O Ibovespa encerrou a semana de 24 a 28 de agosto com alta de aproximadamente 2,7%, aos 175.664,62 pontos. A sequência chegou a oito pregões positivos, depois de um começo de mês marcado por forte volatilidade. Em dólares, o avanço semanal foi menor, perto de 1,3%, porque o real perdeu valor diante da moeda americana.
O dólar terminou a sexta-feira a R$ 5,1965 e acumulou valorização próxima de 1% na semana. No exterior, S&P 500, Nasdaq e Dow Jones avançaram cerca de 0,5%, 0,4% e 0,5%, respectivamente, sustentados principalmente pelas empresas de tecnologia, embora o discurso do Fed tenha provocado cautela no último pregão.
Vale abre a semana; Petrobras fecha como suporte
Na segunda-feira, a Vale ajudou o índice com a recuperação do minério de ferro e sinais de estímulo na China. Ao longo dos dias seguintes, bancos e Petrobras ganharam participação no movimento. Na sexta, PETR3 e PETR4 subiram cerca de 2% depois da elevação da recomendação do Bradesco BBI para a Petrobras.
O noticiário corporativo também teve a recuperação extrajudicial da Braskem e as conversas entre Yduqs e Afya sobre uma possível combinação de negócios. São processos ainda sujeitos a etapas e negociações, razão pela qual a reação das ações não deve ser confundida com conclusão das operações.
Inteligência artificial sustenta bolsas globais
Os resultados da Nvidia deram apoio às ações de tecnologia e reforçaram a percepção de que o ciclo de investimentos em inteligência artificial continua robusto. Ao mesmo tempo, avaliações elevadas e necessidade de grandes desembolsos em infraestrutura mantiveram a volatilidade do setor.
A temporada também trouxe o balanço da Salesforce, que registrou crescimento de 11% na receita e elevou sua projeção anual. A expansão das ferramentas de IA ajudou os indicadores comerciais, mas aquisições como a Informatica também contribuíram para o desempenho.
Inflação americana e Fed mudam o tom na sexta
O índice PCE, medida de inflação acompanhada pelo Federal Reserve, veio acima da meta e das expectativas. Em Jackson Hole, Kevin Warsh reforçou o compromisso com a inflação de 2% e adotou um tom mais restritivo. A reação elevou juros dos títulos americanos, fortaleceu o dólar e tirou força de ações e ativos digitais no fim da semana.
O Bitcoin caiu mais de 3% na sexta e voltou à região de US$ 77,5 mil. Produtos locais ligados ao mercado cripto também permaneceram voláteis: o ETHE11 acumulou forte alta em agosto antes de encontrar uma zona de resistência. BTC e ETHE11 são classes diferentes, apesar de ambos responderem ao ambiente global de liquidez.
Emprego desacelera e fluxo estrangeiro melhora
No cenário doméstico, o Caged mostrou apenas 58.568 novos empregos formais em julho, contra expectativa de 112 mil. O dado reforçou a leitura de desaceleração gradual da atividade, embora o saldo acumulado no ano continue positivo.
O fluxo estrangeiro apresentou entrada líquida de aproximadamente R$ 2,7 bilhões até quarta-feira. Mesmo assim, agosto ainda acumulava retirada próxima de R$ 17,7 bilhões, mostrando que a melhora semanal não reverteu toda a saída observada no mês.
FIIs avançam e próxima semana terá PIB
O IFIX subiu 1,59% na semana e terminou aos 3.740,72 pontos, com ganho de 0,60% apenas na sexta-feira. A agenda incluiu pagamentos de proventos por dezenas de fundos imobiliários, novos relatórios e operações de compra e venda de ativos.
Na próxima semana, o mercado acompanha o Boletim Focus na segunda-feira e o PIB brasileiro do segundo trimestre na terça. Inflação da zona do euro e indicadores do mercado de trabalho americano também podem alterar as expectativas para juros e câmbio.
O resumo reúne fatos e variações observados no período. Desempenho semanal e relatórios de instituições não constituem recomendação de investimento.