Depois de nove pregões seguidos de baixa, a Bolsa conseguiu um respiro e fechou perto da estabilidade, amparada por Petrobras e pelo salto do Magazine Luiza. O grande personagem do dia, porém, foi a Casas Bahia, que despencou após pedir recuperação judicial. O dólar recuou e voltou para a casa dos R$ 5,20.
O Ibovespa tentou estancar a sangria nesta segunda-feira (17). Após emendar nove quedas consecutivas, uma das piores sequências em anos, o principal índice da Bolsa brasileira fechou praticamente estável, em torno dos 166,8 mil pontos, ensaiando um alívio depois do longo tombo. Não foi uma virada, mas ao menos um freio na queda.
No câmbio, o alívio foi mais claro. O dólar à vista caiu 0,41% e fechou cotado a R$ 5,1998, rompendo uma sequência de cinco altas seguidas e acompanhando o enfraquecimento da moeda americana no exterior.
O dia da Casas Bahia
O grande destaque do pregão veio do varejo, e não foi bom. As ações da Casas Bahia (BHIA3) despencaram cerca de 33%, reagindo ao pedido de recuperação judicial da varejista, protocolado no domingo, e a um balanço com prejuízo bilionário no trimestre.
O tombo de uma abriu espaço para a outra. Vendo a rival em dificuldades, as ações do Magazine Luiza (MGLU3) saltaram cerca de 7% e lideraram as altas do índice, na aposta de que a varejista pode capturar parte do mercado deixado pela concorrente. Outros nomes do setor, como Lojas Renner (LREN3) e Assaí (ASAI3), também ficaram no centro das atenções.
O que mais mexeu com o mercado
Fora do varejo, o índice encontrou sustentação na Petrobras (PETR4), que subiu ajudada pelas oscilações do petróleo, enquanto a Vale (VALE3) pesou no lado negativo, pressionada pelo minério de ferro mais fraco.
No campo econômico, o dia trouxe sinais de uma economia mais lenta. A prévia do PIB, o IBC-Br, caiu 0,6% em junho e confirmou a desaceleração da atividade, enquanto o Boletim Focus manteve praticamente inalteradas as projeções de inflação. Uma atividade mais fraca, vale lembrar, reforça o espaço para o Banco Central seguir com o ciclo de corte da Selic, hoje em 14%.
O que fica no radar
O grande fator interno segue sendo o político. Com o início oficial da campanha eleitoral, os investidores começam a precificar os cenários da disputa, o que, somado às preocupações fiscais, tem provocado a saída de capital estrangeiro da Bolsa nas últimas semanas e ajudado a explicar a recente maré de quedas.
No exterior, o humor é mais leve: as bolsas de Nova York operaram em alta, com o mercado ampliando as apostas de que o banco central americano, o Fed, vai cortar os juros em setembro, após dados mais fracos da economia dos EUA. A grande referência da semana lá fora será a ata da última reunião do Fed, divulgada na quarta-feira. Por aqui, o mercado tentará confirmar se o pior da sequência de quedas ficou para trás.
Fechamento referente à segunda-feira, 17 de agosto de 2026. Dados de mercado sujeitos a revisão.