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Senado aprova MP do frete sem piso salarial; texto vai à sanção

Senado aprova MP do frete sem o piso de R$ 5 mil para caminhoneiros, mantém anistia de multas de 2022 e endurece fiscalização. Veja o que muda.

MU
Por Fundador e Editor-chefe
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Senado aprova MP do frete sem o piso de R$ 5 mil para caminhoneiros, mantém anistia de multas de 2022 e endurece fiscalização. Veja o que muda.

Depois de dez horas de negociação, o texto aprovado nesta terça derrubou o salário mínimo nacional para motoristas de longa distância, mas manteve o perdão das multas por bloqueios de estradas. A MP segue para sanção presidencial e muda as regras do frete.

O Senado aprovou nesta terça-feira (14) a medida provisória que reformula as regras do frete rodoviário no país, mas com uma mudança que frustra parte da categoria: o piso salarial de R$ 5 mil mensais para caminhoneiros de longa distância caiu do texto.

A MP 1.343/2026 passou por tantas alterações que virou um projeto de lei de conversão, o PLV 6/2026, e agora segue direto para a sanção da Presidência da República. A votação aconteceu dois dias antes do prazo final. A medida já estava em vigor desde março, mas dependia do aval do Congresso para virar lei em definitivo.

Por que o piso de R$ 5 mil caiu?

O valor nunca esteve no texto original enviado pelo governo. Ele foi incluído depois, pela comissão mista de senadores e deputados que analisou a matéria, e sobreviveu à votação na Câmara. No Senado, porém, foi retirado sob o argumento de que tratava de assunto alheio ao conteúdo da medida provisória.

O pedido de exclusão partiu dos senadores Jaime Bagattoli (PL-RO) e Tereza Cristina (PP-MS), e foi aceito pelo relator, Styvenson Valentim (Podemos-RN). Tereza Cristina sustentou que o dispositivo poderia até ser considerado inconstitucional por fugir do tema. Bagattoli argumentou que manter o piso prejudicaria milhares de pequenos empresários do transporte. Ambos afirmaram que a questão foi discutida com representantes dos caminhoneiros, que teriam concordado com a retirada.

Houve ainda uma manobra regimental importante: a exclusão foi tratada como supressão, e não como alteração do texto. Isso evitou que a proposta voltasse para a Câmara, o que atrasaria tudo e poderia fazer a MP perder a validade.

No lugar do piso fixo, o texto final determina que acordos e convenções coletivas de trabalho é que vão estabelecer o valor aplicável aos motoristas profissionais de longa distância.

As anistias que ficaram no texto

Duas anistias sobreviveram, e ambas mexem no bolso da categoria.

A primeira perdoa multas aplicadas a caminhoneiros por bloqueios em rodovias no contexto das eleições de 2022. Assim como o piso, esse perdão não constava na MP original do governo e foi incluído pela comissão mista. Para o relator, o caráter pedagógico das punições já foi cumprido, e manter as multas passaria uma ideia de vingança.

A segunda beneficia quem descumpriu as regras do frete, como pagar abaixo do piso estipulado pela lei de 2018. Quem foi punido administrativamente até a publicação da futura lei terá as multas convertidas em advertência. A regra vale para processos em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas ainda não pagas.

Há limites, porém. A conversão não alcança casos de fraude, uso de documentos falsos ou omissão deliberada de informações. Os transportadores também seguem com o direito de cobrar diferenças de frete e indenizações. E quem já pagou a multa não recebe o dinheiro de volta.

O que muda no cálculo do frete mínimo

Aqui está a parte que interessa a todo o setor de logística. A tabela do frete mínimo passa a considerar de forma explícita os custos operacionais da atividade, entre eles combustível, manutenção, pneus, seguros, tributos, salários e o tempo de carga e descarga. A ANTT poderá firmar parceria com a Infra S.A. para elaborar esses cálculos.

A atualização da tabela passa a ser semestral. E há um gatilho automático relevante: sempre que o preço dos combustíveis variar 5% ou mais, a agência terá até três dias úteis para publicar os novos valores.

O texto ainda cria duas definições novas na legislação, a de veículo de carga de pequeno porte, com capacidade útil acima de 500 quilos e peso bruto de até 3,5 toneladas, e a de carga a granel pressurizada.

Fiscalização mais dura para quem paga menos

Se por um lado o piso salarial caiu, por outro a fiscalização do frete mínimo ficou bem mais rígida:

  • Empresas que pagarem abaixo do piso poderão ter o registro suspenso em caso de descumprimento reiterado, considerado como mais de quatro infrações em seis meses
  • As multas para reincidentes vão de R$ 100 mil a R$ 1 milhão, e podem dobrar em caso de nova reincidência
  • Nos casos mais graves, o registro nacional de transportadores (RNTRC) pode ser cancelado por até 24 meses
  • O prazo para pagamento do frete fica em até 30 dias úteis
  • Transportadores autônomos passam a ter direito a adiantamento mínimo de 70%

Mudam também as regras de pesagem. Para caminhões com peso bruto regulamentar de até 74 toneladas, a verificação vai considerar inicialmente só o peso total do veículo, e a medição por eixo entra em cena apenas quando houver excesso acima de 5% no total. A tolerância por eixo continua em 12,5%. Os dados do tacógrafo, por sua vez, passam a valer como prova de infrações por excesso de velocidade.

O que fica no radar

O texto ainda permite que o transportador autônomo opte por recolher sua contribuição ao INSS diretamente, cria uma Política Nacional Permanente de Renovação da Frota com prioridade para autônomos e cooperativas, e amplia o Procargas para apoiar renovação de caminhões, capacitação e ações de saúde e segurança.

Nada disso vale de imediato. As mudanças precisam ser regulamentadas em até 180 dias, e empresas e transportadores terão prazo mínimo de 60 dias para se adaptar às novas obrigações. Enquanto isso, os sistemas e registros atuais continuam valendo.

Para o mercado, vale acompanhar o efeito sobre os custos de logística. O frete é uma peça central na formação de preços no Brasil, e a combinação de tabela atrelada ao combustível com multas de até R$ 1 milhão para quem paga abaixo do piso tende a pressionar as contas das transportadoras. O próximo passo agora é a sanção presidencial, que pode trazer vetos.

Com informações da Agência Senado.

MU
Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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