As ações de varejo e empresas de menor valor de mercado despencaram nesta segunda-feira (26), devolvendo parte do rali acumulado antes do segundo turno. O movimento atingiu as small caps e papéis ligados ao consumo, enquanto a curva de juros subia para a região de 15%.
Por que essas ações caíram mais
Varejistas, construtoras, locadoras e empresas de serviços dependem do crédito e da renda doméstica. Quando os juros esperados sobem, o financiamento fica mais caro, o consumo tende a desacelerar e o valor presente dos lucros futuros diminui.
Muitas dessas ações também haviam subido dezenas de por cento em outubro. A alta embutia expectativa de queda do risco fiscal e dos juros depois da eleição. Com a vitória de Lula e a ausência imediata de novos compromissos econômicos, investidores desfizeram posições.
Liquidez amplifica a queda
Small caps negociam menos dinheiro que as maiores empresas do Ibovespa. Em um dia de venda generalizada, há menos ordens de compra para absorver o volume. Isso amplia a distância entre preços e acelera movimentos.
Alguns papéis chegaram aos leilões de abertura com indicações de queda próximas de 50%. Indicação de leilão não é o mesmo que negócio concluído. Por isso, os valores extremos devem ser tratados como sinais de desequilíbrio de ordens, não como fechamento.
O rali anterior não desapareceu por igual
As empresas entraram no pregão em pontos diferentes. Algumas quase dobraram no mês; outras apenas recuperaram perdas anteriores. A queda de hoje pode apagar todo o ganho em um papel e apenas parte em outro.
O investidor deve comparar a cotação com os resultados da companhia, dívida, geração de caixa e necessidade de refinanciamento. Comprar apenas porque a ação caiu muito repete o erro de comprar apenas porque havia subido.
Tickers no radar
Papéis como MGLU3, BHIA3, ASAI3 e LREN3 são sensíveis ao consumo. MOVI3 e VAMO3 dependem de financiamento de frotas e valor de revenda de veículos. Cada empresa tem exposição diferente, mesmo quando todas caem no mesmo pregão.
Os balanços do terceiro trimestre ajudarão a separar negócios que melhoraram de ações que subiram principalmente por expectativa política. Margem, estoque, inadimplência e custo da dívida serão os dados mais importantes.
O que pode estabilizar o setor
Uma sinalização fiscal clara pode reduzir os juros longos e devolver parte do apetite por risco. Do outro lado, aumento de despesas sem fonte de receita ou conflito prolongado sobre a eleição pode manter a pressão.
O pregão ainda estava aberto na apuração desta matéria. Em dias de circuit breaker, preços mudam rapidamente; decisões devem considerar horizonte e risco, não apenas a variação exibida na tela.