Estimativa caiu 1,2% em um mês e ficou em 66 milhões de sacas, ainda assim o maior volume da história. O ajuste veio do café canéfora, cuja colheita já passou de 70%, enquanto o arábica segue firme e sustenta a produção nacional.
O Brasil caminha para a maior colheita de café já registrada, mesmo com o IBGE aparando um pouco a conta. Em levantamento divulgado nesta terça-feira (14), o instituto estimou a safra de 2026 em 66 milhões de sacas de 60 kg, uma redução de 1,2% frente à previsão do mês anterior. Apesar do corte, o número segue recorde e representa um salto de 14,7% sobre o que foi colhido em 2025.
O que puxou a estimativa para baixo foi o café canéfora, grupo que reúne o robusta e o conilon. A produção dessa espécie foi revista para 21,6 milhões de sacas, queda de 3,6% em relação ao cálculo anterior, embora ainda represente crescimento de 3% na comparação com o ano passado. O ajuste aconteceu porque a colheita do canéfora já está bem adiantada, com mais de 70% dos cafezais colhidos, o que dá ao IBGE uma leitura mais precisa do resultado real.
Café arábica segura o recorde
Se o canéfora recuou, o arábica manteve o time em campo. A espécie, que responde pela maior fatia da produção brasileira, foi estimada em 44,4 milhões de sacas, praticamente estável em relação ao mês anterior. É esse desempenho que sustenta a safra recorde de 2026.
Segundo o próprio IBGE, o clima favorável ajudou bastante. As lavouras do centro-sul vêm sendo beneficiadas pelas condições do tempo, e a safra deste ano ainda conta com a chamada bienalidade positiva, aquele ciclo natural do cafeeiro em que os pés produzem mais em anos alternados.
Os números da safra 2026
- Produção total: 66 milhões de sacas de 60 kg, alta de 14,7% sobre 2025;
- Café arábica: 44,4 milhões de sacas, estável no mês;
- Café canéfora (robusta e conilon): 21,6 milhões de sacas, alta de 3% sobre 2025;
- Produtividade média: 11,7% maior que a do ano passado;
- Área plantada: crescimento de 2,7%.
O que fica no radar
O balanço mostra um setor em ritmo forte, com ganho de produtividade e mais área plantada ao mesmo tempo. Como o Brasil é o maior produtor global do grão, cada revisão do IBGE mexe com o mercado internacional e ajuda a calibrar o preço do café lá fora. Vale lembrar que a colheita já passou da metade da área total do país, o que torna as próximas estimativas cada vez mais confiáveis e reduz a margem para grandes surpresas no volume final.