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Santander (SANB11): UBS corta R$ 10 do preço-alvo e rebaixa ação por causa da OPA

UBS BB rebaixa Santander Brasil (SANB11) para neutro e corta preço-alvo de R$ 44 para R$ 34 diante da oferta de troca da matriz espanhola.

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Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em
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UBS BB rebaixa Santander Brasil (SANB11) para neutro e corta preço-alvo de R$ 44 para R$ 34 diante da oferta de troca da matriz espanhola.

UBS BB reduz recomendação do Santander Brasil de compra para neutra e derruba preço-alvo de R$ 44 para R$ 34; oferta da matriz espanhola passa a limitar o potencial visto pelo banco.

O Santander Brasil (SANB11) recebeu nesta segunda-feira, 24 de agosto de 2026, uma importante revisão de recomendação do UBS BB.

O banco rebaixou SANB11 de compra para neutra e cortou o preço-alvo das units de R$ 44 para R$ 34.

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É uma redução de R$ 10 por unit, equivalente a aproximadamente 22,7% sobre a estimativa anterior.

Mesmo depois do corte, o novo preço-alvo ainda representava um potencial de valorização próximo de 15,1% sobre o fechamento da última sexta-feira.

A mudança, porém, não acontece simplesmente porque o UBS ficou mais pessimista com o banco brasileiro.

O grande responsável é a oferta de troca de ações apresentada pelo Santander Espanha.

Por que o UBS rebaixou SANB11?

O problema para o Santander Brasil agora é diferente daquele enfrentado por uma empresa que simplesmente recebe um corte de lucro ou piora operacional.

Existe praticamente uma nova referência de valor para a ação.

Isso acontece porque a matriz espanhola pretende adquirir as ações do Santander Brasil que ainda estão nas mãos dos investidores minoritários por meio de uma oferta pública voluntária de permuta.

Em vez de receber dinheiro, quem aderir entrega suas ações do Santander Brasil e recebe papéis do Banco Santander da Espanha.

A relação proposta é de:

0,4056 ação do Santander Espanha para cada unit SANB11.

Para cada ação ordinária SANB3 ou preferencial SANB4, a relação é de 0,2028 ação do Santander Espanha.

Na prática, portanto, o valor de SANB11 passou a ficar muito mais ligado à cotação da matriz espanhola e ao câmbio.

UBS chega aos R$ 34 fazendo essa conta

O UBS BB trabalha com um preço-alvo de € 13,70 para o Santander Espanha.

Quando os analistas aplicam:

  • esse preço-alvo;
  • a relação de troca de 0,4056;
  • e um câmbio estimado de € 1 para R$ 6;

o resultado chega aproximadamente aos R$ 34 por unit SANB11.

Esse cálculo explica a redução do preço-alvo.

Antes, o UBS avaliava Santander Brasil principalmente pelos fundamentos próprios da operação brasileira.

Agora existe uma oferta real colocando uma espécie de referência de mercado para os papéis.

Santander quer comprar cerca de 10% que ainda não controla

A operação foi anunciada no final de julho.

O Banco Santander da Espanha informou que pretende adquirir todas as ações ordinárias, preferenciais, units e ADSs do Santander Brasil que ainda não possui.

Esse bloco representa aproximadamente 10% do capital do Santander Brasil.

O Analistas acompanhou a reação inicial do mercado quando a proposta foi anunciada.

Na ocasião, as ações do banco chegaram a disparar, como mostramos em Santander dispara 12% em NY com OPA enquanto a B3 fica fora do ar.

Essa matéria já aparece no sitemap do Analistas.

Oferta previa prêmio de 15%

Quando anunciou a operação, a matriz espanhola calculou que a relação de troca representava um prêmio de aproximadamente 15% sobre a cotação de referência de SANB11 em 30 de julho.

Naquela data, cada unit do Santander Brasil fechava a R$ 25,25.

