Os acionistas da EMAE aprovaram nesta quarta-feira, 16 de setembro, a incorporação das ações da companhia pela Sabesp (SBSP3). A decisão retirou a última aprovação societária que ainda faltava para a operação avançar.
Pela relação de troca, cada ação ordinária ou preferencial da EMAE, identificadas pelos códigos EMAE3 e EMAE4, dará direito a 1,3195 ação ordinária da Sabesp. A regra vale para os papéis que não pertencem à própria Sabesp.
Com a conclusão das etapas previstas, a EMAE se tornará subsidiária integral da Sabesp. As ações EMAE3 e EMAE4 deixarão de ser negociadas na B3, enquanto os acionistas abrangidos pela incorporação passarão a receber SBSP3 conforme a proporção aprovada.
Como funciona a troca de ações
Um investidor com 100 ações da EMAE, por exemplo, teria direito a 131,95 ações da Sabesp antes do tratamento das frações. A forma de liquidação das parcelas fracionárias deve seguir o procedimento e o cronograma que as companhias divulgarem para a conclusão.
Documentos da operação indicam que a incorporação abrange 7.484.090 ações da EMAE que não estavam nas mãos da controladora nem em tesouraria. Com a relação de 1,3195 para cada papel, a Sabesp deverá emitir aproximadamente 9,88 milhões de novas ações ordinárias.
A troca não é uma oferta de compra em dinheiro. Trata-se de uma reorganização societária na qual a base acionária remanescente da EMAE migra para a Sabesp.
Por que a Sabesp quer incorporar a EMAE
Segundo o protocolo da operação, a incorporação busca unificar as bases acionárias e simplificar estruturas administrativas e societárias. A expectativa declarada pelas empresas é reduzir redundâncias e permitir uma gestão mais integrada dos ativos.
A EMAE opera geração de energia, reservatórios, barragens e sistemas hidráulicos na Região Metropolitana de São Paulo. Esses ativos possuem conexão direta com a gestão de recursos hídricos, área central para a operação da Sabesp.
A companhia vive um ciclo de investimentos elevado. Em agosto, a Sabesp captou R$ 178 milhões para projetos de saneamento vinculados ao Eco Invest Brasil.
O que muda para SBSP3
A emissão de novas ações aumenta o número de papéis da Sabesp em circulação. Ao mesmo tempo, a empresa passa a deter integralmente a EMAE, incluindo seus ativos e resultados. O efeito econômico final dependerá da integração, dos custos, dos ganhos de eficiência e da contribuição futura do negócio de energia.
O protocolo estimou em cerca de R$ 4,45 milhões os custos da incorporação, incluindo auditores, avaliadores, assessores e publicações. O valor é uma estimativa e não representa o custo total de aquisição do controle, que ocorreu em etapas anteriores.
A aprovação chega em um momento de atenção sobre execução e investimentos. Depois do balanço do segundo trimestre, a ação passou por uma correção que eliminou cerca de R$ 17,5 bilhões em valor de mercado.
Quais são os próximos passos
Sabesp e EMAE ainda precisam executar os atos operacionais da incorporação, informar as datas de conversão e detalhar o tratamento das frações. Os acionistas devem acompanhar os próximos fatos relevantes e comunicados oficiais.
A aprovação não significa que EMAE3 e EMAE4 desaparecem imediatamente da tela de negociação. A mudança ocorre conforme o cronograma societário divulgado pelas companhias e pela B3. Até lá, preços e liquidez podem reagir às condições da troca e às datas anunciadas.