

Empresa vende ativos para reforçar caixa

Enquanto tenta reorganizar suas finanças, a Oncoclínicas também está realizando desinvestimentos.

Na semana passada, a companhia vendeu sua participação de 27,49% em uma joint venture na Arábia Saudita por aproximadamente R$ 33 milhões.

Os recursos deverão ajudar na compra de medicamentos e nas necessidades de capital de giro durante o processo de reestruturação financeira.

O movimento faz parte de um esforço mais amplo para reduzir a pressão sobre o caixa.

O que pode acontecer com ONCO3 nesta terça-feira?

A reunião da CVM tende a ser o principal evento para os acionistas da Oncoclínicas no curto prazo.

Existem dois cenários centrais.

Se o Colegiado mantiver o entendimento da SRE, a obrigação de OPA continuará afastada no âmbito dessa análise.

Se o recurso prosperar e o entendimento for revertido, poderá se abrir caminho para uma nova etapa da disputa sobre a obrigação de realizar a oferta.

Isso explica por que ONCO3 apresenta uma volatilidade tão elevada antes da decisão.

É importante destacar que a alta registrada nesta segunda-feira é um movimento de mercado baseado em expectativa. A CVM ainda não decidiu o recurso.

A reunião está prevista para começar às 10h desta terça-feira, 25 de agosto.

Até lá, ONCO3 deve continuar entre os ativos mais observados da Bolsa brasileira.

Publicidade
Foto de Muniz
Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

Ver todas as matérias de Muniz →

Leia também

Comentários (0)

Nenhum comentário publicado ainda. Seja o primeiro a comentar!

Deixe um comentário