A ação do Banco Santander na Europa era negociada a € 12,248, enquanto o câmbio utilizado na operação era de R$ 5,8461 por euro.

O valor total da operação poderia chegar a aproximadamente € 1,908 bilhão caso todos os minoritários aderissem.

Pelo câmbio, trata-se de uma transação bilionária.

SANB11 já subiu cerca de 15% desde a OPA

E aqui aparece um ponto importante para entender o rebaixamento do UBS.

Desde o anúncio da operação, SANB11 já acumulava valorização próxima de 15% até a última sexta-feira.

Nesta segunda-feira, as units ainda operavam em alta no começo do pregão.

Por volta das 10h40, SANB11 avançava aproximadamente 0,78%, para R$ 29,78.

Ou seja, boa parte do prêmio originalmente oferecido pela matriz já foi incorporada à cotação.

Isso reduz a assimetria que existia antes.

Santander Brasil vai sair da B3?

Não é esse o objetivo da operação.

Esse detalhe é importante.

A oferta é voluntária e o Santander afirma expressamente que não pretende fechar o capital da subsidiária brasileira.

O Santander Brasil deve continuar listado na B3 mesmo após a operação.

Além disso, a oferta não possui um percentual mínimo de adesão.

Isso significa que a operação pode acontecer mesmo que uma parcela dos investidores decida não trocar seus papéis.

A situação nos Estados Unidos pode ser diferente.

Dependendo da adesão, os ADSs do Santander Brasil podem deixar de ser negociados na Bolsa de Nova York e ter seu registro cancelado perante a SEC.

Quem aceitar recebe ações do Santander Espanha

Outro detalhe fundamental é que não se trata de uma OPA tradicional em dinheiro.

O pagamento será feito em ações recém-emitidas do Banco Santander.

No Brasil, elas serão entregues na forma de BDRs.

O Banco Santander espanhol já possui BDR negociado na B3 sob o ticker BCSA34.

Assim, o investidor deixa de ter exposição direta apenas à operação brasileira e passa a ter participação no grupo financeiro global.

Esse grupo possui operações na Europa, América Latina, Estados Unidos e outros mercados.

A troca altera, portanto, até mesmo o perfil geográfico do investimento.

OPA pode chegar a bilhões

Caso todos os investidores minoritários aceitem a proposta, o Santander Espanha poderá emitir aproximadamente 156 milhões de novas ações.

Esse volume corresponde a cerca de 1,1% do capital atual da matriz.

A oferta não possui pagamento em dinheiro como elemento principal.

O investidor que aderir passa a participar diretamente do desempenho da matriz espanhola.

Consequentemente, a cotação em euros e o câmbio passam a ter impacto ainda maior sobre o valor recebido pelo acionista brasileiro.

Mas o Santander Brasil também enfrenta problemas próprios

A OPA não é o único fator que ajuda a explicar a postura mais cautelosa dos analistas.

O resultado do segundo trimestre de 2026 também decepcionou.

O Santander Brasil apresentou lucro líquido recorrente de R$ 3,01 bilhões, queda de:

17,6% em 12 meses; 20,4% frente ao primeiro trimestre.

A receita total ficou em R$ 20,7 bilhões.

O retorno sobre o patrimônio, o ROAE, caiu para apenas 12,5%.

Esse foi um dos principais sinais de alerta do balanço.

Inadimplência chegou a 3,3%

Outro problema apareceu na qualidade da carteira.

A inadimplência acima de 90 dias alcançou aproximadamente 3,3%, avanço de 0,7 ponto percentual em relação ao ano anterior.

Ao mesmo tempo, o Santander vem mudando o perfil de concessão de crédito para tentar reduzir risco.

A carteira ampliada alcançou aproximadamente R$ 715 bilhões, crescimento de 5,8% na comparação anual.

O problema é que crescer priorizando clientes de menor risco normalmente também significa aceitar spreads menores.

Essa combinação tem pressionado a rentabilidade.

