A produção brasileira de grãos deve alcançar o recorde de 361,7 milhões de toneladas na safra 2025/26, estimou a Companhia Nacional de Abastecimento nesta terça-feira, 15 de setembro. O volume é 2,6% maior que o ciclo anterior e ficou 0,3% acima da projeção divulgada em agosto.
A área plantada foi estimada em 83,5 milhões de hectares, avanço de 1,7%. Soja e milho responderam pela maior parte da expansão, em um ciclo acompanhado de perto por companhias agrícolas como SLC Agrícola (SLCE3) e BrasilAgro (AGRO3).
Soja e algodão atingem máximas
A colheita de soja foi estimada em 180,4 milhões de toneladas, alta de 5,2% e novo recorde. A Conab projeta exportações de 116,2 milhões de toneladas. No milho, a produção deve chegar a 144 milhões de toneladas, aumento de 2%, com 112,1 milhões concentradas na segunda safra.
O algodão em pluma também deve renovar a máxima, com 4,14 milhões de toneladas, 1,5% acima da temporada anterior. A área de soja cresceu 2,7%, a de milho avançou 3,5% e a de sorgo aumentou 32,9%.
Arroz, feijão e trigo recuam
Nem todas as culturas acompanharam o movimento. A produção de arroz foi estimada em 11,08 milhões de toneladas, queda de 13,2%, após redução de 14% na área plantada. A colheita de feijão deve somar 2,95 milhões de toneladas, baixa de 3,6%.
Para o trigo, a Conab prevê 5,74 milhões de toneladas, recuo de 27,1%. A projeção de importações do cereal ficou em 7,06 milhões de toneladas, refletindo a necessidade de complementar a oferta doméstica.
Clima continua no centro das projeções
A Conab considera a persistência do El Niño entre setembro e novembro. O cenário climático aponta possibilidade de chuvas abaixo da média no Norte e no Nordeste e volumes acima da média no Sul. Excesso ou falta de precipitação pode alterar produtividade, calendário de plantio e qualidade dos grãos.
As estimativas são atualizadas conforme o desenvolvimento das lavouras. Por isso, o recorde projetado ainda depende das condições observadas até o fim do ciclo.
Como o recorde conversa com ações do agro
Maior produção pode ampliar volumes comercializados e exportados, mas não determina, isoladamente, o resultado de uma empresa. Preços internacionais, câmbio, produtividade por fazenda, custos de insumos, dívida e estratégia de comercialização também pesam.
A SLC Agrícola aprovou recentemente uma captação de R$ 515,5 milhões, enquanto a BrasilAgro encerrou o ano-safra com prejuízo de R$ 90 milhões. Esses casos mostram que a produção nacional e o desempenho corporativo precisam ser analisados separadamente.
Os dados da safra também afetam exportações, fretes, armazenagem e a balança comercial. A informação é jornalística e não constitui recomendação de investimento.