As ações da Petrobras avançaram nesta sexta-feira depois que o Bradesco BBI elevou sua avaliação para a companhia. O banco passou a recomendação de PETR3 e PETR4 de neutra para desempenho acima da média, classificação equivalente a compra em sua metodologia, e manteve o preço-alvo de R$ 53 para as ações preferenciais no fim de 2027.
PETR3 e PETR4 encerraram o pregão com altas próximas de 2%, a R$ 48,25 e R$ 43,55, respectivamente. Como o relatório usa um horizonte futuro e premissas próprias, a diferença entre a cotação atual e o preço-alvo não representa retorno garantido. Mudanças no petróleo, câmbio, produção, investimentos e política de preços podem alterar a avaliação.
Produção acima do esperado sustenta a revisão
O BBI argumentou que a queda recente das ações abriu uma relação mais favorável entre risco e retorno, enquanto o desempenho operacional superou as expectativas. O crescimento da produção foi apontado como o principal fator para a assimetria observada pelos analistas.
A instituição estimou retorno sobre o capital investido de 13,7% para a Petrobras, ante média de 6,6% entre concorrentes internacionais utilizadas na comparação. Esse indicador procura medir a eficiência com que uma empresa transforma o capital aplicado no negócio em resultado operacional, mas depende das premissas de preço e investimento adotadas.
A melhora operacional também apareceu no balanço recente. A Petrobras ficou no topo do ranking dos maiores lucros da B3 no segundo trimestre, resultado apoiado pela produção e pelo desempenho das áreas de exploração e produção.
Petróleo e política de preços continuam no radar
A valorização ocorreu mesmo sem apoio expressivo do petróleo internacional. Isso reforça que o movimento desta sexta esteve mais ligado ao relatório do banco e às expectativas específicas para a empresa. Em outros pregões, mudanças no Brent costumam afetar diretamente a percepção sobre receita, geração de caixa e dividendos da estatal.
O mercado também acompanha a possibilidade de ajustes nos preços domésticos dos combustíveis depois das eleições, além do ritmo de investimentos previsto no plano estratégico. Uma eventual defasagem prolongada entre preços internos e externos pode reduzir margens no refino; ajustes frequentes, por outro lado, têm efeitos sobre inflação e ambiente político.
Os proventos permanecem entre os temas mais acompanhados pelos acionistas. Recentemente, a Petrobras entrou em período ex-dividendos após anunciar R$ 17,4 bilhões em pagamentos. O histórico de distribuição, porém, não assegura que valores semelhantes serão repetidos.
Preço-alvo não é previsão de cotação
O preço-alvo de R$ 53 decorre de um modelo que considera produção, preço do petróleo, câmbio, custos, investimentos e risco político. Qualquer alteração relevante nessas variáveis pode levar a novas revisões. A recomendação pertence ao Bradesco BBI e não ao Analistas.com.br.
Esta reportagem registra a mudança de avaliação e a reação das ações no pregão. Não constitui indicação de compra, venda ou manutenção de PETR3 ou PETR4.