Mesmo com a Bolsa ficando quase três horas fora do ar pela manhã, o Ibovespa fechou em alta e encerrou julho no positivo. As commodities sustentaram o índice, e o dólar mal se mexeu, ficando em R$ 5,06.
Foi uma sexta-feira (31) para entrar na história, e não pelos melhores motivos. O Ibovespa fechou em alta de 0,45%, aos 177,9 mil pontos, um resultado até positivo se considerarmos que a Bolsa brasileira passou por um apagão e só começou a operar com quase três horas de atraso, por causa de uma falha técnica.
O dólar, por sua vez, ficou praticamente de lado. A moeda americana subiu apenas 0,17%, cotada a R$ 5,06, mantendo-se estável no dia. No acumulado de julho, porém, o dólar caiu 1,82%, um respiro para quem acompanha o câmbio.
O apagão que marcou o pregão
O grande assunto do dia foi a falha operacional que deixou a B3 mais de duas horas fora do ar, algo inédito. O impacto apareceu no volume de negócios: enquanto a média diária em julho foi de cerca de R$ 18 bilhões, nesta sexta o giro ficou perto de R$ 8,5 bilhões, menos da metade. Como resumiu um analista da Convexa, quem só poderia operar pela manhã simplesmente não conseguiu.
Com a Bolsa parada de manhã, os investidores recorreram aos ADRs em Nova York como termômetro. E lá, o destaque foi o Santander, que disparou mais de 12% com uma oferta de compra da matriz.
O que sustentou a alta?
Com a Bolsa reaberta, quem segurou o índice foram as commodities. As ações de mineradoras e petroleiras, como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), deram sustentação ao Ibovespa, aproveitando o bom momento das matérias-primas.
O dia também foi movimentado pela temporada de balanços. A Vale, além de resultados, agradou o acionista ao anunciar o pagamento de R$ 2,03 por ação em proventos. Já a Usiminas (USIM5) caiu 2,52% após um balanço que decepcionou o mercado, e a Braskem (BRKM5) seguiu pressionada, depois de recorrer a uma medida judicial contra credores em meio a um impasse sobre sua dívida.
No câmbio, o real perdeu um pouco de força porque o dólar se fortaleceu no exterior, impulsionado pela alta dos juros dos títulos americanos e por falas de dirigentes do Federal Reserve defendendo manter os juros altos nos Estados Unidos.
O que fica no radar
A semana que vem promete. Na quarta-feira (5), o Copom anuncia sua decisão sobre a taxa Selic, hoje em 14,25% ao ano, no evento mais aguardado da agenda. Um dia antes, na terça, sai o dado da produção industrial brasileira.
Apesar do tropeço técnico, o mercado fechou a semana com leve alta de 0,19% e encerrou julho no campo positivo. Para quem acompanha o dia a dia, ficou o alerta: a falha da B3 mostrou que até a estrutura que sustenta todo o mercado pode falhar. Para comparar com o pregão anterior, vale reler o resumo do dia em que a Bolsa subiu com as big techs.
Fechamento referente à sexta-feira, 31 de julho de 2026. Dados de mercado sujeitos a revisão.