A Shein estreia na Bolsa de Hong Kong na terça-feira, 1º de setembro, após anos de tentativas de abrir o capital em outros mercados. O IPO pode levantar aproximadamente US$ 1,8 bilhão e avaliar a varejista em até US$ 26,8 bilhões.
O preço final da oferta deverá ser divulgado nesta segunda-feira (31). As ações serão negociadas em Hong Kong sob o código 625, com o nome de pregão SHEIN-W.
Quais são os números do IPO da Shein?
A oferta prevê a venda de 280 milhões de ações em uma faixa entre 47,60 e 49,50 dólares de Hong Kong por papel. No teto da faixa, a operação alcança aproximadamente 13,86 bilhões de dólares de Hong Kong, equivalentes a cerca de US$ 1,8 bilhão.
- Estreia prevista: terça-feira, 1º de setembro de 2026.
- Código de negociação em Hong Kong: 625.
- Quantidade inicialmente ofertada: 280 milhões de ações.
- Faixa indicativa: de HK$ 47,60 a HK$ 49,50 por ação.
- Valor de mercado estimado: entre US$ 25,7 bilhões e US$ 26,8 bilhões.
A Bolsa de Hong Kong também informou que pretende disponibilizar opções semanais e mensais ligadas às ações da companhia, além de permitir produtos derivados e operações vendidas, respeitadas as regras locais.
Por que a avaliação chama atenção?
A avaliação máxima indicada para a estreia fica cerca de 73% abaixo dos US$ 100 bilhões atribuídos à Shein em uma rodada privada de 2022. A diferença mostra como investidores passaram a considerar com mais cautela o crescimento, as margens, as tarifas comerciais e os riscos regulatórios da companhia.
A comparação não significa que a empresa perdeu esse valor em caixa. Rodadas privadas e ofertas públicas ocorrem em momentos diferentes, com condições, quantidade de ações e expectativas distintas.
Como a Shein chega à Bolsa?
A abertura de capital acontece depois de a empresa abandonar planos anteriores de listagem nos Estados Unidos e no Reino Unido. Em julho, o Analistas mostrou que a Shein registrou prejuízo de US$ 99 milhões e chegou pressionada ao IPO.
Naquele resultado, a receita trimestral avançou apenas 1,1%, enquanto o lucro operacional caiu 26,1%. O prejuízo líquido também foi influenciado por uma despesa contábil relacionada a ações preferenciais conversíveis, sem efeito imediato equivalente sobre o caixa.
A varejista entra no mercado público com alcance global, mas enfrenta o fim de benefícios alfandegários nos Estados Unidos, maior fiscalização sobre encomendas de baixo valor e pressão para demonstrar crescimento rentável.
Qual é a relação com o varejo brasileiro?
A Shein concorre por consumidores com redes brasileiras de moda e comércio eletrônico. Entre as companhias listadas na B3, C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3) estão entre as empresas expostas ao mesmo mercado de vestuário, embora possuam modelos operacionais, estruturas de custos e estratégias diferentes.
A estreia da concorrente não determina o comportamento dessas ações. Resultados próprios, vendas, margens, estoques, juros e consumo doméstico continuam sendo fatores centrais para as empresas brasileiras.
O que acompanhar na estreia?
- O preço final definido dentro da faixa indicativa da oferta.
- A demanda dos investidores e o eventual uso da opção de lote adicional.
- A oscilação das ações no primeiro pregão em Hong Kong.
- As projeções da companhia para crescimento, margens e expansão internacional.
- Novas informações sobre tarifas e regras para encomendas internacionais.
O IPO transforma a Shein em uma empresa acompanhada diariamente pelo mercado público e amplia a cobrança por transparência. O desempenho inicial das ações, porém, não permite antecipar os resultados futuros da companhia. Esta reportagem tem caráter exclusivamente jornalístico e não recomenda ativos.