A ação chegou a cair 7% depois do balanço

O mercado não gostou do segundo trimestre.

No dia da divulgação dos resultados, SANB11 terminou o pregão com queda de aproximadamente 7,37%, a R$ 25,63.

Foi uma das maiores quedas do Ibovespa naquele dia.

Curiosamente, logo depois veio o anúncio da oferta da matriz espanhola.

E a reação se inverteu.

No pregão seguinte, as ações dispararam.

Essa sequência ajuda a entender por que SANB11 viveu uma mudança tão brusca de valuation em poucas semanas.

O investidor precisa aceitar a troca?

Não.

A oferta é voluntária.

O acionista poderá decidir se deseja participar ou permanecer com suas ações do Santander Brasil.

Mas essa decisão exige avaliar questões que vão além de simplesmente comparar dois preços.

Quem aceitar passa de uma exposição concentrada no banco brasileiro para uma exposição ao conglomerado espanhol.

Também passa a ficar mais exposto ao comportamento do euro e às operações internacionais do grupo.

Quem permanecer no Santander Brasil, por outro lado, precisa considerar um possível efeito sobre a liquidez das ações na B3 caso uma parcela significativa do free float desapareça.

Novo CEO também faz parte dessa transformação

O Santander Brasil atravessa ainda uma mudança importante em sua liderança.

O Analistas mostrou anteriormente que Gilson Finkelsztain deixaria a B3 para assumir o comando do Santander Brasil.

A matéria também está presente no sitemap do site.

A mudança cria mais uma variável para a tese.

O novo comando terá de enfrentar simultaneamente a recuperação da rentabilidade, o controle do custo de crédito e a nova estrutura acionária que pode surgir com a oferta da matriz.

Por que o UBS não recomenda mais compra?

A resposta pode ser resumida em uma palavra:

assimetria.

Antes, o UBS via uma diferença maior entre o preço da ação e seu valor justo.

Agora, SANB11 já valorizou aproximadamente 15% desde que a OPA foi anunciada.

Ao mesmo tempo, a relação de troca com a matriz cria uma referência objetiva para a cotação.

Por isso, mesmo vendo espaço para o papel chegar a R$ 34, o UBS considera que o potencial atual já não justifica uma recomendação de compra.

A recomendação passou para neutra.

Vale reforçar que essa é a avaliação do UBS BB e não representa recomendação de investimento do Analistas.

O que observar agora em SANB11?

A partir daqui, existem pelo menos cinco pontos importantes:

  1. evolução da oferta de troca;
  2. cotação das ações do Santander Espanha;
  3. comportamento do euro frente ao real;
  4. adesão dos acionistas minoritários;
  5. recuperação da rentabilidade do Santander Brasil.

O investidor também deverá acompanhar os documentos definitivos da oferta.

A relação de troca anunciada pode sofrer ajustes em determinadas situações, como dividendos, juros sobre capital próprio, bonificações ou alterações na quantidade de ações das companhias.

Por isso, o valor econômico da operação continuará variando até sua conclusão.

SANB11 virou quase uma aposta no Santander Espanha?

Em parte, sim.

Enquanto a oferta permanecer na mesa, existe uma relação direta cada vez maior entre as duas ações.

A lógica é simples:

se as ações do Santander Espanha sobem, aumenta o valor dos papéis que o acionista brasileiro poderá receber.

Se caem, ocorre o contrário.

O câmbio produz um segundo efeito.

Um euro mais forte frente ao real aumenta o valor da troca em reais; um euro mais fraco pode reduzi-lo.

Isso torna SANB11 uma história bastante diferente daquela existente há apenas um mês.

O foco deixou de estar exclusivamente nos resultados do banco brasileiro.

Agora envolve também OPA, Santander Espanha, BDRs, euro e relação de troca.

E foi justamente essa nova realidade que levou o UBS BB a derrubar seu preço-alvo de R$ 44 para R$ 34 e retirar a recomendação de compra nesta segunda-feira.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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